Em Chicago, soja aguarda pelos números do USDA e fecha em alta

Publicado em 10/06/2014 17:35 1626 exibições

Nesta terça-feira (10), a soja conseguiu se manter do lado positivo da tabela e fechou o pregão regular com leves altas na Bolsa de Chicago. Os contratos mais negociados terminou o dia com ganhos entre 0,75 e 6 pontos. O vencimento julho/14 fechou cotado a US$ 14,62 por bushel, com alta de 5,50 pontos. 

Segundo análises técnicas, o mercado internacional da soja se mostra bastante lateralizado, ou seja, não conta com uma tendência muito bem definida nesse momento. A primeira posição - julho - trabalha em um intervalo que varia de US$ 14,40 a US$ 15,30 por bushel, sendo esses os patamares de suporte e resistência, respectivamente. 

Diante disso, a atenção, portanto, deve se voltar ao rompimento de um desses dois valores, já que é esse movimento que pode desencadear quedas mais acentuadas ou estimular novas e consistentes altas. No caso positivo, Antônio Domiciano, analista da SmartQuant Fundos de Investimento, explica que é preciso o mercado superar os US$ 15,30 e se consolidar acima desse valor para caracterizar esse movimento mais positivo para as cotações. 

Novo boletim do USDA

Além desse quadro técnico, as expectativas para o novo relatório mensal de oferta e demanda que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga nesta quarta-feira (11). "Em um dia pré-relatório, os players operam diminuindo suas posições na bolsa", explica Marcos Araújo, analista de mercado da Agrinvest. 

Como explica Araújo, o mercado espera uma leve baixa de 80 mil toneladas nos estoques finais de soja dos Estados Unidos, os quais deverão passar de 3,54 milhões para 3,46 milhões de toneladas. "O mercado segue apreensivo e espera volatilidade para esta quarta-feira", completa. 

Para os estoques da safra da 2014/15, a expectativa é de que recuem de 8,98 milhões para 8,76 milhões de toneladas. Já sobre a produção da nova safra, espera-se um número próximo de 98,71 milhões de toneladas, contra o estimado em maio de 98,93 milhões de toneladas. 

Sobre os estoques mundiais, as expectativas do mercado são de que, para a safra 2014/15, o número suba, ligeiramente, de 82,2 milhões para 82,5 milhões de toneladas. Já para a temporada atual, o número pode recuar levemente, passando de 67 milhões de 66,8 milhões de toneladas.

Ainda segundo Marcos Araújo, os futuros da soja não devem cair muito nos próximos dias já que o cenário de estoques apertados nos Estados Unidos continua, bem como positivas margens de esmagamento no país, ambos os fatores ainda dando suporte às cotações em Chicago. "No entanto, uma alta muito superior à resistência dos US$ 15,30 também é pouco provável porque esse patamar viabiliza as importações que são necessárias para atender a demanda interna americana e faz com que haja esse estoques de transição até a entrada da nova safra dos Estados Unidos", afirma o analista. 

Produtores americanos esperam fim do rally de preços

Uma matéria da agência internacional Bloomberg mostrou a opinião dos produtores norte-americanos sobre o comportamento dos preços da soja no mercado de Chicago e eles não acreditam na continuidade do rally. 

Bob Worth, sojicultor de Minnesota, já vendeu a maior parte de sua produção apostando que a maior escalada das cotações em cinco anos está próxima de acabar. Com preços 19% maiores já registrados neste ano, Worth comercializou 75% de sua produção que será colhida a partir de setembro e garantindo preços também metade da colheita de 2015. 

Mercado interno e comportamento do dólar

Os negócios com soja no mercado interno têm se mostrado menos aquecidos dada a menor cotação em Chicago e de uma menor taxa de câmbio. Nesta terça-feira (10), o dólar caiu pela quarta sessão consecutiva, voltando a operar dentro da banda dos R$ 2,20. A baixa foi de 0,13% e a moeda norte-americana terminou o dia cotada R$ 2,22. 

Desde o início de abril, conforme explicou Antônio Domiciano, o dólar trabalha entre R$ 2,20 e R$ 2,30 e também não mostra uma tendência definida, como mostra uma análise técnica, porém, tem uma força de queda. "O produtor precisa saber que se o dólar cair abaixo dos R$ 2,20, os agentes financeiros estarão muito atentos a isso e há possibilidade de quedas maiores. Do lado oposto, se conseguir ficar acima dos R$ 2,30, novamente deve aparecer uma tendência de compra e isso deve levá-lo para patamares superiores, entre R$ 2,30 e R$ 2,40". 

Veja como fechou também o mercado do milho:

Milho: À espera do relatório do USDA, mercado fecha em queda pelo segundo dia consecutivo

Pelo segundo dia consecutivo, as cotações futuras do milho fecharam o pregão na Bolsa de Chicago (CBOT) do lado negativo da tabela. Ao longo das negociações, os preços do cereal reverteram os ganhos e encerraram o dia om perdas entre 4,25 e 6,25 pontos. O contrato julho/14 recuou cerca de 1,2% e terminou a sessão cotado a US$ 4,45 por bushel.

Nos últimos pregões, o mercado tem sido pressionado pelas boas condições das lavouras norte-americanas. Segundo relatório de acompanhamento de safras do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), divulgado nesta segunda-feira, o plantio do cereal já foi finalizado no país e 75% das lavouras estão em boas ou excelentes condições, número m linha com o esperado pelos participantes do mercado.

Cerca de 21% das lavouras estão em situação regular e 4% estão em condições ruins ou muito ruins. Até o último domingo (8), em torno de 92% das lavouras já haviam emergido, contra 83% registrado no mesmo período do ano passado e a média dos últimos cinco anos, de 90%. 

De acordo com o analista de mercado da Agrinvest, Marcos Araújo, as previsões climáticas para o país, a médio e longo prazo são favoráveis ao desenvolvimento da cultura. "Consequentemente, a expectativa é que a safra norte-americana seja recorde nesta temporada 2014/15", afirma.

A projeção do USDA para a safra de milho norte-americana é de 353,97 milhões de toneladas, conforme boletim do mês de maio. Alguns analistas acreditam que o número deverá ser mantido no novo relatório de oferta e demanda que será divulgado nesta quarta-feira pelo departamento.

Entretanto, uma pesquisa realizada pela Bloomberg News e reportada na última semana, a produção de milho deverá totalizar 354,07 milhões de toneladas na safra 2014/15. E com a previsão de clima favorável, investidores apostam em um aumento na projeção da produtividade das lavouras norte-americanas, de 174,95 sacas por hectare, para 175,7 sacas por hectare.

Do mesmo modo, os estoques finais da safra 2014/15, estimados em 43,84 milhões de toneladas pelo USDA, deverão apresentar um ajuste para cima, para 44,35 milhões de toneladas, segundo expectativa do mercado. Os estoques da safra 2013/14, poderão registrar um aumento de 29,11 para 29,39 milhões de toneladas.

Ainda na visão do analista de mercado, a proibição da importação do DDGs norte-americano, por parte da China também repercute negativamente nas cotações futuras do cereal e faz com que a demanda se direcione para o farelo de soja. A medida foi adotada, pois o governo da China considera o DDGS de alto risco de conter o MIR 162, uma cepa geneticamente modificada de milho não aprovada pela nação asiática.

As análises gráficas também apontam para um movimento de queda nos preços do cereal, iniciado em maio. Para o analista de mercado da Smartquant Fundos Investimentos, Antônio Domiciano, o produtor rural deve estar atento, pois a tendência para o mês de maio e junho é de queda. “Se as cotações romperem o patamar de US$ 4,40 por bushel tende a cair mais 10% e retornar ao nível de US$ 4,00 por bushel. Ainda assim, as cotações podem esboçar uma reação, mas não deve ser robusta, pois a tendência é de queda”, explica Domiciano. 

BMF&Bovespa

Os futuros do milho negociados na BMF&Bovespa operam do lado negativo da tabela no pregão desta terça-feira. O vencimento julho/14 era cotado a R$ 25,75 por bushel. Entre 2 e 9 de junho, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa, referente à região de Campinas (SP), caiu 2,6%, fechando a R$ 27,03/saca de 60 kg, segundo informações do Cepea.

A queda nos preços é decorrente da baixa liquidez interna e do bom desenvolvimento das lavouras de milho safrinha tanto no Brasil, quanto nos EUA. Nesta terça-feira, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a safra brasileira de milho, entre primeira e segunda safra, deverá totalizar 77,9 milhões de toneladas, um aumento de 3,6% em relação à última projeção. 

“A situação do Brasil é mais complicada, pois vendemos pouco milho para exportação de forma antecipada. Agora com queda na Bolsa de Chicago, e valorização do real, os preços nos portos, entre R$ 26,20 e R$ 26,50, a conta brasileira é interna, o preço no porto menos o frete é o que vamos praticar no mercado interno nos próximos 120 dias. Precisamos embarcar entre janeiro e julho, cerca de 2,5 milhões de toneladas, para fechar em 20 milhões e toneladas no ano”, diz o analista de mercado da Safras & Mercado, Paulo Molinari. 

O analista da Agrinvest, Marcos Araújo, explica que se o frete de R$ 320,00 para a região Norte de MT, os preços do cereal ficam abaixo de R$ 8 a saca para exportação. “O milho brasileiro está US$ 16 mais caro que o produto norte-americano”, diz Araújo. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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