CBOT: Soja fecha a semana com preços mais baixos, após números do USDA

Publicado em 08/03/2013 18:45
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Nesta sexta-feira (08) os futuros da soja fecharam a sessão com preços mais baixos na Bolsa de Chicago. O mercado internacional foi pressionado pelo relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), sem novidades, divulgado na tarde de hoje. O contrato março/13 encerrou a sessão acima de US$ 15/bushel sustentado pelo quadro ajustado de oferta e demanda.

Durante toda a semana, os investidores buscaram um melhor posicionamento frente ao relatório do departamento norte-americano. Segundo analistas, a expectativa do mercado era que o órgão reduzisse os números de estoques finais de soja nos Estados Unidos. No entanto, os números divulgados pelo USDA ficaram em linha com o reportado no mês anterior. A produção e produtividade norte-americana foram mantidas, em 82,05 milhões de toneladas e 44,9 sacas por hectare, respectivamente.

Do mesmo modo, os números de exportação do grão dos EUA permaneceram em 36,6 milhões de toneladas. E os estoques finais de soja ficaram em 3,4 milhões de toneladas, conforme reportou o departamento. Além disso, as estimativas para a produção brasileira foram mantidas em 83,5 milhões de toneladas, por outro lado, a projeção para a safra argentina recuou de 53 milhões de toneladas para 51,5 milhões de toneladas.

O analista de mercado da PHDerivativos, Pedro Dejneka, destaca que o relatório do USDA foi morno para a soja e não trouxe o combustível necessário para o mercado. O mercado já vinha precificando um relatório altista para o grão, então depois da divulgação dos números houve uma pequena realização de lucros. Mas o mercado está preso nesses patamares e sem notícias maiores que determinem uma direção, afirma.

Nesse momento, o mercado entende que é preciso registrar preços mais altos para que haja um racionamento da demanda, que permanece firme, porém, o USDA não fez os cortes esperados, segundo Dejneka. A expectativa é que os números, especialmente os estoques finais norte-americanos, sejam reduzidos nos próximos relatórios.  

Temos que lembrar que o departamento muitas vezes é conservador, e como já sabemos os números dos estoques nos EUA são baixos, talvez o USDA esteja aguardando mais um mês para ter convicção do nível da demanda, diz Dejneka.

Paralelo a esse cenário, o analista sinaliza que ainda há outros fatores que podem influenciar as cotações futuras. Como é o caso da ineficiente logística brasileira que não consegue atender a demanda pela soja, principalmente a chinesa que segue agressiva em função das margens de esmagamento positivas no país. 

Outro fator que poderia agravar esse quadro é a possível greve nos portos no próximo dia 19. Ainda temos um cenário delicado, e que deverá sustentar os preços no curto prazo. No início da próxima semana poderemos ver algumas realizações de lucros, mas qualquer recuo mais forte pode atrair a demanda para a soja norte-americana, que já está escassa, alerta Dejneka.

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Por Fernanda Custódio
Fonte Notícias Agrícolas

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