Fundos aumentam aposta nas commodities agrícolas; soja lidera as altas

Publicado em 05/12/2016 16:33
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A semana começou agitada - e bastante positiva - para as commodities agrícolas, principalmente os grãos e o algodão nesta segunda-feira (5). Como explicam analistas internacionais, os fundos de investimento ampliaram suas posições entre as agrícolas, intensificando suas "apostas de alta" entre elas. 

Especuladores, como reporta o portal britânico Agrimoney, administraram volumes consideráveis de recursos aplicados entre futuros e opções de cerca de de 13 principais commodities agrícolas, de milho a açúcar. E as apostas de altas, ainda como explicam os executivos, se dão especialmente sobre os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago, onde a cobertura de posições mais longas cresceu mais de 21 mil lotes, chegando à máxima de quatro meses com 135 mil. 

O gráfico a seguir, elaborado pelo economista Guilherme Zanin, da Contrato Futuro, ilustra esse movimento intenso do fundos na última semana. "Eles estão entrando comprados em todos os produtos agrícolas, acreditando na alta. São aproximadamente 20 mil contratos, saíram de 110 mil para 130 mil comprados. E os player comerciais vendendo a preços cada vez mais altos", explica. 

Movimento dos Fundos - Fonte: Contrato Futuro

Movimento dos Fundos - Fonte: Contrato Futuro com dados COT/USDA

"Os recursos administrados continuam comprando soja", informa o grupo Water Street Solutions. Já o Commonwealth Bank of Australia diz que "os investidores intensificaram suas participação entre as posições compradas de soja. Assim, a Benson Quinn Commodities faz um alerta. "Ter posições elevadas - embora abaixo do pico de 200 mil lotes alcançado em junho - significa que os fundos tê, espaço suficiente para promover um movimento de vendas". 

Atenção à Argentina

As condições da safra de soja da Argentina parecem ganhar cada vez mais a atenção dos investidores, os quais acreditam que o desenvolvimento da temporada 2016/17 poderá ser um fator crucial para o destino dos futuros da soja a partir de agora. O plantio ainda está em processo no país e algumas áreas sofrem ainda com déficits sérios de umidade no solo e, por isso, chamam a atenção. 

"Como já vínhamos antecipando, os fundos passaram a especular sobre uma possibilidade de veranico na Argentina. Existe uma preocupação sobre seca em uma área do Sul do corredor de produção, que corresponde a 1/3 da produçao do país", explica a analista de mercado Andrea Sousa Cordeiro, da Labhoro Corretora. 

E caso as condições na Argentina continuem a se deteriorar ainda mais, essa posição dos fundos ainda pode ser reavaliada. Já nesta segunda, a consultoria Informa Economics revisou seus números para a safra argentina e baixou sua estimativa para a produção de soja de 56,5 milhões para 56 milhões de toneladas. 

As últimas previsões climáticas, além de tudo, seguem indicando que o tempo seco deverá se manter nos próximos dias. E a parte que mais preocupa neste momento é a região Sul do cinturão de produção, com poucas chuvas previstas para os próximos dias. No intervalo dos próximos oito dias, ainda como informa a Labhoro, as três principais províncias produtoras de soja da Argentina contam apenas com precipitações muito fracas. 

Previsão de Chuvas - Argentina - 7 Dias - Fonte: NOAA

Previsão de Chuvas para a Argentina nos próximos 15 Dias - Fonte: NOAA

Já no período a seguir, de 13 a 21 de dezembro, as chuvas podem ficar ainda mais escassas em território argentino, além do Rio Grande do Sul e Nordeste do Brasil. 

Previsão de Chuvas - Argentina - 15 Dias - Fonte: NOAA

Previsão de Chuvas para a Argentina nos próximos 15 Dias - Fonte: NOAA

Além de toda a preocupação com a Argentina, há ainda um cenário já conhecido da firmeza da demanda pela oleaginosa. A China, bem na frente dos demais importadores, traz um ritmo de compras bastante expressivo nesta temporada, bem como o de vendas nos Estados Unidos também está intenso e com números que já superam largamente os do ano comercial 2015/16. As vendas para exportação já contam com mais de 74% do total estimado para ser exportado comprometido. E nesta segunda, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) indicou uma nova e grande venda de 426 mil toneladas de soja para a nação asiática, sendo todo o volume da safra 2016/17. 

Além da soja

Óleo - Os fundos aumentaram suas apostas ainda sobre os futuros do óleo de soja negociados em Chicago, em cerca de 16 mil lotes. O estímulo, nesse caso, deu-se pelos bons preços observados no concorrente óleo de palma e no mandato recente do governo norte-americano para a maior utilização de biocombustíveis nos EUA, o que irá demandar um maior volume de óleo de soja no biodiesel. 

Trigo - No trigo, situação semelhante. Os fundos também aumentaram suas posições, principalmente no trigo negociado no Kansas, diante das preocupações com o tempo seco tambem em partes dos Estados Unidos, que preocupa em função de algumas áreas já plantadas da nova safra. Entretanto, esse aumento das compras no Kansas contrasta com um recente movimento de venda de posições em Chicago, o que exige cautela, acompanhamento e atenção com os próximos movimentos dos preços em ambos os mercados.

Açúcar - Na contramão, entre as quatro principais soft commodities negociadas na Bolsa de Nova York, os fundos cortaram suas posições mais alongadas em mais de 11 mil contratos, alcançando suas mínimas em cinco meses, entre os futuros do açúcar.

Café Arábica - No café arábica, os fundos especuladores já teriam cortado, ainda com informa o Agrimoney, aproximadamente mais de 7,6 mil lotes de suas posições mais alongadas, registrando seu nível mais rápido desde o último maio. O movimento, como explicam analistas internacionais, se dá diante de menores preocupações com a nova safra brasileira, o que vem ainda promovendo um recuo acentuado das cotações em Nova York nas últimas semanas. "A maior parte do movimento é técnico, mas o clima no Brasil está excelente, com boas chuvas, até mesmo nas áreas de robustas que foram, recentemente, castigadas pela seca", informou, em nota o Rabobank. 

Algodão - No algodão, movimento contrário. Assim como na soja ou no óleo, os fundos também aumentaram suas posições mais longas em algo próximo de 3 mil lotes, para alcançar algo como 83,474 mil contratos e alcançar seu mais elevado nível em dez anos. O principal suporte para os preços e, portanto, para o movimento dos fundos vem dos baixos estoques da commodity na Índia.

Com informações do portal internacional Agrimoney. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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