Soja busca recuperação depois das últimas baixas e opera em campo positivo nesta 6ª na CBOT

Publicado em 20/05/2016 08:16
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Após algumas sessões consecutivas de baixa, os preços da soja voltaram a subir na Bolsa de Chicago nesta sexta-feira (20). Na manhã de hoje, por volta de 8h (horário de Brasília), os ganhos variavam entre 1,50 e 7 pontos nas principais posições, com o julho/16 cotado a US$ 10,78 por bushel. 

No pregão anterior, os futuros da oleaginosa chegaram a testar baixas de até 20 pontos, levando as cotações a se aproximarem dos US$ 10,50, o que motiva, portanto, a volta dos fundos investidores à ponta compradora do mercado. Além disso, ainda nesta quinta-feira (19), os preços já vinham recuperando parte das últimas perdas de olho em seus positivos fundamentos. 

Entretanto, a movimentação do dólar no exterior - e também frente ao real - tem sido outro fator de forte influência sobre o andamento da soja e das demais commodities. Nos últimos dias, a divisa bateu em seu mais elevado patamar desde março e pressionou os grãos, as softcommodities e o petróleo. Hoje, a moeda ainda opera com algumas altas, mas menos intensas do que as registradas nas sessões anteriores. Assim, já é possível observar uma recuperação entre as commodities em geral. 

Atenção ainda ao clima nos Estados Unidos para o desenvolvimento da nova safra e na América do Sul, onde a demanda pela soja brasileira continua sendo destaque. 

Veja como fechou o mercado nesta quinta-feira:

Soja: Com suporte do câmbio e da demanda forte, preços fecham 5ª feira em alta no Brasil

O mercado internacional da soja fechou o pregão desta quinta-feira (19) do lado negativo da tabela, porém, com perdas bem mais tímidas do que as registradas ao longo do dia, as quais chegaram a passar dos 20 pontos. Os vencimentos principais terminaram os negócios recuando entre 3,75 e 4,75 pontos, levando o julho/16 - o mais negociado nesse momento - a US$ 10,71 e o novembro/16, referência para a safra norte-americana, a US$ 10,53. 

As baixas foram motivadas, mais uma vez, pela realização de lucros por parte dos fundos de investimento depois das boas altas que vinham sendo registradas nas últimas semanas e também sentindo a influência forte do mercado financiro neste final da semana. O dólar foi destaque entre os negócios desta quinta. 

"Tivemos uma valorização do dólar muito acentuada frente ao euro, moedas asiáticas, ao real, e isso pesou bastante sobre o mercado", afirma Vlamir Brandalizze, consultor da Brandalizze Consulting. E essa movimentação da moeda norte-americana, que chegou a registrar seu mais alto patamar desde março, se deu depois da divulgação da ata da reunião do Federal Reserve (o Banco Central norte-americano) informando que poderia aumentar as taxas de juros nos EUA, vem pressionando as commodities de forma generalizada, atraindo os investidores para a divisa, que alcança seu maior valor desde março. 

E um dólar mais alto não só atrai os investidores, como reduz a competitividade dos produtos norte-americanos frente a seus concorrentes, o que também acaba sendo um fator baixista para os preços. No Brasil, que vem liderando as exportações globais de soja, a moeda subia 0,979% para R$ 3,598. Durante os negócios, porém, os ganhos já passaram de 1%. 

No entanto, no final da tarde, os preços foram devolvendo parte das perdas em razão dos fatores fundamentais ainda positivos, especialmente a demanda pelo produto brasileiro diante de uma oferta muito ajustada, como explica Brandalizze. Além disso, há ainda as especulações sobre a nova safra dos Estados Unidos, as perdas na Argentina, e uma recuperação dos futuros do farelo também negociados na Bolsa de Chicago. 

Porém, o consultor afirma que para que o mercado busque novos e mais elevados patamares de preços serão necessárias novidades para estimular movimentos mais acentuados. Os fundamentos, afinal, já são conhecidos e vêm sendo diariamente precificados. 

Outro fator de suporte para as cotações da soja foram ainda os números melhores das vendas semanais para exportação reportados, ainda nesta quinta-feira, pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). 

Na semana encerrada em 12 de maio, as vendas semanais de soja subiram para 714,7 mil toneladas, enquanto as expectativas variavam de 350 mil a 750 mil toneladas. Da temporada 2015/16 foram 556,4 mil toneladas, volume maior do que o da última semana, e com destinos desconhecidos sendo os maiores compradores. E a diferença com o mesmo período da temporada 2014/15 vem sendo reduzido e agora é de apenas 5% a menos. Da safra 2016/17, as vendas somaram 158,3 mil toneladas. 

As vendas semanais de farelo de soja dos EUA totalizaram, entre as duas temporadas, 165,1 mil toneladas e ficaram dentro do intervalo esperado pelo mercado, de 50 mil a 350 mil toneladas. Foram vendidas 73 mil toneladas da safra 2015/16, com a maior parte destinada ao México, e mais 92,1 mil da safra 2016/17. 

Outro destaque foram as vendas de óleo de soja dos EUA, que foram de 101,1 mil toneladas, enquanto os traders esperavam algo entre 60 mil e 130 mil toneladas. Da atual temporada comercial, 89,5 mil toneladas e a maior parte para destinos não revelados. Da próxima, 11,6 mil para o México. 

Mercado Interno

No Brasil, a safra 2015/16 chega a quase 80%, ainda como explica o consultor da Brandalizze Consulting, e diante disso, novos negócios acabam ficando travados. Já para a nova temporada, as negociações estão mais intensas e as vendas antecipadas já se aproximam de 20% diante das boas oportunidades de preços que vêm sendo trazidas pelo dólar, pelos prêmios e pelos valores ainda altos sendo praticados em Chicago. 

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>> Brasil mantém competitividade e lidera exportações globais de soja

E nesta quinta-feira, com uma nova alta do dólar - que fechou com ganho de 0,20%, após subir mais de 1% ao longo do dia, para R$ 3,5702 - o mercado brasileiro garantiu mais um dia positivo. A soja disponível, no porto de Rio Grande subiu 0,58% para R$ 87,00 e no de Paranaguá, 1,16% para R$ 87,50 por saca. Já a futura perdeu R$ 1,00 no terminal paraense, para ficar com R$ 89,00, enquanto manteve os R$ 90,00 no Rio Grande do Sul. 

Os preços pagos pela soja brasileira, de acordo com o que explicam analistas, não só estão mais elevados, como estão também sustentados. Os últimos valores referenciados para a soja da safra 2015/16, nos principais portos do país, orbitavam próximos a R$ 87,00 por saca. Os preços melhores em Chicago - com mais de US$ 10,50 por bushel - e os altos prêmios pagos nos portos - os quais também são um termômetro da demanda forte -, além do câmbio ainda próximo dos R$ 3,50 - dão sustentação aos valores.

No interior do Brasil, as principais praças de comercialização terminaram a quinta-feira com altas oscilando entre 0,66% e 6,50%. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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