CBOT: Com sessão técnica, soja fecha o dia em campo misto

Publicado em 23/04/2014 17:44 1355 exibições

Os futuros da soja, nesta quarta-feira (23), caminharam de lado durante toda a sessão regular e fecharam o dia em campo misto na Bolsa de Chicago. Os vencimentos maio e julho perderam, respectivamente, 11,25 e 6 pontos, e fecharam o dia cotados a US$ 14,68 e US$ 14,64 por bushel. Por outro lado, o contrato agosto subiu 3,25 pontos, e encerrou o pregão a US$ 14,00, enquanto o setembro fechou valendo US$ 12,85, com alta de 7,25 pontos. 

A justificativa para essa pressão nos vencimentos mais próximos e ganhos nos mais distantes é o movimento chamado de rolagem de posições, segundo explicou Vinícius Ito, analista de mercado da Jefferies Corretora. De acordo com o analista, os fundos de investimento, que têm grande participação no mercado de commodities nesse mês de abril, estão vendendo parte de suas posições em contratos mais curto e recomprando nos mais distantes. 

Paralelamente, ainda entre os movimentos técnicos, os primeiros vencimentos recuam também diante de uma necessidade de correção dos preços depois das últimas e fortes altas que vinham sendo registradas, com a soja chegando a bater nos melhores valores em 10 meses na semana passada. 

Essa volatilidade acentuada sentida pelo mercado agora em abril já vinha sendo antecipada pelos analistas e consultores de mercado, no entanto, a situação do quadro de oferta e demanda preocupante nos Estados Unidos mantém uma base de sustentação para os preços. Há escassez de produto no país frente á uma demanda ainda forte pela commodity. Nesta quinta-feira (24), o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) atualiza seus números de exportações, os quais já indicam, para o acumulado do ano safra, mais de 44 milhões de toneladas contra a última projeção do órgão de 43 milhões de toneladas. 

Com isso, fica cada vez mais evidente a necessidade das importações de soja pelos Estados Unidos e já há a confirmação de cerca de três navios sendo direcionados da América do Sul para os Estados Unidos. Esse número, porém, pode chegar a 15, o que daria em torno de 900 mil toneladas, contra a projeção do USDA de importações de 1,77 milhão de toneladas. O momento, ainda segundo Vinícius Ito, é favorável para as importações, uma vez que os prêmios norte-americanos estão 70 centavos de dólar acima dos preços praticado em Chicago enquanto no Brasil estão entre 40 e 50 centavos abaixo. 

Porém, apesar dessas compras norte-americanas estarem se confirmando, os volumes já comprometidos são insuficientes para suprir o atual déficit de soja dos Estados Unidos. "Há de 2 a 4 navios confirmados, mas o governo norte-americano já está trabalhando com a necessidade de importação de soja de quase 2 milhões de toneladas para o ano comercial, ou seja, ainda não dá pra dizer que a situação esteja aliviada nos EUA até o final da temporada". 

Outra informação que chegou ao mercado foi a de que  China estaria bem abastecida nesse momento e, assim, faria um leilão de 3 milhões de toneladas de seus estoques de soja para o mercado interno chinês, com o objetivo ainda de valorizar o produtor local. Segundo o analista, essa é uma prática comum e usual na nação asiática. "Esses leilões a China faz sempre, é até uma estratégia de suporte para os produtores locais. Mas, nesse atual momento, uma notícia como essa acaba influenciando o mercado de uma forma negativa".   

Milho: Diante da previsão de chuvas nos EUA, preços fecham pregão em alta em Chicago

Por Fernanda Custódio

Pelo segundo dia consecutivo, as cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) encerraram o pregão desta quarta-feira (23) do lado positivo da tabela. Ao longo das negociações, os preços futuros ampliaram os ganhos e fecharam a sessão com altas entre 7,25 e 8,75 pontos. As principais posições da commodity recuperaram o patamar de US$ 5,00 por bushel e o vencimento maio/14 era cotado a US$ 5,03 por bushel.

Os preços futuros da commodity encontram sustentação nas previsões climáticas para os Estados Unidos. Nesta quarta-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou que nos próximos cinco dias, três sistemas de tempestades deverão chegar ao país.

Já as informações do site internacional de meteorologia, AccuWeather, importantes estados produtores do Corn Belt, como Iowa e Illinois, a previsão é de chuvas até o dia 29 de abril. As temperaturas também deverão ficar entre 10 a 15 graus abaixo do normal para essa época do ano. 

Frente a esse cenário, a expectativa dos participantes do mercado é que haja um atraso na semeadura do grão norte-americano. Segundo a última estimativa do departamento, a área cultivada com milho nos EUA alcançou o nível de 6% até o dia 20 de abril, contra a média dos últimos cinco anos, de 14%.

De acordo com o analista de mercado da Jefferies Corretora, Vinicius Ito, o plantio do milho nos EUA já está atrasado. "E esse potencial atraso ajuda a sustentar os preços do cereal em Chicago. Caso as condições climáticas continuem desfavoráveis, é possível que o grão perca mais área para a cultura da soja", afirma.

Ainda segundo informações dos analistas, os fundamentos de oferta e demanda também são positivos ao mercado de milho. Diante da redução na área cultivada na safra 2014/15, as vendas semanais de milho norte-americano permanecem elevadas e na última segunda-feira, o USDA reportou as vendas em 1.599 milhão de toneladas. 

Até o momento, no acumulado no ano safra, os EUA já venderam cerca de 42.567,3 milhões de toneladas de milho. E a estimativa do departamento norte-americano é de 44.450,0 milhões de toneladas. 

Mercado interno

No mercado interno brasileiro, o cenário segue inalterado. Apesar das cotações mais altas do que as registradas na safra anterior, os produtores seguem reticentes na comercialização do produto, tanto para a safra de verão, quanto para a safrinha. 

Para a safra de verão, a incerteza é em relação a quebra observada em importantes estados produtores, como São Paulo e Minas Gerais, devido à ausência de chuvas  altas temperaturas, principalmente nos meses de dezembro e janeiro. Além disso, é preciso considerar que o cereal perdeu espaço para a soja na safra verão, em função da diferença de preços entre as duas culturas.

Cenário que também se repetiu na safrinha de milho em importantes regiões produtoras do país. No Mato Grosso, grande estado produtor do cereal, os produtores finalizaram o plantio na última semana de março, um mês após o encerramento da janela ideal de semeadura, conforme informou o Imea (Instituto Mato-grossense de Agropecuária).

A preocupação é com a incidência de chuvas, principalmente no início do plantio, que podem prejudicar o desenvolvimento nos próximos três meses. Entretanto, as perdas podem ocorrer devido à escassez de precipitações, cenário observado atualmente no estado. Com isso, a expectativa é que a produtividade média das lavouras seja de 85,4 sacas por hectare no MT. 

No Paraná, o Deral (Departamento de Economia Rural) informou que cerca de 92% das lavouras da safrinha apresentam boas condições. Entretanto, parte da safra foi cultivada fora da janela ideal e há a possibilidade de geadas mais adiante em algumas regiões produtoras. A comercialização da produção permanece estável, em 2%.

Já no Mato Grosso do Sul, a área destinada ao plantio do cereal foi de 1,5 milhão de hectares, mesma do ano anterior. Mas, a Aprosoja MS já alerta sobre o avanço do percevejo barriga verde e marrom nas lavouras de milho safrinha. Em contrapartida, a tendência é que haja uma redução no rendimento das lavouras, decorrente da redução nos investimentos em tecnologia, em função dos baixos preços do grão registrados ano passado.

Outro fator que também pode influenciar em uma redução na produtividade é o plantio do milho fora da janela ideal. Cerca de 20% da área foi cultivada fora desse período, áreas que estão mais expostas as intempéries climáticas, principalmente geadas.

O consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, afirma que o produtor de safrinha de milho ainda terá boas oportunidades para negociar o produto. “Tudo o que colher será bem valorizado e a frente poderemos ter cotações melhores do que as atuais. Por enquanto, o produtor está cauteloso, pois não tem segurança do que irá colher. Temos muito milho contratado para exportação e talvez no final do ano poderemos buscar o grão no Paraguai ou em outros lugares, para atender a demanda interna. Talvez não tenhamos milho para o mercado interno na virada do ano”, diz. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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