Em Chicago, soja tenta recuperar o fôlego e opera com leve alta

Publicado em 16/07/2014 07:33 2173 exibições

Na manhã desta quarta-feira (16), os preços da soja operam em campo positivo na Bolsa de Chicago. O mercado tenta, mais uma vez, se recuperar das baixas de ontem, no entanto, apresenta uma certa volatilidade nos negócios nessa semana, dias depois da divulgação do último boletim de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Por volta das 7h30 (horário de Brasília), no pregão eletrônico, os principais vencimentos subiam entre 7,50 e 9,50 pontos, com o contrato novembro/14, referência para a safra norte-americana, valendo US$ 10,95 por bushel. Segundo analistas, os investidores se voltam aos indicadores técnicos para voltar a subir, mesmo que em um ritmo menor do que foram registradas as últimas e severas baixas. 

A nova safra dos Estados Unidos caminha bem, tem a melhor classificação das lavouras desde 1994 e a produtividade estimada deve ser recorde e superar as 51 sacas por hectare. Assim, espera-se uma colheita de mais de 103 milhões de toneladas. E são esses números que o mercado vem tentando absorver desde a última sexta-feira (11), buscando a consolidação de um novo patamar de negócios. 

Ontem, o contrato novembro, que é o mais negociado nesse momento, fechou o dia estável, sem variação e, para o analista de mercado Glauco Monte, da FCStone, "essa pode ser uma consolidação do contrato. A tendência é de que essa posição seja bastante operada agora, por ser referência e base de preço para o produtor americano". 

A comercialização no mercado americano, e também no brasileiro, no etanto, caminha em um ritmo bastante lento e os produtores dos EUA seguem mais retraídos em suas vendas. "É claro que, uma hora, se esses preços não voltarem, há uma safra americana para entrar e pesar um pouco sobre o mercado. Mas, por enquanto, os produtores não estão muito incentivados a vender", completa Monte. 

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:

Soja fecha mais um dia em queda com foco na nova safra dos EUA

O mercado internacional da soja registrou mais uma sessão negativa nesta terça-feira (15) na Bolsa de Chicago. Os futuros da oleaginosa recuaram frente às boas condições da nova safra norte-americana, porém, no encerramento do pregão, o que se observou foi uma falta de direcionamento bem definido para as cotações. O contrato agosto/14 fechou o dia valendo US$ 11,80 por bushel, recuando 3,75 pontos; o setembro ficou em US$ 11,04, perdendo 3,75 pontos. 

O contrato novembro/14, referência para a safra norte-americana e a posição mais negociada nesse momento, ficou em US$ 10,86/bushel, sem variação. O dia terminou com mais de 100 mil contratos sendo negociados nesse vencimento. 

De acordo com números do último boletim de acompanhamento de safras divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) 72% das lavouras de soja do país estão em boas ou excelentes condições, configurando a melhor classificação para os campos norte-americanos desde 1994. A área de plantio estimada pelo órgão para esta temporada 2014/15 é de mais de 34 milhões de hectares. 

Com essas informações, as expectativas de que os Estados Unidos colherão uma grande safra seguem se fortalecendo. Paralelamente, as condições de clima também são muito favoráveis e complementam o cenário muito positivo para a colheita norte-americana. 

Até o final de agosto, período em que o clima é determinante para a efetivação da fase de enchimento dos grãos nos Estados Unidos, o tempo deverá ficar dentro da normalidade, com temperaturas amenas, adequadas e chuvas dentro do normal, segundo explicou o analista de mercado Eduardo Vanin, da Agrinvest. "A não ser que algo mude em termos de clima, os Estados Unidos caminham para uma produtividade recorde" diz. O USDA estimou o rendimento em mais de 51 sacas por hectare. 

Impactos da Demanda

Preços mais baixos, no entanto, podem atrair um movimento mais expressivo da demanda mundial por soja e criar um suporte, ou amenizar as perdas que podem ser sentidas em Chicago a medida em que a nova safra dos Estados Unidos vai se concretizando. 

"A demanda começa a aparecer daqui a pouco de forma mais significativa, pois o foco agora está todo no oferta. Mas, a medida que os números da oferta sejam absorvidos e embutidos nos preços, nós começamos a focar um pouco mais sobre a demanda e com isso eles voltam a dar algum suporte ao preços", explica Steve Cachia, analista de mercado da Cerealpar. "Não digo que voltaremos aos patamares de 2012, 2013, mas acredito que podemos parar de cair com a intensidade que vimos recentemente. A queda foi dramática, mas há um potencial de recuperação mais a frente", completa. 

Margens de Esmagamento

Porém, Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest, lembra da importância de se observar as margens de esmagamento, principalmente em países importadores, para que se entenda a força que essa demanda tem e pode registrar mais adiante, inclusive frente a esse novo quadro de oferta global. Afinal, não é esperado um crescimento só na safra norte-americana, mas também na produção mundial. O USDA estima que a safra 2014/15 de soja some 304,79 milhões de toneladas, com estoques finais na casa das 85 milhões. Na temporada anterior, esses números foram de 283,79 milhões e 67,17 milhões, respectivamente. 

A Associação Nacional dos Processadores de Óleos Vegetais (NOPA) reportou, nesta terça-feira (15), seu boletim mensal sobre o esmagamento de soja nos Estados Unidos. A instituição informou que, em junho, foram processadas 3,23 milhões de toneladas da oleaginosa. O número ficou ligeiramente abaixo do registrado em maio deste ano, quando foram esmagadas 3,51 milhões de toneladas.

Nesse momento, nos Estados Unidos, a margem é boa, o que vem garantindo o esmagamento no país e deve estimular as indústrias a registrarem um nível mais elevado no próximo ano. Já no Brasil, em contrapartida, a situação não é tão favorável, com os produtores segurando a oferta, impedindo que as indústrias possam alongar sua programação. 

Na China, por enquanto, a margem é negativa. "A China tem uma posição, nos Estados Unidos, para a safra nova, de quatro milhões de toneladas a menos do que foi registrado na mesma época do ano passado, reflexo das margens ruins no país", explica o Eduardo Vanina. Segundo o analista, esse quadro se dá por conta dos elevados estoques de soja nos portos chineses - que passa de 7 milhões de toneladas, contra algo entre 4 e 5 milhões no anterior - e os elevados estoques comerciais de farelo na nação asiática, os quais também estão acima da média. 

As margens da suinocultura, que é o maior consumidor de ração na China, também vêm negativas e contribuem para esse quadro. Além disso, o país ainda sofre com os abates sanitários de aves ocorridos em 2012 e 2013 também. "Isso vem colaborando por uma demanda por farelo na China aquém do que necessário para diminuir os estoques de farelo e também de soja em grão no país", explica. 

Apesar disso, o USDA anunciou, nesta terça-feira, a venda de mais 120 mil toneladas de soja da safra 2014/15 para a China. "A gente espera que a demanda volte, mas isso depende também do comportamento do farelo e do óleo, que é o que compõe, no final das contas, as margens de esmagamento", completa.   

Tags:
Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

0 comentário