Com chuvas no Corn Belt, soja volta a recuar em Chicago nesta 3ª

Publicado em 19/08/2014 07:57 1622 exibições

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou, nesta segunda-feira (18), seu novo boletim de acompanhamento de safras mostrando um aumento do índice de lavouras de soja em boas ou excelentes condições de 70 para 71% em uma semana. Assim, os preços da oleaginosa voltaram a cair na Bolsa de Chicago na manhã desta terça-feira (19) e, por volta das 7h50 (horário de Brasília), as perdas oscilavam entre 3,75 e 8 pontos, com quedas mais acentuadas nos vencimentos de mais longo prazo. 

Esse novo número do departamento norte-americano vem confirmar as boas expectativas a nova safra norte-americana, estimada em quase 104 milhões de toneladas, o que segue mantendo a pressão negativa sobre o mercado. Além disso, são esperadas novas chuvas para o Meio-Oeste nessa semana. 

As regiões norte e leste do Corn Belt deverão receber cerca de 76 mm de chuvas nos próximos dias, com volumes menores nas áreas centrais, de acordo com informações do Servico Nacional de Clima dos Estados Unidos. Consultorias privadas que têm feito um tour pelo Meio-Oeste já apontam alguns estados como Ohio e Dakota do Sul com produtividade maior do que a registrada no ano passado. 

Veja como fechou o mercado nesta segunda-feira (18):

Com oferta ajustada e demanda aquecida, soja fecha em alta na CBOT

Os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago, nesta segunda-feira (18), fecharam a primeira sessão da semana em campo positivo, após negócios marcados, mais uma vez, pela volatilidade. A alta mais forte foi registrada no primeiro vencimento - setembro/14 - que encerrou o dia com ganhos de 13 pontos e cotado a US$ 11,15 por bushel. As demais posições fecharam o dia subindo mais de 5 pontos. 

O que tem estimulado novas altas nos preços da soja em Chicago são as boas informações vindas da demanda diante de estoques ainda muito ajustados nos Estados Unidos e de vendedores retraídos na América do Sul. 

Apesar de menores do que o número registrado na semana anterior, os embarques semanais de soja dos Estados Unidos de 56,21 milhões de toneladas, de acordo com um boletim divulgado nesta segunda pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), elevaram o acumulado no ano para 43.216,82 milhões de toneladas, contra 44.090,0 milhões estimadas pelo USDA para todo o ano comercial 2013/14. No mesmo período da temporada anterior, os embarques eram de 35.608,15 milhões de toneladas. 

Assim, os números positivos tanto sobre os embarques, quanto sobre as vendas para exportações norte-americanas, seguem como importante fator também de limitação de queda dos preços, que ainda são pressionados pelas elevadas projeções para a colheita 2014/15 dos Estados Unidos. 

 "Os estoques norte-americanos estão preocupando, os EUA continuam vendendo para exportação semana após semana, os números já ultrapassam as estimativas do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) para o ciclo todo e a demandas interna também está aquecida", explicou o analista de mercado da FCStone, Natália Orlovicin. 

E não só a demanda para exportação dá sustentação ao mercado. A demanda interna norte-americana também está aquecida, principalmente em função de um movimentando setor de rações no país e também em âmbito mundial. Assim, o NOPA (Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas) divulgou seus números para o esmagamento de soja em julho e os números ficaram acima das expectativas. No último mês, foram processadas 3,24 milhões de toneladas de soja, enquanto o número esperado ficava na casa das 3,19 milhões. Em junho, o total foi de 3,23 milhões de toneladas. 

"Foi registrado um leve aumento no esmagamento em relação a junho, o que é atípico para o mercado nesse momento, quando sempre se vê uma desaceleração do esmagamento, e isso traz um pouco de preocupação em relação aos estoques finais norte-americanos da safra 2013/14, que podem ser ainda menores do que o USDA está esperando. Isso traz uma tendência altista para os preços no contrato de setembro", explica Natália. 

EUA - Safra 2014/15

Ao mesmo tempo, porém, a nova safra dos Estados Unidos vem se desenvolvendo muito bem e reforçando as elevadas perspectivas para a colheita da temporada 2014/15. Segundo a última projeção do USDA, os EUA deverão produzir cerca de 103,85 milhões de toneladas de soja nesse novo ciclo. 

Segundo relatou o analista Bob Burgdorfer, do site norte-americano Farm Futures, o clima continua muito favorável à produção da oleaginosa no Meio-Oeste norte-americano, com as chuvas chegando no final de semana às regiões onde o clima estava mais seco nos últimos dias. 
Para alguns locais ainda se espera um clima mais seco no resto do mês de agosto, porém, as temperaturas mais amenas que vêm sendo registradas nesse ano devem evitar o stress climático. Além disso, são esperadas mais chuvas no Leste do Meio-Oeste para os próximos dias. 

"Podemos observar um clima mais úmido nos EUA nos próximos dias, além disso, os níveis de umidade no solo estão razoáveis então, esses locais onde foi registrado um clima mais seco ão preocupam tanto assim. Mesmo que não chova, a umidade no solo ainda está adequado e continua sendo, portanto, um cenário bem positivo para a safra de soja dos EUA", diz a analista da FCStone. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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