CBOT: Soja mantém foco na demanda e volta a subir nesta quarta-feira

Publicado em 28/05/2014 07:36 2301 exibições

Depois da forte realização de lucros registrada ontem, os futuros da soja voltaram a subir nesta quarta-feira. No pregão eletrônico da Bolsa de Chicago, os principais vencimentos operavam com ganhos entre 7,25 e 9 pontos, com o contrato julho tentando retomar o patamar dos US$ 15 por bushel. 

Segundo explicam analistas, apesar de os fundamentos muito positivos já serem conhecidos pelos investidores e o mercado precisar de novas informações para consolidar novos ganhos, ainda é papel desse mercado o de racionar a demanda pelo produto norte-americano. 

Há uma severa escassez de produto nos Estados Unidos, porém, ainda assim, continuam sendo registradas novas vendas da safra 2013/14 no país. Assim, somente cotações mais altas poderiam segurar um pouco o consumo. Entretanto, mesmo alcançando os melhores níveis em 11 meses, a demanda pela commodity segue aquecida. 

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:

Em Chicago, soja perde quase 30 pontos e fecha 3ª feira no vermelho

Com um movimento intenso de realização de lucros e um clima favorável à nova safra dos Estados Unidos, o mercado da soja operou em queda nesta terça-feira (27) e fechou o pregão regular com quase 30 pontos de baixas nos principais vencimentos. O primeiro vencimento, julho/14, encerrou o dia valendo US$ 14,88 por bushel, e o setembro terminou o dia cotado a US$ 12,91. 

Os futuros da oleaginosa trabalharam com expressivo recuo durante toda essa primeira sessão da semana, após o feriado do Memorial Day comemorado nos Estados Unidos nesta segunda (26). O mercado, de acordo com analistas, passou por uma forte correção técnica depois de ter retomado bons patamares de preços nas últimas duas semanas. 

Apesar de fundamentos ainda muito positivos, os negócios já carecem de novas informações para poderem se consolidar em patamares mais altos do que estes, com uma resistência próxima dos US$ 15,30 por bushel para o contrato julho. A situação de oferta e demanda extremamente ajustada já é conhecida pelos investidores que, depois das últimas altas, optaram por realizar parte de seus lucros. 

"Uma combinação de esmagamento forte e ainda vendas novas registradas nos Estados Unidos garantiu a retomada dos preços, com o contrato julho testando os US$ 15,30 na última quinta-feira (22). E começamos essa semana com um avanço de plantio da nova safra dos Estados Unidos", explica Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest.

USDA - Boletim de Embarques Semanais dos EUA

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou seu novo relatório de embarques referentes à semana que terminou no dia 22 de maio nesta terça (27). Os embarques semanais de soja ficaram em 89,269 mil toneladas. Apesar de ser um volume alto, veio menor em relação ao da semana anterior, que foi de 175,814 mil toneladas da semana anterior. Nesse mesmo período do ano passado, os embarques somaram 94,246 mil toneladas. 

No acumulado do ano safra, os Estados Unidos já embarcaram um total de 41.959,704 milhões de toneladas, contra 34.382,171 milhões da safra anterior. A estimativa do USDA para o volume de exportação de soja para este ciclo, que só se encerra em agosto, é de 43,5 milhões de toneladas. 

Safra 2014/15

Além das informações sobre oferta e demanda, analistas acreditam que os investidores observaram nessa sessão de forte queda o comportamento do clima nos Estados Unidos e as expectativas para o avanço do plantio da nova safra nos Estados Unidos. 

Para um período dos próximos 6 a 15 dias, as previsões indicam boas condições climáticas para os trabalhos de campo. São esperadas boas chuvas, regulares, e ainda temperaturas adequadas, que permitirão o bom avanço da semeadura tanto da soja quanto do milho no Meio-Oeste americano, principal região produtora de grãos do país, além do bom desenvolvimento da área já plantada.

De acordo com Marcos Araújo, analista da Agrinvest, o mercado acredita que os números para o plantio da soja deverão fica entre 55% e 60% frente aos 33% da semana passada no boletim de acompanhamento de safras que o USDA divulga no final da tarde desta terça-feira. Para o milho, a expectativa é de algo entre 85% e 90%, contra 73% da última semana.

"Essas expectativas, aliadas a uma queda do farelo de soja na bolsa China motivaram esse movimento de baixa, tido também como um movimento de realização de lucros", explica Araújo.   

Bom momento no mercado interno

Para Araújo, esse é um bom momento no mercado interno com os picos de preços que o mercado internacional vem apresentando. "É oportunidade o produtor encarar como venda esses momentos, a alta do dólar beneficia o preço em reais por saca. Com um dólar futuro, para o final de março, de R$ 2,42 proporciona soja no MS acima dos R$ 53,00 por saca; no norte do MT acima de R$ 46,00; então, eu acredito que esse seja um momento de venda", explica Araújo. 

Paralelamente, o analista afirma ainda que os gráficos mostram que, no curto prazo, há um movimento comprado com esse clima bom nos Estados Unidos e, adiante, liquidação por parte dos fundos. Além disso, há ainda dados econômicos dos Estados Unidos melhores, que devem estimular um alta da moeda norte-americana, o que repercute negativamente sobre as commodities, mas que pode favorecer o produtor brasileiro. 

"De curto prazo, portanto, é momento de venda, a não ser que o cenário mude com alguma mudança climática ou um efeito surpresa que possa estimular novas altas", completa o analista. 

Para Eduardo Vanin, o momento não é favorável somente para as vendas da safra velha do Brasil, como também um momento importante para o produtor brasileiro começar a travar alguns volumes de soja da temporada 2014/15. "Eu acredito que o ritmo ainda está bastante abaixo do normal. Mas, sendo ajudado por um dólar mais alto, para o ano que vem, a conta em reais está muito atraente e eu recomendo mais vendas", afirma o analista.   

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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