Soja tem 2ª feira de boas altas em Chicago com atenção às chuvas no Corn Belt às vésperas da colheita

Publicado em 19/09/2016 07:38
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A semana começou aquecida para o mercado internacional da soja. Na sessão desta segunda-feira (19), os principais contratos subiam mais de 10 pontos, por volta de 7h20 (horário de Brasília), na Bolsa de Chicago. E dessa forma, a posição novembro/16, referência para a safra dos EUA, era negociada a US$ 9,77, enquanto o maio/17, esta já referência para a nova safra do Brasil, valia US$ 9,89. 

Com as altas de hoje, os preços alcançam suas máximas em uma semana e, de acordo com informações de agências e analistas internacionais, o combustível principal para o avanço dos futuros da oleaginosa são as chuvas que começam a se intensificar no Meio-Oeste americano e, em alguns pontos, não permitem o avanço da colheita. 

Em nota, o diretor de estratégia no agronegócio do Commonwealth Bank da Australia, Tobin Gorey, afirma que "as previsões dessa umidade excessiva para a safra dos Estados Unidos leva o mercado ao limite com os investidores buscando recomprar algumas posições". Além disso, afirma que, caso persistam muito, essas precipitações já podem começar a comprometer as exportações, provocando algum atraso nos line-ups. 

As previsões climáticas para esta semana, no entanto, ainda indicam chuvas, porém, menos do que se esperava há alguns dias. E este padrão de tempo mais úmido deverá durar, segundo o Commodity Weather Service, ainda por algumas semanas. 

Paralelamente, segue ainda a atenção sobre o início da nova safra do Brasil - principalmente o quadro climático por aqui - além da influência do mercado financeiro. Nesta semana acontece uma nova reunião do Federal Reserve, onde poderá ser definida o futuro da taxa de juros nos EUA, além da chegada de alguns dados da economia americana. Hoje, as commodities sobem de forma generalizada, com ganhos de até 2,05% com o algodão em Nova York, por exemplo. O petróleo subia, durante a manhã, 1,26% para US$ 44,17 por barril. 

Nesta segunda-feira chegam também os dois novos reportes semanais do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), sendo um deles com os números dos embarques de grãos e o outro, de acompanhamento de safras, o qual poderá trazer os primeiros números oficiais da colheita da soja no país. 

Veja como fechou o mercado na última semana:

Soja: Mercado fecha semana em Chicago com perspectiva de altas antes da colheita nos EUA

  • Os preços da soja dispararam na sessão desta sexta-feira (16) na Bolsa de Chicago e fecharam  o dia com mais de 15 pontos de alta entre os principais vencimentos. O rally do último pregão, no entanto, foi insuficiente para reverter o balanço semanal e as posições mais negociadas indica um recuo de mais de 1% em relação ao fechamento da sexta anterior (8). A entrada de fundos de investimento no mercado internacional foi bastante expressiva e contribuiu para o forte movimento positivo dos futuros da oleaginosa. 
  • Dessa forma, o contrato novembro/16, o mais negociado desse momento e referência para a safra dos Estados Unidos, fechou com US$ 9,66 por bushel, caindo 1,45% enquanto o maio/17, referência para a nova safra do Brasil, foi a US$ 9,78, com baixa de 1,24%. 

Apesar de insuficiente, no entanto, as altas da soja na Bolsa de Chicago parecem já se mostrar como uma tendência neste período de pré-colheita norte-americana, como voltou a afirmar o vice-presidente da Price Futures, Jack Scoville, em entrevista ao Notícias Agrícolas. O executivo explica que a soja ainda precisa de mais uma ou duas semanas para concluir seu ciclo e permitir o início efetivo da colheita e, enquanto isso, as chuvas que chegam ao Meio-Oeste americano e mais os produtores americanos retraídos nas vendas criam um ambiente de suporte e estímulo aos preços, os quais deverão voltar a se aproximar dos US$ 10,00 por bushel. 

Informações do NOAA, o departamento oficial de clima dos EUA, mostram que há tempestades se movimentando pela região e isso deverá se estender pelos próximos sete dias. Além disso, se esperam ainda chuvas acima da média para o intervalo dos próximos seis a dez dias, e temperaturas mais baixas na medida em que se aproxima a chegada do outono no hemisfério norte. 

"Os especuladores já saíram de suas posições vendidas só para venderam mais na época da colheita, que vai começar, provavelmente, em uma ou duas semanas, e aí sim o preço pode voltar a cair. Mas, por ora, eles vão recomprar algumas posições para voltar a vender", diz Scoville. "Eles precisam de algo entre US$ 10,00 e  US$ 10,25, mas isso vai depender da demanda. E a demanda agora está boa e deve seguir assim", completa. 

No link a seguir, confira a íntegra da entrevista de Jack Scoville:

>> Soja reage em Chicago com chuvas nos EUA e produtores retraídos nas vendas à espera de primeiros resultados da colheita

Mercado Interno

No mercado interno, a semana foi marcada pelo fim do vazio sanitário no último dia 15 no Brasil, estimulando os produtores a desviarem sua atenção dos negócios para focarem no plantio da soja. Começa a se estabelecer, portanto, um novo cenário e um novo momento para o mercado interno, externo e para as perspectivas dos produtores nacionais. Os desafios são diferentes da temporada passada, mas ainda batem à porta da cadeia produtiva.

Leia mais:

>> Soja: Fim do vazio sanitário traz novo momento para o mercado e perspectivas para produtores

As operações registraram ritmo lento não só para o produto da safra nova, mas também com o restante da safra velha. As cotações, afinal, seguem acompanhando o recuo de Chicago e o dólar ainda permanece atuando em patamares mais baixos dos que o de meses atrás, embora mais próximo, agora dos R$ 3,30. Ainda assim, algumas praças ainda conseguiram encontrar espaço para pequenas altas no balanço semanal, acompanhando, como explicam analistas de mercado, uma realidade mais intensa e ajustada no quadro de oferta e demanda. No Oeste da Bahia, por exemplo, avanço de 2,08% na semana, ou Campo Novo do Parecis/MT, ganho de 1,39%. 

 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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