CBOT: Soja continua movimento negativo e tem ligeira baixa nesta 2ª

Publicado em 02/06/2014 07:53 e atualizado em 02/06/2014 09:49 1881 exibições

A semana começa com os preços da soja em baixa na Bolsa de Chicago. O mercado dá continuidade ao movimento negativo registrado na última sexta-feira (30) e opera com ligeira baixa na manhã de hoje. Por volta da 7h50 (horário de Brasília, as cotações recuavam entre 4,50 e 7,75 pontos, com o julho/14 valendo US$ 14,88 por bushel. 

Os futuros da oleaginosa, principalmente os de mais longo prazo, são pressionados pela boa evolução do plantio da safra 2014/15 dos Estados Unidos. E nesta segunda (2), o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) atualiza os números sobre os trabalhos de campo no final do dia e o mercado deverá atuar frente às expectativas. 

No entanto, no curto prazo os preços seguem sustentados pela situação de ajuste nos EUA com os estoques apertados  e uma demanda ainda forte pelo produto norte-americano. O departamento também informa hoje os embarques semanais, que, no acumulado do ano, já somam quase 42 milhões de toneladas frente à última estimativa do USDA para toda a temporada de 43,5 milhões de toneladas. 

Veja como fechou o mercado na última sexta-feira:

Soja fecha semana em baixa, com pressão maior no longo prazo

Na sessão desta sexta-feira (30), os futuros da soja fecharam os negócios em queda na Bolsa de Chicago. Os contratos de mais longo prazo encerraram o dia com quedas de dois dígitos, enquanto a perda nos vencimentos mais próximos foram mais moderadas. O julho/14, posição mais negociada nesse momento, fechou cotado a US$ 14,93, recuando 5,75 pontos, enquanto o novembro/14, referência para a nova safra dos Estados Unidos, ficou em US$ 12,31/bushel, com queda de 13,20 pontos. 

Curto Prazo

Apesar da baixa registrada nesta sexta, no curto prazo, o mercado mantém sua tendência positiva baseada nos fundamentos. Os últimos números mostram que a demanda permanece muito presente e firme, ajustando ainda mais os estoques já historicamente baixos dos Estados Unidos.

De acordo com o boletim de vendas para exportação do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), divulgado nesta sexta-feira (30), o volume de soja da safra 2013/14 comprometido até esse momento se aproxima de 45 milhões de toneladas, contra a estimativa do órgão de 43,5 milhões de toneladas. Só da semana de 16 a 22 de maio, as vendas norte-americanas somaram 60,3 mil toneladas da oleaginosa. 

"Até agosto temos uma tendência de preços relativamente sólidos para Chicago, justamente por conta dessa demanda. Os estoques americanos estão em patamares mínimos históricos e a semana foi marcada por esse quadro no cenário da safra velha", afirma o consultor em agronegócio Flávio França. 

Dessa forma, o mercado não conta com muito espaço para recuar e ainda tem o papel de racionar a demanda frente a essa severa escassez de produto, o que deve consolidar ainda mais o suporte aos preços. "O preço não tem como baixar muito no mercado físico (dos EUA) diante desse aperto nos estoques americanos", explica o consultor. 

Safra 2014/15

As baixas dos vencimentos mais distantes, principalmente aos que se referem à nova safra dos Estados Unidos, foram de dois dígitos nesta sexta-feira e refletem, segundo analistas, essas expectativas de uma produção recorde no país, além de um bom ritmo na evolução do plantio. 

Até esse momento, o Meio-Oeste americano, principal região produtora de grãos do país, tem estado sob condições de clima favorável e a previsão indica que esse cenário deve se estender pelos próximos 15 dias. Com isso, o índice de área plantada com soja neste ano já supera a média histórica dos últimos cinco anos - de 41% - e chegou, até o último domingo (25), a 59%. 

Assim, a pressão sazonal, típica para esse período do ano, já começa a respingar sobre o andamento dos negócios em Chicago e a limitar o potencial de alta das cotações. No entanto, ainda segundo analistas, qualquer ameaça climática já causa uma certa preocupação entre os investidores e importadores, que podem querer garantir com antecedência seu produto. 

Sinalizando essa contínua força da demanda, no boletim do USDA, as vendas semanais de soja da safra 2014/15 foi reportada em 821,1 mil toneladas. Além disso, nessa semana foram registradas novas vendas de volumes também para as Filipinas e China, o que mostra que a nova safra dos Estados Unidos também já está bem vendida e chega em um momento em que a necessidade de reposição dos estoques é primordial.

"Essa safra deve trazer um grande alívio para o quadro de oferta norte-americana, porém, não resolve a situação dos estoques norte-americanos. Em uma hipótese de safra cheia, as expectativas são de que os estoques devem pular de algo entre 8 e 9 milhões de toneladas, contra 3,5 milhões dessa temporada. Mas esse volume, embora seja melhor e possa trazer uma pressão aos preços, não tem força para derrubar os preços de maneira muito efetiva", acredita Flávio França. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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