Soja: Mercado tem força da demanda nesta 2ª feira e fecha com boas altas em Chicago

Publicado em 03/10/2016 17:11
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Na sessão desta segunda-feira (3), o mercado internacional da soja ganhou força no início da tarde, manteve-se em campo positivo e fechou o dia com altas de quase 20 pontos nos principais contratos negociados na Bolsa de Chicago. Dessa forma, os vencimentos que servem como indicativos para a safra dos EUA e do Brasil - novembro/16 e maio/17 - terminaram o dia com avanços de, respectivamente, 19 e 18,50 pontos, valendo US$ 9,73 e US$ 9,90 por bushel. 

A demanda foi o ponto forte deste pregão e continua sendo, como explicam analistas e consultores de mercado, o mais importante fator de suporte para os futuros da oleaginosa. "A demanda está extremamente agressiva e deverá continuar assim", explica o consultor Ênio Fernandes, da Terra Agronegócios. 

Assim, os números fortes dos embarques semanais norte-americanos de soja em grão divulgados nesta segunda-feira pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) foram imediatamente refletidos em Chicago. Na semana encerrada em 29 de setembro, os americanos embarcaram 1.104,196 milhão de toneladas, um volume bastante superior ao da semana anterior, de apenas 386,034 mil toneladas. O total, apesar disso, ficou dentro das expectativas do mercado de 900 mil a 1,2 milhão de toneladas. 

Ainda sobre a demanda, o consultor de mercado Flávio França Junior, da França Junior Consultoria, chama a atenção para os estoques da oleaginosa. "Mesmo com a safra norte-americana sendo muito grande, os estoques não sobem tanto, não está sobrando soja, o consumo é muito grande", diz. Na última sexta, números também trazidos pelo USDA mostraram que os estoques trimestrais dos EUA em 1º de setembro ficaram em 5,3 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo das 5,5 milhões da média das expectativas do mercado. 

Nesta semana, porém, exige atenção ainda a China fora do mercado já que as operações no país estão suspensas em função de um novo feriado nesta semana. Assim, mesmo que momentaneamente, a força trazida pela demanda poderia ficar ligeiramente comprometida, mas não de fora do radar dos traders. Na próxima quinta, afinal, chega o novo reporte do departamento norte-americano sobre as vendas para exportação. 

Na outra ponta, o mercado acompanha ainda a conclusão da safra 2016/17 dos Estados Unidos. De acordo com informações de agências internacionais, a semana poderá ser de clima mais chuvoso no Meio-Oeste americano, segundo as últimas previsões, podendo atrapalhar novamente os trabalhos de colheita por lá. Há ainda, como suporte para os preços, a comercialização que pouco evolui nos EUA - com os produtores aguardando por preços mais atrativos - e os fundos investidores também atuando com mais calma neste início da semana e do quarto trimestre do ano. 

Paralelamente, o plantio da nova safra do Brasil vai, aos poucos, ganhando terreno nas negociações em Chicago. Para Ênio Fernandes, esse deverá passar a ser o foco do mercado em mais, aproximadamente, 10 dias. Os trabalhos de campo parecem ainda se comportar de forma irregular nos principais estados produtores, uma vez que as chuvas também estavam irregulares. 

Uma estimativa da AgRural mostra que cerca de 5% da área estimada para a safra 2016/17 já havia sido plantada, contra 3% do mesmo período do ano passado. 

Leia mais:

>> Chuvas previstas para os próximos dias devem contribuir para o avanço do plantio da soja

Mercado Brasileiro

No Brasil, apesar da baixa expressiva do dólar de 1,41% - o que levou a moeda a registrar, segundo a Reuters, seu menor patamar desde agosto em R$ 3,2057 - as boas altas em Chicago permitiram o avanço das cotações da soja em algumas praças de comercialização. Nos portos, os preços também subiram. 

Em Ubiratã e Londrina, no Paraná, os ganhos passaram de 1% para a saca ser cotada a R$ 67,00, no Oeste da Bahia ganho de 1,22% para R$ 66,13 ou em Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, onde os valores subiram 2,86% para R$ 72,00 por saca. No porto de Paranaguá, alta de 1,32% no disponível e de 0,39% no mercado futuro, para R$ 77,00 e R$ 77,30, respectivamente. 

Apesar dos ganhos recentes, as fixações da safra nova de soja estão paradas em todo o Brasil. Os atuais preços são bem mais baixos do que os que serviram de referência para os negócios realizados há alguns meses e, por isso, bem pouco atrativos para que novos negócios possam ser efetivados. 

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>> Comercialização da nova safra de soja está travada em todo o Brasil

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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