Soja fecha com boa alta, mas não confirma reversão de tendência

Publicado em 29/09/2014 18:05 1280 exibições

O mercado da soja fechou a sessão regular desta segunda-feira com mais de 13 pontos de alta nos principais vencimentos negociados na Bolsa de Chicago. As cotações voltaram a subir depois de iniciarem a semana com ligeira queda na tentativa de estimular os vendedores norte-americanos e depois dos dados dos embarques semanais acima das expectativas.

Paralelamente, analistas afirmam que os futuros da oleaginosa iniciam a tentativa de uma recuperação, após o mercado registrar, nos últimos dias, as mínimas de quatro anos no mercado internacional. "No entanto, deverá ser difícil manter essa tendência e esse caminho de altas com o clima ainda favorável contribuindo para o avanço da colheita no Meio-Oeste americano", disse o analista e jornalista do site norte-americano Farm Futures, Bob Burgdorfer.

No Brasil, os preços foram favorecidos pela referência mais alta na Bolsa de Chicago e, ao mesmo tempo, pela forte alta do dólar, que fechou valendo R$ 2,4557, subindo 1,64%, registrando o maior valor de fechamento desde de dezembro de 2008. 

Assim, em relação à última sexta-feira (26), o preço da soja subiu 2,68% para bater em R$ 57,50 no porto de Rio Grande para a soja com entrega em maio/15 e, para a soja disponível, a alta foi de 3,39% com o mercado fechando em R$ 61,00. Em Paranguá, o dia fechou com a soja futura a R$ 56,00, estável. No interior do país, os preços mantiveram também a estabilidade, variando, em média, de R$ 52,00 a R$ 54,00 por saca, segundo um levantamento feito em cooperativas e sindicatos rurais. 

Clima nos EUA

Sobre o clima norte-americano, não há novidades e os trabalhos de campo caminham em um ritmo bastante favorável no Meio-Oeste. O Commodity Weather Group, para essa semana, espera prevê temperaturas acima da média e continuar favorecendo o avanço da colheita. 

Dados do USDA

Segundo os últimos números divulgados pelo USDA no final da tarde desta segunda, após o fechamento do pregão, 10% da área de soja já foram colhidos nos EUA. O número que não deve impactar de forma muito significativa no mercado, uma vez que, segundo o analista Mário Mariano, da Novo Rumo Corretora, ficou dentro das projeções do mercado, que variavam de 9 a 11%. 

Do lado da demanda, no entanto, os números do embarques semanais de soja dos EUA, também divulgados pelo USDA, ficaram acima das expectativas. Na semana que terminou no dia 25 de setembro, os embarques semanais de soja foram divulgados em 687,19 mil toneladas, número que fica bem acima das expectativas, que variavam de 380 mil a 540 mil toneladas. O número é maior ainda do que o registrado na semana anterior, de 467,68 mil toneladas. 

No acumulado do ano, os embarques norte-americanos de soja somam 1.490,24 milhão de toneladas, contra 988,18 mil toneladas do registrado no mesmo período da temporada anterior. O USDA estima que na safra 2014/15 sejam exportadas 46,3 milhões de toneladas.  

Ainda sobre números do USDA, a instituição divulga nesta terça-feira (30) seu novo relatório de estoques trimestrais com números para 1º de setembro e, segundo Mariano, o mercado aposta em algo ligeiramente superior a 3 milhões de toneladas. O número fica bem abaixo de níveis adequados e, de acordo com o consultor, essa correção positiva para os preços também teve influência dessas expectativas. 

Comercialização nos EUA 

Nos Estados Unidos, os produtores continuam sem vender, mesmo diante de prêmios que variam entre US$ 1,20 e US$ 1,40 no Golfo do México sobre os valores praticados em Chicago e estão bem acima do que os patamares registrados neste mesma época em anos anteriores. 

"Precisaria haver uma correção positiva para se criar o produto para cumprir os contratos que existem de exportação e esses níveis são na casa dos US$ 11,00 ou acima nos portos", explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. "Os investidores acreditam que não adianta pressionar mais porque não tem espaço para baixa no mercado físico. Então, agora há esse conflito sobre as mínimas", completa. 

Hoje, mesmo com prêmios atrativos no mercado físico dos EUA, não há interesse por parte de vendedores e, consequentemente, não há uma pressão significativa de venda, o que acaba sendo um fator de estímulo para o avanço das cotações. Ainda de acordo com o consultor, os prêmios estão valendo 15% do valor da Bolsa de Chicago, quando a média é algo entre 3 e 5%. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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