Soja: Semana de preços mais competitivos no Brasil atrai compras da China esta semana

Publicado em 02/12/2016 16:50
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Embora a semana tenha sido agitada para os preços da soja e também para o câmbio, o mercado não contou com muitas notícias novas e foi apenas, como explicam consultores e analistas de mercado, refletindo cenários já conhecidos. No cenário internacional, a atenção acabou se voltando para o petróleo, após a chegada do acordo de corte na produção firmado pela Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), pela primeira vez em oito anos. No doméstico, a turbulenta cena política ganhou os notíciários e impactou diretamente no dólar. 

A disparada da moeda americana na última quinta-feira, 1º de dezembro, já a levou a superar largamente os R$ 3,40 e estimulou novos negócios nos últimos dias. A divisa terminou a semana, afinal, com uma valorização acumulada de 1,73% e cotada em R$ 3,4726, que é, segundo a Reuters, o maior valor desde 14 de julho. 

A movimentação da comercialização não foi tão intensa como a da última semana, mas segue registrando um ritmo melhor do que vinha sendo observado há alguns meses. Estimativas não oficiais indicam que o Brasil já conta com, aproximadamente, pouco mais de 40% da safra 2016/17 comercializada. 

Os patamares mais altos assumidos pelos preços praticados na Bolsa de Chicago, por outro lado, levaram os prêmios pagos pela soja a começarem um movimento de recuo nos portos brasileiros o que motivou, por outro lado, uma demanda maior pela soja nacional. Segundo a Agrinvest Commodities informou nesta sexta (2), há relatos de tradings pagando R$ 82,50 por saca, sobre rodas em Paranaguá, com o equivalente de 42 cents por bushel sobre Chicago. "O basis (prêmio) está fraco, porém, isso indica crescimento do line-up de soja para janeiro. Brasil tomando mercado nos EUA (...) Nessa semana, a China comprou entre 15 e 20 barcos de soja no Brasil".

Os preços da oleaginosa nos portos nacionais, segundo o levantamento feito pelo Notícias Agrícolas, recuaram nas referências para o produto disponível, enquanto se mantiveram estáveis no mercado futuro. No terminal de Paranaguá, os valores foram de, respectivamente, R$ 80,00 e R$ 82,00 por saca, enquanto em Rio Grande ficaram com R$ 81,50 e R$ 86,00 por saca. Ao longo da semana, as cotações para a soja da safra nova, no entanto, superaram esses patamares, principalmente em Rio Grande. 

No interior do Brasil, ao contrário dos portos, os preços da soja subiram em boa parte das principais praças de comercialização pesquisadas pelo Notícias Agrícolas. Em Ponta Grossa, no Paraná, por exemplo, alta de 3,9% para R$ 80,00 por saca; de 5,8% em Assis/SP para R$ 71,32 e de 2,99% para R$ 69,00 em São Gabriel do Oeste, no Mato Grosso do Sul. 

"Lembrando que o Brasil deve começar a colher no extremo oeste do Paraná e na região de Lucas do Rio Verde e Sorriso, Mato Grosso, após o dia 25 de dezembro. Essa primeira soja deve ser disputada pela indústria local, porém, a China já monitora há algumas semanas as ofertas de soja do Brasil", explica a analista de mercado da Labhoro Corretora, Andrea Sousa Cordeiro. 

Enquanto isso, no mercado internacional, os preços da soja continuaram refletindo seus fundamentos mais conhecidos e ansiosos por novidades. Seguem no radar dos traders e dos investidores, a demanda - especialmente da China - o clima na América do Sul e os desdobramentos do mercado financeiro internacional. As principais posições cederam pouco mais de 1% nesta semana na CBOT, com o vencimento maio/17, referência para a safra brasileira, encerrando os negócios com US$ 10,44 por bushel. 

Demanda

Nesta semana, os novos números de embarques e vendas para exportação semanais trazidos pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) em seus boletins foram, mais uma vez, impressionantes, além de confirmarem a China ainda muito presente nas operações. 

"As margens de esmagamento na China (que continuam muito positivas) permitem a continuidade desse viés de compras do país. Com estoques mais modestos de óleo, de farelo, eles ainda continuam com a necessidade de se manterem como compradores (muito ativos neste momento)", explica Andrea. Dados chineses indicaram que, na semana, os estoques de farelo de soja no país permaneceram abaixo das 500 mil toneladas, contra níveis superiores a 1 milhão de 2015, nesse mesmo período. O quadro, portanto, mantém os preços do derivado em alta.

E ainda pelo USDA, foi anunciada uma nova venda de soja em grão para os chineses de 123 mil toneladas do grão da safra 2016/17 dos EUA. 

Clima na América do Sul

Por ora, as condições de clima na América do Sul se mostram favoráveis na maior parte das regiões produtoras, depois de alguns percalços enfrentados pela Argentina. No Brasil, o Mato Grosso do Sul preocupa. Algumas porções do estado não recebem chuvas há mais de 30 dias e em Caarapó, por exemplo, a baixa na produtividade pode ser de até 20%. 

“A soja está perecendo na nossa região e a queda na produtividade pode superar os 20%. E mesmo que o clima se normalize de agora em diante já temos perdas consolidadas, que serão quantificadas apenas na colheita. Em alguns lugares, as precipitações ainda podem minimizar os prejuízos. Inclusive, na minha propriedade, os representantes das seguradoras já vieram acompanhar o desenvolvimento da soja, para depois não termos frustração em relação ao seguro”, relatou o produtor local,  Renato Ferreira.

O desenvolvimento das condições climáticas, portanto, continuará a ser acompanhado e, ainda como explicam analistas e consultores, será um importante direcionador para as cotações. 

Na próxima semana

Para a próxima semana, no entanto, o andamentos dos negócios na Bolsa de Chicago vai acompanhar uma lista longa de novos fatores, tanto no cenário interno, quanto no externo.

Segundo explica o economista da Apexsim, Guilherme Zanin, "no interno teremos reunião a ata do Copom, explicando porque o corte de 0,25% e não 0,5% nos juros. E o BC mostra que está preocupado com o cenário externo (efeito Trump e juros americanos), por isso não corta mais, mas acredita que na inflação local baixando bastante. Isso deve influenciar o câmbio". Já no externo, "temos dois fatores importantes: sexta-feira que vem (9) tem o USDA mensal de oferta e demanda e o mercado vai passar a semana querendo saber se departamento já considera uma redução na produção brasileira de soja para esta safra. Nós acreditamos que aqui não, mas na Argentina sim. (...) E o câmbio é o segundo fator. A semana que vem é a última antes da reunião do FOMC", completa. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    A soja brasileira continua sendo a soja mais cara do mundo como tem acontecido nos últimos anos. Ocorre que o frete oceânico do Brasil para a China é us$10,00 mais barato que o frete do Estados Unidos para o mesmo destino. A China não está trocando as compras dos EUA para o Brasil, apenas iniciou sua campanha de compras mais agressivas do Brasil como sempre ocorre, com, pelo menos, 3 meses do inicio dos embarques. Este é o tempo que se impõe para o afretamento do navio, que acontece simultaneamente com a compra da soja. É levado em conta a viagem de ida e volta do navio do Brasil para a Ásia e vice-versa. A China não pode abandonar as compras da origem norte-americana porque precisa das 2 (duas) origens embarcando soja concomitantemente. Do contrário, viverá frequentes períodos de escassez de soja para suprimento interno como tem acontecido nos últimos meses. Os Estados Unidos não estão dando conta de suprir os mercados de consumo global, após a drástica redução dos embarques do Brasil e da Argentina por perdas da safra de 2015/16. Toda a tentativa de dizer que os chineses estão abandonando as compras americanas é para induzir a queda dos preços. Muitos repetindo a mesma mentira, pode se tonar uma verdade por algum tempo

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