Soja: Após fortes altas, mercado opera de lado em Chicago

Publicado em 20/03/2014 07:42 1645 exibições

O mercado da soja caminha de lado na manhã desta quinta-feira (20). Os futuros da oleaginosa, por volta das 7h40 (horário de Brasília) subiam pouco mais de 2 pontos no pregão eletrônico da Bolsa de Chicago. Já o milho e o trigo exibiam ligeiro recuo. 

Depois das altas de mais de 10 pontos no fechamento de ontem, o mercado parece operar de forma menos intensa na sessão de hoje. Entretanto, os fundamentos ainda continuam positivos, principalmente com a oferta restrita dos Estados Unidos, e ainda são o principal foco dos investidores. 

Além disso, nesta quinta-feira será divulgado o novo relatório de exportações semanais do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e o mercado também aguarda por essas informações. Até a última semana, as vendas de soja do país já passavam de 44 milhões de toneladas frente à última estimativa do departamento de 41,6 milhões. 

Veja como fechou o mercado nesta quarta-feira:

Com frio intenso nos EUA e estoques baixos, soja fecha em alta

A quarta-feira (19) registrou mais uma sessão de boas altas para o mercado da soja na Bolsa de Chicago. Os ganhos no fechamento dos principais contratos foram de 9 a 15 pontos, com o avanço refletindo não só os fundamentos positivos, como também condições adversas de clima para o plantio da próxima safra de grãos dos Estados Unidos, segundo explicaram analistas. 

A primavera que se inicia nesta quinta-feira (20) nos EUA deverá registrar temperaturas abaixo do normal e até mesmo a incidência de neve, caracterizando uma extensão do rigoroso inverno sentido pelo país nesse ano. 

Essas condições climáticas, ocasionadas por uma massa de ar polar, devem ser sentidas com mais intensidade no Meio-Oeste americano, principal região de produção de grãos do país, justamente nesse período onde já se inicia a semeadura do milho em alguns estados. Segundo informações de analistas, estados como Texas e Louisiana já começaram a plantar o milho, porém, os trabalhos seguem em ritmo lento, já que as temperaturas baixas impedem a germinação das sementes.  

No mapa abaixo do site AccuWeather, veja a chegada dessa massa de ar polar ao Meio-Oeste dos Estados Unidos:

Massa de Ar Polar chegando ao Meio-Oeste americano

Segundo explicou Marcos Araújo, analista de mercado da Agrinvest, as últimas previsões meteorológicas já indicam uma continuidade do frio intenso do inverno e deve atingir uma grande parte de Iowa. "Isso dificulta o degelo, o que significa menor umidade no solo, e consequentemente um plantio atrasado tanto para o milho quanto para a soja nos EUA", disse. "E isso fez com que os fundos entrassem na ponta compradora hoje", completou.  

Entre abril e maio, ainda segundo Araújo, as previsões indicam uma clima mais adverso também para as áreas de planície, prejudicando o cultivo do trigo, e também no Oeste do Corn Belt. Já para o leste do Cinturão, a indicação é de condições mais normais, porém, ainda há alguma incerteza. 

Além das novidades sobre o clima, os preços ainda continuam encontrando suporte na preocupante realidade norte-americana de estoques em níveis críticos e a demanda pela soja dos EUA sem dar sinais de desaquecimento. 

"Esse é um ano em que a demanda vai continuar muito forte pela soja dos Estados Unidos, repercute na perspectiva de estoques apertados nos Estados Unidos, o que dá sustentação ao mercado", explica o analista. "Nós temos visto um movimento de migração dos fundos cada vez comprando mais. 

Paralelamente, os investidores também aguardam pelo boletim de estoques trimestrais que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga no próximo dia 31, trazendo os estoques do país em 1º de março deste ano. 

"No ano passado, o USDA divulgou que os estoques eram de 1 bilhão de bushels e nós tivemos o vencimento julho acima dos US$ 16/bushel. Hoje, com essa forte demanda pelo produto americano, nós leva a crer que os estoques possam vir em 900 milhões de bushels, o que daria uma importante sustentação aos preços da soja, motivando novas altas", afirmou Marcos Araújo. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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