Soja mantém fôlego e inicia semana com leves altas na CBOT

Publicado em 07/04/2014 07:42 1713 exibições

A semana começa com pequenas altas para a soja na Bolsa de Chicago. Durante o pregão eletrônico desta segunda-feira (7), os futuros da oleaginosa subiam de 4 a 7,50 pontos nos principais vencimentos. O contrato maio/14 era negociado a US$ 14,77 por bushel. 

A soja mantém seu fôlego da última semana, quando o primeiro contrato acumulou alta de 2,75% na CBOT, e registra mais uma sessão positiva. No entanto, analistas afirmam que esse deverá ser um mês de intensa volatilidade para os preços dos grãos no mercado internacional. 

Nesta quarta-feira (9), o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga seu novo relatório de oferta e demanda e, assim, os olhos do mercado se voltam para essas informações, fazendo com que a postura dos investidores de torne um pouco mais cautelosa nesse momento. 

Além disso, nesta segunda-feira o departamento traz ainda seu boletim de embarques semanais e o primeiro de acompanhamento de safras e condição de lavouras para a safra 2014/15; e na quinta-feira (10), os números das exportações semanais e, caso venham confirmando a manutenção do ritmo forte das vendas norte-americanas podem estimular novas altas diante da falta de produto nos EUA.

Veja como fechou o mercado na última sexta-feira (4):

Soja tem melhores preços na CBOT e fecha semana em alta no Brasil

O mercado internacional da soja registrou uma semana de expressiva volatilidade e fechou o pregão regular desta sexta-feira (4) em campo misto na Bolsa de Chicago. No entanto, as oscilações foram pouco significativas e no encerramento dia foram de menos de 2 pontos. Com exceção do primeiro contrato, maio/14, que fechou com 1,50 ponto de baixa, valendo US$ 14,73 por bushel, as demais posições ficaram em campo positivo. 

Depois das fortes altas registradas pela soja nessa semana, quando a primeira posição chegou a ultrapassar os US$ 14,90, fundos e especuladores optaram por uma realização de lucros, pressionando ligeiramente o mercado. Essa baixa momentânea, no entanto, já vinha sendo esperada pelos analistas, uma vez que os fundos têm carregado um grande número de posições compradas frente ao cenário de fundamentos ainda positivos. 

"Isso é positivo, mas também é perigoso. No momento em que os grandes furos acharem que é hora de sair, teremos realizações de lucros. Porém, eu não acredito em um movimento muito forte, pois os preços não podem cair muito já que não tem soja nos Estados Unidos. (...) Estamos subindo degrau a degrau, nós rompemos os US$ 14,50 há poucos dias", explicou Ênio Fernandes, consultor em agronegócio. 

A escassez de soja nos Estados Unidos, os baixos estoques no país e uma demanda ainda forte pelo produto americano são as informações que ainda se constituem como a principal base de preços altos para a commodity nesse momento, entretanto, já são conhecidas pelo mercado. Dessa forma, Fernandes afirma que as cotações carecem de novos dados, principalmente sobre novas vendas feita pelo país, para estimular novos ganhos. 

"Com preços próximos a US$ 15 temos mais players vendedores atuando, o mercado realiza, se aproxima dos US$ 14,60 e, com isso, há novos players comprando. Assim, o mercado se mantém bem estável, até surgirem novos dados, precisamos de novas vendas nos EUA, para rompermos a barreira dos US$ 15 por bushel", explica o consultor. 

No próximo dia 9, quarta-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga um novo relatório de oferta e demanda e, diante da espera por esses números, as expectativas dos participantes do mercado. Com as vendas de soja do país muito aceleradas, bem como os embarques, a atenção se volta para os estoques do país e também às importações dos EUA, as quais deveriam aumentar, segundo analistas, para que todos os compromissos, sejam com a demanda interna ou externa sejam atendidos. 

Assim, o papel de restringir a demanda continua sendo do mercado, em forma de preços cada vez mais altos, como tentativa de inibir o comprador frente à oleaginosa dos Estados Unidos. "Se o mercado continuar comprando a US$ 14,80 a pergunta seguinte será se ele compra também a US$ 15. Logo o mercado será testado para observar se as vendas norte-americanas conseguem ser restringidas", diz Ênio Fernandes. 

A visão para as cotações da soja, portanto, no curto prazo, é de um mercado ainda fortemente sustentado, com uma menor oferta da América do Sul, além da já conhecida situação norte-americana, e com uma tendência muito forte de romper, logo mais os US$ 15 por bushel. Somente nessa semana, o vencimento maio acumulou um ganho de 2,75% e, no acumulado do ano, a valorização das principais posições é de 13%. 

Mercado Interno - No mercado brasileiro, a semana também foi positiva para os preços da soja. Apesar de uma taxa de câmbio menor e de prêmios negativos nos portos brasileiros, o valor da saca subiu na maior parte das praças de comercialização do país. 

De acordo com um levantamento da Safras & Mercado, em Passo Fundo/RS, o preço subiu de R$ 66,50 para R$ 67; em Cascavel/PR, o aumento foi de R$ 64,50 para R$ 67; em Rondonópolis de R$ 57,50 para R$ 60,00; em Rio Verde/GO, passou de R$ 62 para R$ 63,50 e em Dourados/MS, o valor subiu de R$ 60,00 para R$ 61,50. 

Entretanto, o volume de negócios no país ainda não é muito grande, com os produtores um pouco mais reticientes em efetivar suas vendas nesse momento. As perspectivas iniciais da produção brasileira foram frustradas e as projeções de uma colheita de 90 milhões são, agora, de 85 a 86 milhões de toneladas para a safra 2013/14. 

"A falta de grão e o preço constantemente subindo estão inibindo as vendas por parte do produtor, que está mais receoso para vender. E a situção se repete no milho safrinha", explica o consultor.  

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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