Soja: Cotações batem limite de alta e travam negociação na CBOT

Publicado em 26/08/2013 11:49 e atualizado em 26/08/2013 14:53
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As negociações foram interrompidas na Bolsa de Chicago após as cotações futuras da soja alcançarem o limite de alta, mais de 70 pontos. Por volta das 14h29 (horário de Brasília), as principais posições da commodity exibiam ganhos de mais de 60 pontos. O contrato setembro/13 era cotado a US$ 14,33/bushel, com 68 pontos de alta. Os negócios devem ser retomados no pregão noturno. A alta no mercado internacional já reflete nos preços no mercado interno brasileiro e a saca da soja é negociada a R$ 80,00 no Porto de Rio Grande, na última sexta-feira (23) o valor era de R$ 77,00. 

Para o economista da Granoeste Corretora de Cereais, Camilo Motter, o mercado reflete os números do Crop Tour Pro Farmer divulgados na última sexta-feira (23) após o fechamento do pregão regular. De acordo com o levantamento, a produção de soja norte-americana deverá somar 85,95 milhões de toneladas na safra 2013/14. O número é menor do que o anunciado no último relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), de 88,59 milhões de toneladas.

Ainda na soja, a produtividade média das lavouras dos EUA foi projetada em 47,4 sacas por hectare, contra 48,3 sacas por hectare divulgado pelo USDA.  No caso do milho, a expectativa é que os EUA colha uma safra de 341,9 milhões de toneladas nesta temporada. Já o departamento norte-americano estimou a produção do cereal em 349,73 milhões de toneladas. 

Segundo o levantamento do Pro Farmer a produtividade média das lavouras de milho deve alcançar 163,15 sacas por hectare, número pouco menor do que o projetado pelo USDA de 163,42 sacas por hectare.  Em contrapartida, estima-se que 730 mil hectares foram abandonados para o milho e 323,765 mil hectares para a soja. 

“As cotações já acumulam alta de mais de um dólar por bushel entre o pregão de sexta-feira e hoje. Os cortes nas produções, tanto de soja como de milho, refletem positivamente nos preços. E com o clima adverso, desde o início do plantio, muitos produtores norte-americanos preferiram recorrer ao seguro agrícola”, explica Motter. 

Além disso, o economista ressalta que o mercado está bastante sensível ao clima, já que os estoques estavam mais baixos, em função das perdas nas últimas safras. Por outro lado, também houve o atraso no início do plantio devido ao excesso de precipitações, mas, atualmente, o clima permanece mais seco em toda região produtora norte-americana.

“Essa ausência de chuvas em volume adequado na porção central e norte do meio-oeste norte-americano são desfavoráveis, uma vez que as lavouras estão na fase reprodutiva. Já em setembro, a preocupação é com as geadas tardias que também atingir as plantações”, afirma o economista.

As previsões climáticas apontam para um clima mais seco para as próximas duas semanas e pouca possibilidade de chuvas. Diante desse cenário, a expectativa é que o USDA revise para baixo os números das lavouras em boas ou excelentes condições, que deve ser divulgado no final da tarde hoje. Na semana anterior, 62% das plantações de soja e 61% de milho apresentam boas condições. 

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Por: Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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