Cultura da soja se firma como alternativa rentável para áreas de várzea no RS

Publicado em 25/04/2014 11:46 1497 exibições

Desde a década de 1980, José Augusto Bezerra Neto semeia soja em solos de várzea no município de Camaquã, no sul do Rio Grande do Sul, a fim de realizar a rotação de culturas em uma região dominada pelas lavouras de arroz. O agricultor conta que, na época, o cultivo não prosperou em função do alto risco de perda por inundação. “O manejo deixava a desejar, já que os drenos comunitários eram mal dimensionados”, afirma.

O excesso de chuva ainda ameaça o cultivo na região. A diferença é que agora os produtores estão dominando as técnicas de manejo e descobrindo as vantagens da utilização da soja em rotação com o arroz.

A cada safra, aumenta a área de várzea destinada ao cultivo de soja, e a oleaginosa vem se firmando como uma opção viável e rentável para os produtores da metade sul do estado. De acordo com dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), a soja ocupou 302.579 hectares de várzea no RS na safra 2013/2014.

Segundo José Augusto Bezerra Neto, a várzea apresenta um bom potencial para a produção de soja. Entretanto, é preciso tomar alguns cuidados para minimizar os riscos de perda e garantir uma boa produtividade. O principal fator apontado por Bezerra é referente ao excesso de umidade.

Os cuidados com o solo também são importantes. Evitar o revolvimento, realizar adubação verde e deixá-lo coberto durante o inverno são algumas atitudes que resultam em solo aerado e nutrido, evitando a compactação. Com isso, o agricultor garante boas condições para o desenvolvimento do sistema radicular da soja em um solo com pouca profundidade.

Na safra 2013/2014, as condições climáticas favoreceram a produção de soja na várzea. Por isso, agricultores que vem realizando um manejo adequado, como José Augusto Bezerra Neto, tiveram bons resultados.

Bezerra destinou 150 hectares de várzea para a cultivar de soja FPS Júpiter RR e ficou muito satisfeito com o resultado. A produção obtida foi de 80,5 sacos por hectare. “FPS Júpiter RR apresenta bom porte e arquitetura de planta, permitindo uma boa penetração de inseticidas e fungicidas”, afirma o agricultor de Camaquã.

De acordo com o coordenador da unidade de cultivos de verão da Fundação Pró-Sementes, Victor Sommer, FPS Júpiter RR é testada há 5 anos em áreas de várzea e vem apresentando bons resultados repetidamente. “Trata-se de uma cultivar resistente à Fitóftora, doença comum em solos encharcados. Além disso, a planta apresenta altura mediana e é resistente ao acamamento”, explica Sommer. De acordo com o pesquisador da Pró-Sementes, FPS Júpiter RR possui uma ampla adaptação, destacando-se tanto em áreas com problema de drenagem quanto em regiões que não possuem este característica, como coxilhas. A cultivar pertence ao grupo de maturidade 5.9, apresenta hábito de crescimento indeterminado e é licenciada exclusivamente pela Fundação Pró-Sementes.

Outra boa opção para estas áreas, segundo Sommer, é a cultivar de soja FPS Urano RR. Também licenciada pela Fundação Pró-Sementes, o material tem hábito de crescimento determinado e grupo de maturidade 6.2. Ele recomenda que o agricultor inicie com a semeadura da FPS Júpiter RR em meados de outubro e plante a FPS Urano RR a partir de início de novembro.

“Se não fizermos rotação, a cultura do arroz desaparece”, alerta José Augusto Bezerra Neto. Neste contexto, a soja surge como a melhor alternativa para a rotação em solos de várzea. Entre as vantagens deste sistema, Victor Sommer cita a melhoria da produtividade do arroz após o cultivo de soja RR e a boa liquidez da oleaginosa. “Através do uso do glifosato nas lavouras de soja RR, constata-se uma redução drástica dos níveis de infestação de plantas invasoras na cultura do arroz subsequente”, informa o engenheiro agrônomo da Fundação Pró-Sementes.

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Fundação Pró Sementes

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