Soja tem forte recuo na CBOT e pouca oscilação no Brasil nesta 4ª feira

Publicado em 20/08/2014 17:48 978 exibições

O mercado internacional da soja registrou mais uma sessão de perdas na Bolsa de Chicago nesta quarta-feira (20), e os preços terminaram o dia com perdas de dois dígitos nos principais vencimentos. As expectativas cada vez mais fortalecidas de uma grande safra nos Estados Unidos vem pressionando o mercado expressivamente essa semana. 

Assim, no Brasil, o mercado também continua caminhando de forma mais lenta. Os negócios ainda acontecem em um volume menor do que em anos anteriores, em parte por conta dessa referência menor em Chicago e, por outro lado, com os vendedores ainda retraídos à espera de novas e melhores oportunidades de comercialização. O mesmo acontece na Argentina, onde as vendas estão atrasadas também com os produtores evitando efetivar novos negócios. 

Enquanto em Chicago as perdas das posições mais negociadas variaram entre 0,50 ponto - no contrato setembro que, neste momento, reflete o mercado à vista norte-americano, e 15,50 pontos, no Brasil, o mercado se manteve estável nos portos e no interior do país encerrou o dia sem uma direção comum. 

No porto de Paranaguá, a soja disponível o valor ficou em R$ 66,50 por saca, sem variação, enquanto que, em Rio Grande, a alta foi de 0,15%, com o valor encerrando o dia em R$ 68,00/saca. Já no mercado com entrega para maio/15, no porto gaúcho, foi registrada uma baixa de 0,67%, a R$ 59,00/saca, e no paranaense, o preço foi mantido em R$ 59,00. 

No curto prazo, principalmente no mercado brasileiro descolado de Chicago, os negócios ainda são norteados pela relação apertada de oferta e demanda, onde os estoques ainda são muito ajustadas e a demanda continua muito presente no mercado. 

Nesta quarta, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), anunciou uma nova venda de soja com entrega prevista para safra 2014/15. Foram 110 mil toneladas de soja em grão com destino o Vietnã. 

Preços nos EUA

Assim como no Brasil, a comercialização da nova safra nos Estados Unidos também está mais lenta do que em anos anteriores. O país tem, até esse momento, cerca de 20 a 25% de sua safra já negociada, contra uma média para esse período de 40 a 45%, ainda segundo o consultor. Alguns produtores norte-americanos ainda não venderam nada dessa nova temporada, acreditando em preços próximos aos que foram praticados no ano passado, outros esperam colher para vender e há aqueles que venderam apenas uma pequena parte. 

Vlamir Brandalizze explicou ainda que, com os atuais patamares de preços, o produtor norte-americano já amarga um prejuízo de US$ 250,00 por hectare no caso do milho e assim as vendas acabam ficando inviáveis nesse momento. No caso da soja, o preço mínimo que seria "suportado" pelos agricultores seria o de R$ 9,50 por bushel na Bolsa de Chicago. 

Além disso, os produtores norte-americanos enfrentam também um alto grau de endividamento por conta da aquisição de novas máquinas - e já há parcelas vencendo - além de um alto valor de arrendamento, número que também entram na conta na hora de definir a comercialização. 

Brasil x EUA

No Brasil, para Vlamir Brandalizze, o produtor acaba sendo privilegiado pois, em muitos locais, tem a possibilidade de trabalhar com duas safras, o que acaba criando mais oportunidades de vendas e, consequentemente, de acerto nos negócios. 

"E vemos que as cotações que estão sendo praticadas no mercado futuro de portos, de R$ 58,00 a R$ 60,00 (por saca de soja) com entrega março/maio de 2015, na maioria das regiões brasileiras, ainda vão continuar dando lucros aos produtores, ao passo que, nos Estados Unidos, o produtor teme que, ao chegar na colheita, esse grande volume de milho e soja a entrar possa pressionar o mercado, e eles não conseguem enxergar o lado da demanda", explica o consultor da Brandalizze Consulting. 

Com esse cenário, a orientação de Brandalizze é de que o produtor, assim como tem feito nesse momento nos Estados Unidos, evite uma pressão de venda, o que resulta em uma valorização dos prêmios, já que a demanda deve continuar muito aquecida. "Como nós ainda temos mais tempo do que eles, temos oportunidade de cotações um pouco mais altas", diz. "Além disso, temos ainda a questão cambial e a possibilidade disso ser outro fator positivo", completa. 

Expectativas para a nova safra dos EUA

Os dados mais atuais que começam a chegar ao  confirmam as projeções sobre uma grande produção na temporada 2014/15. O Crop Tour Pro Farmer, um dos mais respeitados levantamentos feito sobre a situação das lavouras norte-americanas, já vêm apresentando rendimento acima do esperado tanto para a soja quanto para o milho. 

No estado de Ohio,  a contagem de vagens de soja em um espaço de 3x3 pés ficou em 1.342,42 vagens, enquanto na Dakota do Sul esse número é de 1.057,80 vagens. Em Indiana, a contagem ficou em 1.220,79 vagens/3x3 pés e em Nebraska, 1.103,26 vagens. 

Favorecendo esse bom desenvolvimento das lavouras norte-americanas, que apresentam excelente qualidade, está o quadro climático também bastante positivo no Meio-Oeste norte-americano. Nesse verão, os campos foram beneficiados por temperaturas mais amenas e chuvas dentro da média em quase todas as principais regiões produtoras e, por isso, até o momento, ainda não se apresentam quaisquer ameaças climáticas à produção dos EUA.

Segundo relatou o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, direto do Corn Belt, "os  indicativos de uma grande safra americana estão se confirmando. Em todos os quilômetros que já percorremos aqui no Meio-Oeste americano as lavouras que vimos estão muito boas". 

Assim, a safra de grãos dos EUA caminha para atender os últimos números estimados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) tanto para a soja - em mais de 103 milhões de toneladas, número que poderia ser superado, segundo produtores locais e atingir as 105 milhões de toneladas - e algo entre 350 e 360 milhões de toneladas para o milho, com uma produtividade para o cereal acima das 211,67 sacas por hectare (200 bushels por acre).  

O único problema climático pelo qual poderiam passar os agricultores norte-americanos a esta altura seria a ocorrência de geadas precoces, principalmente nas lavouras plantadas um pouco mais tarde. 

"Se essas geadas não vierem, essa será uma safra cheia, não tem mais volta. Algumas áreas ficaram de quatro a cinco semanas sem chuvas, mas os bons níveis de umidade do solo compensaram essas condições.  Os produtores não devem nem mesmo enfrentar problemas no momento da colheita, eles investiram muito em tecnologia e têm maquinários novos, ou seja, estão preparados para colher esta safra muito rapidamente", disse Brandalizze. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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