Chuva alaga norte do Meio-Oeste dos EUA, interrompe colheita e fecha usinas de processamento

Publicado em 23/09/2016 17:06 e atualizado em 23/09/2016 22:19
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A região deve ter dois dias de clima seco antes que mais chuvas cheguem na próxima semana

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CHICAGO (Reuters) - Fortes chuvas e alagamentos inundaram uma ampla faixa do norte do Meio-Oeste dos Estados Unidos nesta semana, interrompendo a colheita de milho e soja e forçando o fechamento de ao menos duas usinas de processamento da lavoura no Estado do Iowa, disseram operadores e produtores nesta sexta-feira.

As preocupações aumentaram entre produtores de que a água parada nos campos possa prejudicar a lavoura que não foi colhida. Ao mesmo tempo, o nível do rio Mississippi subiu, ameaçando interromper o carregamento de barcaças de grãos para exportação.

Partes do norte do Iowa e do sul do Minnesota receberam grandes volumes de chuvas no meio da semana, com o total de dois dias de precipitações chegando a 250 milímetros em algumas áreas, disseram meteorologistas.

A região deve ter dois dias de clima seco antes que mais chuvas cheguem na próxima semana, disse o meteorologista agrícola David Streit, do Commodity Weather Group.

A Cargill parou de receber entregas de milho e soja em suas usinas de processamento em Cedar Rapids, no Iowa, devido às enchentes na área, com uma previsão de o rio Cedar, nas proximidades, para alcançar um estado de enchente elevada durante o fim de semana.

Enquanto isso, produtores esperam os campos drenarem e secarem antes de retomarem a colheita, um processo que vai demorar mais no tempo frio de setembro do que demoraria no calor do verão.

No Brasil clima afeta produção de algodão. Conab aponta perda de 17% 

 A falta de chuvas na fase de plantio do algodão afetou o desenvolvimento da cultura em alguns estados brasileiros. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2015/2016 rendeu 3,2 milhões de toneladas, queda de 17% se comparada à safra anterior. O resultado refletiu no desempenho do segundo maior produtor nacional, a Bahia, que teve redução de 16% na área plantada e 43% na produção. Os números foram apresentados na reunião da Câmara Setorial do Algodão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O Mato Grosso, líder na produção de algodão brasileiro, produziu 4% a menos em relação ao ano passado. Foram 2,2 milhões de toneladas ante 2,3 milhões de toneladas. “A estiagem prejudicou algumas lavouras que dependiam de água para se desenvolver. Chuvas fora de época também impactaram negativamente a qualidade do algodão. Uma vez que o capulho se abre, a pluma não pode pegar chuva”, explicou Alan Malinski, assessor técnico da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A maior perda foi no estado do Piauí, que sofreu com o clima e colheu apenas 7 mil toneladas nesta safra. Na safra anterior, havia colhido 50 mil toneladas, queda de 87%. A redução de área de 14 mil hectares para 6 mil hectares também influenciou o resultado. “Apesar do setor ter apresentado números ruins, a expectativa para a próxima safra é de crescimento da área plantada, pois os preços no mercado estarão melhores”, afirmou Alan Malinski.

Durante a reunião, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) apresentou o Programa Standard Brasil HVI, que dará mais transparência e credibilidade às análises de comprimento, resistência e alongamento dos fios realizadas nos fardos de algodão produzidos no Brasil. O programa conta com 3 pilares: um laboratório que fará a rechecagem de 1% de todas as análises de HVI feitas no Brasil, um banco de dados das características intrínsecas e extrínsecas do algodão brasileiro e a orientação aos laboratórios de HVI.

Fonte Reuters + CNA

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