Soja tem mais um dia de perdas na CBOT nesta 5ª, mas mantém estabilidade

Publicado em 04/12/2014 10:18 295 exibições

O mercado da soja, nesta quinta-feira (4), opera mais uma vez tentando se manter próximo da estabilidade no cenário internacional, porém, opera em campo negativo na Bolsa de Chicago. Por volta das 11h (horário de Brasília), as posições mais negociadas perdiam entre 3,75 e 4,25 pontos, com o contrato janeiro/15 em US$ 9,94 por bushel. O maio/15, referência para a safra brasileira, valia US$ 10,08. 

Sem novidades fortes e ainda estimulado pela movimentação técnica por parte dos fundos e pela influência do cenário macroeconômico, principalmente com essa forte queda que vem sendo observada entre as cotações do petróleo, que novamente recua nesta quinta-feira. 

Ainda nesta quinta-feira, o mercado aguarda o novo boletim semanal de vendas para exportação a ser divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Paralelamente, no Brasil, atenções voltadas ao andamento do dólar, que mantém a volatilidade frente ao real, entretanto, luta para se manter em território positivo. Por volta das 11h15, a moeda norte-americana valia R$ 2,58 e subia 0,94%. 

Veja como fechou o mercado nesta quinta-feira:

Soja tem leve recuperação e fecha a 4ª feira em campo positivo na CBOT

Depois de uma sessão em que os preços operaram durante todo o tempo em campo negativo, com os dois primeiros contratos trabalhando abaixo dos US$ 10,00 por bushel, o mercado internacional virou e fechou os negócios registrando leves altas de 2,25 a 2,50 pontos nos principais vencimentos. A posição março/15 conseguiu uma leve recuperação e encerrou o pregão a US$ 10,05 por bushel, já o janeiro/15 ficou com US$ 9,98. O maio/15, referência para a safra brasileira, fechou a sessão valendo US$ 10,13/bushel. 

Com um pregão onde as cotações trabalharam durante todo o tempo no vermelho e em um dia de recuo do dólar frente ao real, depois de uma sessão de volatilidade, os valores da soja nos portos para o produto futuro também caíram. Em Paranaguá, a baixa foi de 2,42% para R$ 60,50 e em Rio Grande de 0,80%, para R$ 62,00. Porém, ainda no terminal gaúcho, o produto disponível subiu mais de 3% e fechou em R$ 66,00 por saca. 

Nesta quarta, a moeda norte-americana terminou a sessão com baixa de 0,74% a R$ 2,5567, com o mercado de olho no cenário externo e na expectativa pelas informações que chegam do Copom (Comitê de Política Monetária), principalmente sobre o futuro da taxa básica de juros. "A perspectiva para o dólar no curto prazo está um pouco indefinida. Vamos começar a ter mais sinais sobre isso com a decisão do Copom, mas ainda precisamos observar outros fatores, como a ata e a política fiscal", disse o gerente de câmbio da corretora Fair, Mario Battistel à agência de notícias Reuters. 

No mercado disponível, a quarta-feira também foi negativa e as cotações perderam valor em quase todas as praças de comercialização pesquisadas pelo Notícias Agrícolas junto à cooperativas e aos sindicatos rurais. Nas praças da região Sul o recuo foi de pouco mais de 0,8%, com os preços ainda variando entre R$ 57,00 e R$ 58,00. Em Mato Grosso, perdas de mais de 1% e a oleaginosa cotada a R$ 56,00 em Campo Novo do Parecis. Em Jataí/GO, a baixa foi de R$ 0,57% para R$ 52,70. 

Em Chicago, o mercado continua apresentando ainda uma movimentação bastante técnica, com uma forte atuação dos fundos especulativos, principalmente frente a uma influência mais forte do cenário macroeconômico nos últimos dias, vinda, na maior parte, da movimentação nos negócios com o petróleo. Assim, de acordo com  o que explicam os analistas, se de um lado os altos preços estimulam as vendas por parte dos fundos, os baixos favorecem as compras e motivam esses ligeiros ganhos registrados nesta quarta. 

A Opep (Organização dos Países Produtores de Petróleo) decidiu, na última semana, não cortar a produção e, com isso, tornam o produto mais barato - já que conseguem extrair com um menor custo de produção - e mantém suas margens garantidas. Ao mesmo tempo, a demanda por outros combustíveis como biodiesel - que tem como uma das principais matérias-primas o óleo de soja - e o etanol de milho menos competitivos, já que se tornam mais caros frente ao petróleo, o que pesa, portanto, sobre os negócios de ambas as commodities.

Entretanto, há informações entre os fundamentos que, apesar de já conhecidas pelo mercado, ainda pesam sobre os negócios. A colheita da safra 2014/15 já está praticamente concluída nos Estados Unidos e, na América do Sul, as condições climáticas já se mostram mais favoráveis ao andamento das lavouras, principalmente no Brasil e na Argentina. 

"Temos um mercado pressionado que deve durar mais alguns dias e acredito que possamor virar o ano assim", acredita Camilo Motter, analista de mercado da Granoeste Corretora de Cereais, que chama atenção ainda à necessidade se acompanhar de perto a movimentação da demanda mundial pela oleaginosa, principalmente por parte da China, bem como das condições de seus estoques. "Poderia haver um esfriamento da demanda chinesa agora, e o mercado já desconfia um pouco disso e, se esfriar um pouco, tende a se voltar a comprar um pouco mais na América do Sul, programando embarques para fevereiro, março e abril", completa. 

Frente a isso, será necessária ainda uma atenção também à divulgação dos boletins semanais de embarques e vendas para exportação por parte do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que são reportados às segundas e quintas-feiras, respectivamente. 

"Enquanto as exportações ainda permanecem em níveis recordes, os compradores estão começando a desacelerar suas compras diante da melhora das condições meteorológicas na América do Sul", acrdita Bryce Knorr, analista de mercado e editor sênior do site norte-americano Farm Futures. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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