Soja: mercado reflete alta do dólar e opera em baixa na CBOT

Publicado em 24/01/2014 06:43 e atualizado em 24/01/2014 10:42 1115 exibições

Nesta sexta-feira (24), no pregão eletrônico, os preços da soja ampliaram suas perdas e, por volta das 11h20 (horário de Brasília), perdiam mais de 10 pontos nas posições mais negociadas. O milho e o trigo, no mesmo momento, também operavam em campo negativo,  porém, com perdas mais tímidas. O mercado de commodities agrícolas, segundo explicou o analista Mário Mariano, da Novo Rumo Corretora, reflete um movimento do mercado financeiro com os investidores se focando no dólar que, nesta sexta-feira, segue operando em alta.

A alta da moeda norte-americana é reflexo de uma troca de ativos - dos traders saindo de mercados mais arriscados e partindo para moedas fortes - além de tornar os produtos negociados na Bolsa de Chicago mais caros, situação que pressiona os negócios em Chicago e também em outras bolsas internacionais.  

Para a soja, o mercado ainda observa as expectativas incertas sobre a nova safra da América do Sul e o desenvolvimento do clima, principalmente no Brasil e na Argentina, e o impacto que tem sobre o desenvolvimento das lavouras. Entretanto, ainda há suporte no quadro de ajustada oferta nos EUA e de uma demanda mundial bastante forte. 

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos traz, nesta sexta, seu novo boletim de exportações semanais e o mercado espera por esses números. Segundo o analista de mercado Flávio Oliveira, da McDonald & Pelz Corretora, o mercado aguarda para ver se haverá uma confirmação dos boatos de troca de origem de soja por parte da China dos Estados Unidos para o Brasil.  

No caso do trigo, o suporte para os preços vêm do frio intenso nos Estados Unidos e as preocupações de que temperaturas muito baixas possam comprometer ainda mais a produção do grão no país. Segundo um instituto de meteorologia norte-americano, o clima mais frio na próxima sermana poderia prejudicar cerca de 25% da safra do Meio-Oeste americano e 10% da produção nas Grandes Planícies. 

Veja como fechou o mercado nesta quinta-feira (23):

Soja: preços fecham em queda com fatores técnicos e fundamentais

A soja operou durante toda a sessão regular desta quinta-feira (23) em alta na Bolsa de Chicago, porém, o mercado virou e encerrou os negócios em campo negativo, registrando ligeiras perdas. O vencimento março/14 fechou valendo US$ 12,77 por bushel, se aproximando de uma média móvel de risco, que ao ser rompida pode estimular mais vendas por parte dos fundos. Esse é um movimento técnico do mercado, como explicou o analista Flávio Oliveira, da Mc Donald & Pelz Corretora. 

O mercado continua operando sem uma direção definida e, as altas registradas mais cedo foram justificadas por analistas pelas adversidades climáticas na América do Sul. Além disso, o quadro de uma firme demanda e a escassez de soja nos EUA completam o cenário de fundamentos ainda positivos para a oleaginosa. 

Segundo informações do noticiário internacional, os traders observam as adversidades pelas quais passam as lavouras na Argentina e os problemas que tiveram durante seu desenvolvimento. Um analista ouvido pelo site norte-americano Farm Futures disse que as temperaturas no país continuam acima dos 38ºC. 

O analista cita ainda o forte calor no Brasil, porém, afirma que em algumas regiões produtoras as chuvas, há algumas semanas, já chegaram em condições mais do que suficientes. Porém, até a segunda quinzena de fevereiro, de acordo com a Somar Meteorologia, poderá ser registrado um período de chuvas escassas, conhecidos como veranicos. A situação mais complicada deverá ser sentida pelas produtores do Oeste da Bahia. 

Outro fator que puxou os preços da soja neste pregão foram as altas registradas pelo mercado do trigo, que também observa as condições climáticas. O rigoroso inverno no Hemisfério Norte castiga a produção e os prejuízos maiores são sentidos pelo cereal.

Assim, nesta quinta-feira, os preços do grão sobem pela primeira vez em quatro sessões e fecharam os principais vencimentos com mais de 8 pontos de alta. De acordo com o Weather Commodity Group, as temperaturas no Meio-Oeste americano devem permanecer negativas nos próximos 10 dias.

"As temperaturas congelantes nas planícies do norte dos EUA e no Meio-Oeste estão aumentando os temores de morte das plantas pelo frio intenso", disse um analista internacional à Bloomberg. 

Entretanto, a ligeira queda da soja no final do pregão foi estimulada por um movimento de liquidação de posições com influência de um mau humor do mercado financeiro e da forte alta do dólar frente à uma cesta de moedas. Alguns dados sobre a economia chinesa não foram bem recebidos pelos investidores e refletiram de forma negativa no mercado da soja, segundo Flávio Oliveira.

As expectativas para o relatório de exportações semanais que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga nesta sexta-feira (24) também mexeram com os negócios. Ainda de acordo com o analista, o mercado aguarda para ver se haverá uma confirmação dos boatos de troca de origem de soja por parte da China dos Estados Unidos para o Brasil.  

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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1 comentário

  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    China: os números de avaliação do enfraquecimento da economia chinesa, não são oficiais, que serão divulgados somente no inicio do mês de fevereiro, sobre o desempenho do mercado durante o mês de janeiro. Acontece é que o HSBC divulga sua avaliação com data no dia 20 de janeiro e divulga para o mercado. Foram incontáveis as vezes que divulgou números muito abaixo do desempenho da economia chinesa, como suas avaliação sempre foram errados, chegou a divulgar nota que mudaria seu sistema de cálculo para ficar mais próximo da realidade. Aparentemente continuam com esse terrorismo que serve apenas para deprimir os preços de muitos ativos no mercado internacional, particularmente de produtos agrícolas.

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