Expedição Cerrado 2013: Boa safra de soja em Vilhena (RO) e ataque de lagartas em Campos de Júlio e Sapezal (MT)

Publicado em 28/01/2013 08:27 807 exibições
A Expedição Cerrado segue acompanhando a safra de verão 12/13 pelo Centro-Norte brasileiro. O projeto é realizado por 20 alunos da Esalq-USP do curso de Engenharia Agronômica e que compõem o Grupo de Experimentação Agrícola (GEA). Confira abaixo os primeiros relatos das lavouras em Vilhena (RO), Campos de Júlio e Sapezal (MT).

23 de janeiro - Vilhena - RO
 
A região de Vilhena e redondeza estão com a safra bem encaminhada. Apesar de ter enfrentada forte pressão de lagartas (falsa medideira e lagarta das maçãs) e falta de chuva no início da safra de soja, a mesma já está sendo colhida e vem respondendo com produtividades boas, em média 52 sacas/hectare, um pouco abaixo da média do ano passado, sendo que as variedades precoces estão com produtividades dentro do esperado. O clima está bastante chuvoso nos últimos dias, impedindo a eficiência operacional, mas ainda não está havendo perdas por este fator. Hoje a região planta aproximadamente 170 mil hectares, mas com potencial enorme em cima das pastagens degradadas (principal atividade da região no passado), podendo chegar a 1 milhão de hectares no total. Atualmente, cerca de 95% da soja da região ainda é convencional, devido a fatores de comercialização com as traders, que só embarcam não-transgênicos pela rota de escoamento pelo rio madeira em Porto Velho.
 
24 e 25 de janeiro - Campos de Júlio / Sapezal - MT

A região oeste do Mato Grosso está com a colheita de soja a todo vapor, estima-se que já tenham sido colhidos 35% da soja da região. Os produtores vêm observando uma quebra de produtividade nas variedades super precoces (ciclo de 90 dias), algo em torno de 15%, indo para média 46 sacas/hectare, sendo o fator principal a falta de chuva em outubro, quando a soja estava sendo plantada. Além disso, há forte pressão de lagartas, as já conhecidas Pseudoplusia includens (falsa medideira), Heliothis virescens (lagarta das maçãs) e outra mais recente, a Helicoverpa zea (lagarta da espiga), que vem atacando com forte severidade, causando em alguns pontos perdas por falta de eficiência de inseticidas aplicados em doses de bula. Outro inseto de destaque nessa safra foi o ataque intenso da mosca branca, sulgador de difícil controle químico, pela rápida reprodução na lavoura.
 
A ferrugem já vem sendo comumente encontrada na região, com focos em diferentes fazendas, fato que só foi comum em fevereiro na safra 11/12, ou seja, a doença realmente entrou mais cedo nessa safra, cerca de um mês antes, fato que pode diminuir a produtividade das variedades mais tardias. Até o momento as aplicações preventivas vêm sendo feitas dentro do cronograma, sendo a média de 3 aplicações já realizadas, fato que pode chegar até 5 ou 6 aplicações até a colheita das variedades mais tardias. Na região também vem chovendo bem, no momento ainda não houve perdas significativas por excesso de umidade.
 
Além da colheita da soja, a região vem na reta final do plantio do algodão, que já se encontra em ritmo de 65%. Doenças como a mela e o tombameto estão obrigando o produtor a aumentar o número de sementes na hora do plantio, para garantir um número mínimo de plantas por metro, fato que aumenta o custo com sementes, insumo cada vez mais caro devido as tecnologia transgênicas. Outra questão que está preocupando o agricultor é a migração da mosca branca da soja para o algodão, fato que merece atenção e monitoramento intenso. Devido às boas chuvas, o algodão está emergindo com facilidade, mas com muitas aplicações precoces de inseticidas e fungicidas, pelas altas pressões.

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Por:
Ana Paula Pereira
Fonte:
Notícias Agrícolas

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