Grãos: Mercado aguarda informações e inicia semana na defensiva

Publicado em 07/10/2013 08:13
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A semana começa com o mercado internacional de grãos operando próximo da estabilidade. No pregão eletrônico desta segunda-feira (7), por volta das 7h50 (horário de Brasília), a soja registrava um ligeiro recuo, de pouco mais de 1 ponto nas posições mais negociadas, enquanto milho e trigo operavam com pequenas altas. 

A soja, porém, mais cedo operava em campo positivo, em função das chuvas que chegaram aos Estados Unidos no último final de semana. Segundo o instituto de meteorologia DTN, essas chuvas podem continuar comprometendo o avanço da colheita no Meio-Oeste americano. Para o instituto ainda, as precipitações dos últimos dias podem ter afetado regiões do norte e centro do Corn Belt. 

De acordo com uma analista internacional ouvida pela agência de notícias Bloomberg, altas ocorridas no mercado da soja devem ser atribuídas à condições climáticas adversas. E chuvas previstas para o final desta semana devem continuar a diminuir o ritmo da colheita, dando sustentação às cotações. 

Veja como fechou o mercado nesta sexta-feira (4):

Com incertezas sobre safra dos EUA, soja fecha semana em alta

A soja fechou a semana em campo positivo no mercado internacional. Depois de uma sessão volátil nesta sexta-feira (5), os principais vencimentos da oleaginosa negociados na Bolsa de Chicago fecharam os negócios com altas de 6 a 8,50 pontos. O milho também fechou em alta e o mercado do trigo encerrou o dia em território misto. 

O mercado, após trabalhar do lado negativo da tabela, conseguiu retomar o fôlego para fechar em alta com os investidores observando que a colheita não tem evoluído como se projetava. Os trabalhos de campo ainda estão aquém das expectativas e por isso a entrada da nova safra deverá se atrasar nessa temporada. 

"A maioria das regiões de soja está com chuva nesse momento, há indicativos de novas chuvas no final de semana, em alguns locais elas podem sem prolongar e com isso as projeções de colheita que deveriam fechar a semana com 25% no caso da soja indica que o atraso da colheita é ainda maior do que se via na semana passada, as posições foram revertidas e o mercado procurou o lado de cima como proteção antes do final da semana, que deve ser chuvoso", disse Vlamir Brandalizze, consultor da Brandalizze Consulting. 

Além disso, o mercado observou ainda a revisão para baixo que a Informa Economics fez para a safra 2013/14 de soja dos Estados Unidos. A consultoria reduziu sua estimativa de 88,15 milhões para 86,44 milhões de toneladas. Além disso, a produtividade também recuou e ficou em 47,27 sacas por hectare, contra 48,07 do relatório anterior. 

Para o milho, que também encontrou sustentação para os preços nesses números, a Informa reduziu sua expectativa para a safra de 360 milhões para 355 milhões de toneladas. "O milho levou vantagem nisso e criou suporte, então esses números ajudaram o mercado", disse o consultor. 

Números como esses da Informa serão cada vez mais importantes e observados pelo mercado, uma vez que os negócios estão sem a referência do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) por conta da paralisação do governo norte-americano. Um dos mais importantes boletins de oferta e demanda do ano, que é o do mês de outubro, não deverá ser reportado no dia 11 como era previsto.

No cenário técnico, no movimento de recuperação o mercado tentou romper o patamar dos US$ 13 por bushel para o vencimento novembro e, apesar de ainda apresentar uma resistência, mantém se foco e esse rompimento pode acontecer caso as chuvas persistam no Meio-Oeste americano, atrasando ainda mais o andamento da colheita. "Se essas chuvas forem volumosas que dificultem a entrada das máquinas no começo da semana é provável que, na segunda-feira (7) nós tenhamos esses US$ 13 furados, mas não deve fugir muito dos patamares de um intervalo de US$ 12,50 a US$ 13,50", explica Brandalizze. 

Frente a esse cenário de indefinição climática nos EUA, a volatilidade deverá continuar presente nos negócios com o mercado internacional de grãos e os investidores esperando pelo avanço dos trabalhos de campo e a chegada de resultados mais concretos para se definir uma direção para as cotações. No entanto, passadas mais duas semanas da colheita americana, segundo o consultor, os olhos do mercado deverão se voltar para as condições de clima nos América do Sul e à evolução do plantio da nova safra, principalmente no Brasil e na Argentina. 

Segundo o analista de mercado da SIMConsult, Mauricio Correa, apesar de o mercado norte-americano estar bem comercializado e já ter vendido mais de 26 milhões de toneladas das 37 milhões destinadas à exportação, o mercado sente a pressão sazonal da colheita e quase nada foi embarcado. "Até mesmo as indústrias estão fechadas aguardando as primeiras ofertas de soja", relata. 

"Eu acredito que o mercado ainda poderá registrar mais uma baixa até o meio de outubro, a qual seria sustentada no patamar de US$ 12,40, e a tendência é de que o mercado só estabilize mais à frente", afirma Correa. "As chuvas só se tornam um risco para a colheita caso chova por muito mais tempo. Porém, no norte do Corn Belt, algumas chuvas ainda são bem vindas pois a maturação das lavouras ainda está sendo concluída", completa. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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