Soja: De olho na safra dos EUA e na alta do dólar, preços fecham em queda pelo 6º dia seguido na CBOT

Publicado em 30/08/2016 17:43
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Pelo 6º dia seguido, as principais posições da soja negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) recuaram. Ao longo do pregão desta terça-feira (30), os contratos da commodity ampliaram as perdas e exibiram quedas entre 13,25 e 17,75 pontos. O vencimento setembro/16 era cotado a US$ 9,65 por bushel, enquanto o novembro/16 era negociado a US$ 9,50 por bushel. Já o março/17 finalizou a sessão a US$ 9,55 por bushel.

O mercado ainda continua sendo pressionado pelo bom encaminhamento da safra 2016/17 nos Estados Unidos até o momento. “Essa é a realidade dos campos americanos. Em meio a esse quadro, a perspectiva é que o vencimento novembro/16 permaneça próximo de US$ 9,50 por bushel no curto prazo ou pelo menos até o início da colheita, que deve ocorrer nos próximos 15 a 20 dias”, disse Mário Mariano, consultor de mercado da Novo Rumo Corretora.

"A pressão vem de boas classificações condição de cultura do USDA, a grande oferta de grãos de alimentação mundial, um dólar mais forte, e o comércio está precificando uma oferta recorde", disse Jason Roose, US Commodities, em entrevista ao site Agriculture.com.

No final da tarde desta segunda-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) elevou em 1% o índice de lavouras em boas ou excelentes condições. Com isso, 73% das plantações da oleaginosa apresentam boas condições. Cerca de 20% das lavouras apresentam condições regulares e 7% permanecem com condições ruins ou muito ruins.

"Apesar do anúncio da segunda venda diária de exportação essa semana, o foco permanece sobre a safra de soja que será colhida em poucas semanas", acrescenta Bob Burgdorfer, do portal Farm Futures.

Ainda hoje, o departamento anunciou a venda de 126 mil toneladas de soja para destinos desconhecidos. O volume negociado deverá ser entregue na temporada 2016/17. Essa é a segunda operação reportada essa semana, já que, nesta segunda-feira, o departamento divulgou a venda de 393 mil toneladas do grão também para destinos não revelados.

“Somadas, já temos 519 mil toneladas de soja negociadas essa semana. A demanda continua presente no mercado, mas temos o aumento da taxa cambial, o que acaba encarecendo o produto norte-americano para os importadores. Além desse cenário de safra, câmbio, temos os chineses que diminuíram um pouco as importações diante da perspectiva de safra maior nos EUA”, explica o consultor da Novo Rumo Corretora.

Mercado brasileiro

Diante da forte queda registrada na Bolsa de Chicago, os preços da soja praticados no mercado brasileiro registraram ligeiras movimentações nesta terça-feira. Conforme levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas, as cotações caíram 1,47% nas praças de Ubiratã e Londrina, ambas no Paraná. A saca da soja encerrou o dia a R$ 67,00. Em Não-me-toque (RS), o recuo foi de 0,72%, com a saca a R$ 68,50. Já em Panambi (RS), a queda ficou em 0,68% e a saca a R$ 70,02. No Oeste da Bahia, a cotação também caiu, 0,51% e encerrou o dia a R$ 64,67 a saca.

Nos portos brasileiros, as cotações da soja também cederam nesta terça-feira. Em Paranaguá, o valor disponível caiu 1,23%, com a saca da oleaginosa a R$ 80,00. Já o preço futuro ficou em R$ 77,00 a saca e queda de 1,28%. No terminal de Rio Grande, o disponível fechou o dia a R$ 78,50 a saca, e queda de 1,26%, o valor futuro ficou em R$ 77,50 a saca e desvalorização de 0,77%.

Ainda na visão do consultor da Novo Rumo Corretora, a alta do dólar, para os produtores brasileiros acaba sendo um fator positivo. “Entretanto, os atuais patamares praticados para a safra futura não atende a necessidade dos produtores brasileiros que ainda estão com os custos de produção em aberto. No médio norte, tínhamos valores entre R$ 73,00 a R$ 75,00 a saca da soja para entrega março e agora o valor está próximo de R$ 60,00 a saca”, completa.

No caso da soja disponível, Mariano reforça que o cenário é semelhante, uma vez que, as cotações também cederam. “Acreditamos que o produtor que conseguir segurar esse produto pode ter melhores oportunidades entre os meses de outubro e novembro”, diz.

Dólar

A moeda norte-americana encerrou o dia a R$ 3,2402 na venda, com alta de 0,24%. Novamente, a sessão foi marcada pelo baixo volume de negócios, já que os investidores aguardam o desfecho do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. Por outro lado, os investidores ainda esperam por novas informações a respeito da possibilidade de aumento na taxa de juros nos EUA, conforme reportou a agência de notícias Reuters.

Confira como fecharam os preços nesta terça-feira:

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Por Fernanda Custódio
Fonte Notícias Agrícolas

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