Soja foca bom momento da demanda e fecha com mais de 20 pts de alta

Publicado em 04/08/2014 16:15 e atualizado em 04/08/2014 17:37 2970 exibições

O mercado internacional da soja fechou a sessão desta segunda-feira (4) com altas de mais de 20 pontos na Bolsa de Chicago. Os futuros da oleaginosa operaram durante todo o pregão do lado positivo da tabela, registrando uma alta expressiva, depois do recuo dos últimos dias. Assim, o vencimento novembro, referência para a safra norte-americana, fechou o dia valendo US$ 10,79 por bushel. 

As altas refletiram, segundo analistas, as boas notícias vindas da demanda e algumas preocupações com o quadro climático nos Estados Unidos, em especial no Meio-Oeste, principal região produtora de grãos do país. "As chuvas do final de semana decepcionaram um pouco e assim, essas novas vendas deram um estímulo ainda maior", disse o analista internacional Phyllis Nystrom à agência Bloomberg. De acordo com informações do instituto Commodity Weather Group, enquanto há algumas áreas com chuvas previstas para essa semana, alguns pontos de seca podem deixar cerca de 25% das lavouras de soja com menores níveis de umidade no solo. 

Demanda

Nesta segunda-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou novas vendas de soja em grão da safra 2014/15 e a notícia trouxe ainda mais combustível para o avanço das cotações. Foram 110 mil toneldas para a China e mais 102 mil toneladas para Taiwan. 

Além disso, foi reportado ainda pelo departamento o boletim de embarques semanais. Na semana que se encerrou no dia 31 de julho, os Estados Unidos embarcaram 39,256 milhões de toneladas de soja. O volume ficou bem abaixo do registrado na semana anterior, porém, elevou o total acumulado no ano para 43.061,701 milhões de toneladas frente à última projeção do USDA de 44,09 milhões de toneladas para todo o ano comercial, que se encerra somente no dia 31. 

Nas últimas semanas, diversas vendas vêm sendo anunciadas e têm trazido um bom estímulo às cotações. Ainda de acordo com os analistas, o recuo dos preços acaba criando boas oportunidades para os importadores da commodity, bem como para os fundos de investimento, que aproveitam o momento para voltar à ponta compradora do mercado, consolidando alguns lucros. 

Além disso, a tendência é de que a demanda continue apresentando crescimento e força. Somente a China, principal importador global da oleaginosa, já tem 16 milhões de toneladas compradas da nova safra, o que corresponde a  a 30% a mais do que no mesmo período do ano passado. 

Clima nos Estados Unidos

Com o início de agosto, o cultivo da soja nos Estados Unidos entra em seu mês mais importante, quando as condições climáticas são determinantes para a confirmação de uma produtividade alta e, consequentemente, da consolidação de uma safra estimada pelo USDA em 103,42 milhões de toneladas. 

As lavouras chegam agora no estágio de formação de vagens e enchimento de grãos e precisam, portanto, de boas chuvas e bom níveis de umidade nos solos para que continuem se desenvolvendo de forma adequada. Até o momento, o cenário de clima é favorável e, até o domingo passado, 27 de julho, 71% das plantações de soja estavam em boas ou excelentes condições. Esse número será atualizado nesta segunda, às 17h (horário de Brasília). 

"O esperado para esse relatório é de que o número de lavouras em boas condições continue acima dos 70%.", acredita Kuhn. Como explicou o operador, as plantas se encontram agora em sua fase mais importante e onde a água é essencial para o seu bom desenvolvimento e, portanto, será necessário um quadro climático bastante favorável para que se garanta uma boa produtividade. "E sabemos que caso não venham as chuvas necessárias, as condições dessas lavouras norte-americanas poderiam apresentar alguma degradação e um fator que possa agregar valor ao preço, pois, se não chove, não acontece o enchimento de grão necessária, com a produção chegando nesse número esperado", completa.

No entanto, como já vinha sendo sinalizado pelos analistas, esse é um momento de intensa volatilidade no mercado internacional - e de bastante cautela para o produtor brasileiro, portanto - já que novas informações e previsões climáticas chegam a todo momento, quase todos os dias e esses dados podem mostrar algumas divergências. 

Enquanto novas previsões indicam que, nas próximas duas semanas, o Corn Belt deve registrar temperaturas mais amenas e chuvas de bons volumes e bem espaçadas, outras mostram que, em agosto, o clima deve ser mais seco na região. Enrtretanto, alguns analistas já afirmaram também que esse é um mês de tempo mais seco no país e que, as localidades pontuais onde há falta de chuvas ou precipitações limitadas não caracterizam, ainda, uma ameaça significativa à nova safra norte-americana. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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