Soja: Benefícios das chuvas do fim-de-semana ainda estão sendo avaliados

Publicado em 17/02/2014 17:45 e atualizado em 17/02/2014 18:58 734 exibições

Os benfícios que as lavouras de soja terão com as chuvas que chegaram no último final de semana à importantes regiões produtoras do Brasil ainda estão sendo avaliados e levantados por especialistas. 

O que se sabe até o momento é que as lavouras de ciclo mais tardio, que foram plantadas de outubro para frente deverão ter consequências menos severas, uma vez que sua fase de enchimento de grãos, onde a presença de água é determinante, não aconteceu durante essa prolongada seca que se estendeu no Centro-Sul brasileiro de dezembro até meados de fevereiro. 

Com o calor excessivo e a falta de chuvas dos últimos 60 dias em estados como Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, as plantas entraram em um estágio de stress hídrico, ficando debilitadas e reduzindo seu potencial produtivo. 

Segundo explicou o professor Elmar Floss, engenheiro agrônomo e consultor em agronegócio, as elevadas temperaturas fizeram com que os pés de soja aumentassem sua evapotranspiração, aumentando ainda mais seu stress, já que não o solo não possui um armazenamento hídrico adequado para o desenvolvimento das plantas. 

No Rio Grande do Sul, por exemplo, Floss destaca que as perdas mais intensas deverão ser registradas nas lavouras super precoces já que as condições climáticas provocaram também um desfolhamento e não houve pegamento das vagens, principalmente no primeiro terço das plantas. Além disso, as vagens que vingaram apresentam um menor número de grãos em seu interior.  

Por outro lado, as lavouras mais tardias serão beneficiadas pelas chuvas que também chegaram mais tarde ao estado e devem apresentar uma recuperação de seu potencial produtivo. Entretanto, ainda de acordo com o professor, as plantas precisam de cerca de 6 a 7 mm de água por dia, ou de 42 a 49 mm por semana, para que possa se desenvolver de forma satisfatória. As temperaturas ideais para esse período são de 30 a 32ºC durante o dia e de 23 a 25ºC durante a noite. 

Paralelamente, Floss ressalta ainda a importância de um adequado tratamento contra as pragas. O professor explica que, também no caso do Rio Grande do Sul, por exemplo, a aplicação de fungicidas durante um período de seca, com as plantas debilitadas e em sua fase reprodutiva, e ocasionaram uma fitotoxicidade, o que também pode causar redução de produtividade. 

A projeção inicial para a safra de soja do Rio Grande do Sul era de 14 milhões de toneladas. No entanto, na opinião de Floss esse número pode chegar somente a 13 milhões e o professor afirma ainda que as lavouras do estado só aguentam mais 4 ou 5 dias com as atuais condições climáticas e que as chuvas regulares e com bons volumes são de necessidade imediata. 

Goiás - Em Goiás a situação também é bastante preocupante e a FAEG (Federação de Agricultura do Estado de Goiás) e divulgará um levantamento das perdas registradas para esta safra. Segundo o vice-presidente da entidade, Bartolomeu Braz Pereira, em algumas áreas, os produtores nem chegarão a colher soja, enquanto em outros municípios as perdas estão na casa dos 50%.

"Goiás foi o estado em que mais se perdeu soja no Brasil, além da Bahia, Triângulo Mineiro e o sul do Piauí. Além de ter essa perda enorme, ainda temos algumas áreas que são seguradas e não irão conseguir recolher o seguro a tempo", diz Braz. Os técnicos das seguradoras não têm chegado a tempo para produzirem os laudos nas propriedades, agravando ainda mais os prejuízos. 

A Comigo (Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano) estima uma perda de cerca de 20% de perda de produtividade em sua região de atuação. O rendimento, inicialmente projetado em 55 sacas por hectare, caiu para 45 sacas.  

Ainda de acordo com informações da Cooperativa, no último domingo (16), chouveu cerca de 30 mm na região e há previsões de mais precipitações ao longo dessa semana. 

No link abaixo, confira a íntegra da entrevista de Elmar Floss:

>> Elmar Floss - Engenheiro Agrônomo e Consultor em Agronegócio

Tags:
Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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2 comentários

  • Douglas Gehrke Capitão Leônidas Marques - PR

    SALVADOR REIS NETO | SANTA TERESA DO OESTE - PR

    Mas nossos vizinhos de cidades estão colhendo até 30% menos... Se esperava colher 180 sacas por alqueire esse ano, pois vinha muito bem a lavoura, mas 15 dias de sol forte em Dezembro e depois no fim de janeiro e inicio de fevereiro, quebraram e muito a produção na nossa região...

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  • salvador reis neto santa teresa do oeste - PR

    e vai subir mais muito antes do que muitos imaginam pois aqui colhemos de 8 a 10% menos e olha que aqui o clima foi bom so faltou chuva no final do ciclo.

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