Soja sobe quase 30 pts na CBOT e supera R$ 63 no porto de Rio Grande

Publicado em 27/10/2014 16:43 e atualizado em 27/10/2014 18:47 1167 exibições

Estimulado por novos e fortes números da demanda, os futuros da soja fecharam a sessão desta segunda-feira (27) com forte alta na Bolsa de Chicago. Os principais vencimentos terminaram o dia com ganhos de quase 30 pontos e todos acima dos US$ 10,00 por bushel. O contrato maio/15, referência para a safra brasileira, ficou cotado em US$ 10,25. 

Paralelamente, após o resultado que mostrou a reeleição de Dilma Rousseff para a presidência do Brasil, o dólar também registrou uma forte alta frente ao real nesta segunda. A moeda norte-americana superou os R$ 2,50 e, durante a sessão, chegou a subir mais de 3%. Além disso, os prêmios nos portos seguem positivos e contribuindo para um bom avanço das cotações da soja no Brasil. Para a entrega novembro/14 o valor é de US$ 0,95 sobre o valor praticado em Chicago e, para as posições abril e maio/15 é de US$ 0,57. 

Dessa forma, o valor da soja futura, com entrega maio/15, no porto de Rio Grande superou o valor do produto disponível, subiu 4,64% e terminou os negócios valendo R$ 63,10 por saca, enquanto a soja disponível fechou o dia a R$ 63,00, com valorização de 0,80%. Em Paranaguá, o ganho foi de 0,82% e a soja ficou em R$ 61,50. No link abaixo, confira as cotações da soja nesta segunda-feira:

>> MERCADO DA SOJA

Bolsa de Chicago

Os ganhos fortes registrados na Bolsa de Chicago refletiram, principalmente, as notícias vindas sobre a demanda. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou novas vendas de soja com entrega na safra 2014/15 e ainda os embarques semanais acima das expectativas em seu novo boletim de inspeções de exportações. 

Foram 120 mil toneladas vendidas para a China e mais 110 mil para destinos desconhecidos. Já os  embarques semanais de soja somaram 2.195,372 milhões de toneladas na semana que terminou no último dia 23, número ligeiramente maior do que o registrado na semana anterior - de 2.023,443 milhões. O volume ficou ainda acima das expectativas do mercado, que variavam de 1,8 a 1,9 milhão de toneladas. Assim, o acumulado no ano chega a 8.170,247 milhões de toneladas, contra 7.128,521 milhões nessa mesma época da safra 2013/14.  

Para Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting, essa força e crescimento da demanda devem ganhar cada vez mais as atenções do mercado, apesar das altas produtividades que vêm sendo reportadas pelos produtores norte-americanos, mesmo com esse atraso da colheita no Meio-Oeste dos EUA.

"As vendas americanas estão muito acima do normal em relação a anos anteriores e isso indica que a demanda mundial está muito aquecida. Você pode aumentar a produção, mas tem que aumentar muito mais a demanda, que é o fator que deu apoio ao mercado na semana passada também", diz o consultor. 

Outro fator que estimula a demanda são os movimentos técnicos do mercado, ainda segundo Branalizze, uma vez que os compradores se sentem ainda mais estimulados ao observarem o mercado financeiro e os grandes fundos julgando as commodities agrícolas como bons investimentos, já que poderiam apresentar ajustes positivos mais a frente. 

Nesse início de semana, as incertezas e alguns problemas que vêm sendo observados no quadro financeiro global têm estimulado os investidores  a se voltarem para as commodities, novamente, como aconteceu na última semana, o que tem sido observado com um novo fator de suporte às cotações no mercado futuro americano. 

"Os fundos tiram seus investimentos de ações dessas empresas europeias de países que sentem um pouco da recessão e, o resultado das eleições no Brasil também deve intimidar os investidores externos que poderiam trazer recursos para aplicar no mercado financeiro brasileiro e vão acabar caindo nas bolsas e Chicago, Nova York, onde há mais segurança", explica Brandalizze. 

Entretanto, o mercado observa, ao mesmo tempo, melhores condições de clima para o plantio no Brasil e a colheita nos Estados Unidos. 

As previsões do instituto MDA Weather Service, dos EUA, apontam um tempo mais seco pelo menos até o dia 2 de novembro favorecendo os trabalhos de colheita. Nesta segunda, o USDA traz um novo boletim de acompanhamento de safras e atualiza seu índice de área colhida no Corn Belt que, até o último dia 19 estava em 53, contra a média de 66% para o mesmo período de 2013. 

Comercialização 

Apesar dessa melhora que tem sido observada em Chicago e no mercado interno de soja, o ritmo da comercialização de soja no Brasil ainda não se acelerou muito. Há, segundo Vlamir Brandalizze, com essa pequena melhora nos negócios, algo próximo de 15% da safra brasileira já comercializada, contra uma média de mais de 40 a 45% de anos anteriores nesse mesmo período. 

Sobre a safra velha, Brandalizze afirma que o mercado segue comprador, principalmente internamente, e o produto disponível se valorizando, dada a forte necessidade de matéria-prima no setor de farelo e óleo de soja. 

"Para a safra nova, o produtor deve aproveitar essa semana para fixar alguns volumes caso os níveis subam um pouco em relação aos números da semana passada. Se conseguir níveis acima dos R$ 63,00 nos portos, ele terá uma liquidação favorável no interior, com patamares de R$ 45,00 a R$ 55,00 que são valores que já dão margem para o produtor começar a fazer as médias", sinaliza o consultor. 

Sobre os prêmios, Brandalizze afirma que os prêmios nas posições mais distantes podem ficar ainda mais positivos, uma vez que, por conta do atraso do plantio da safra 2014/15 no Brasil, a oferta "no cedo" será mais escassa nesta temporada. Assim, quem conseguir vender essa oferta nessa época de final de fevereiro e início de março pode conseguir valores maiores do que os indicativos praticados atualmente, segundo explica o consultor.  

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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