Argentina: Chuvas não resolvem a seca, mas mantêm mercado volátil na CBOT

Publicado em 20/12/2016 10:44
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O clima na América do Sul volta ser o centro das atenções no mercado internacional da soja. Regiões que vinham sofrendo com o tempo seco na Argentina, atrasando, inclusive, o plantio da safra 2016/17, receberam boas chuvas no último final de semana e a mudança acabou tirando parte do prêmio de risco climático que vinha sendo observado sobre as cotações da oleaginosa na Bolsa de Chicago. Assim, a commodity, nesta terça-feira (20), já registra sua segunda sessão consecutiva de baixas. 

Importantes regiões produtivas do país foram beneficiadas com volumes que chegaram a até 50 mm, principalmente na província de Buenos Aires. E, de acordo com informações do portal Infocampo, um informe do Serviço Nacional de Meteorológico da Argentina indica que há um alerta para chuvas fortes no Chaco, Corrientes, Formosa, Misiones, leste de Salta, norte de Santa Fé, Santiago del Estero e Tucumán. Em alguns pontos, os acumulados pode chegar a 80 mm. 

As precipitações, no entanto, não foram generalizadas e alguns pontos ainda sentem o impacto do tempo seco, como Córdoba, por exemplo. Nessa região, os riscos ainda existem e, portanto, as chuvas continuam a ser esperadas. "Muitas zonas de Córdoba, Santa Fe, Entre Ríos, Buenos Aires e La Pampa ainda precisam de água e com urgência", acrescentou Joaquín Lascombes, consultor em tecnologia e sensores remotos em entrevista ao La Nación. 

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A mudança do clima acontece em um momento em que os níveis de umidade nos solos argentinos estão baixos e não serão facilmente recuperados para níveis adequados. "Ainda é questionável quanta melhora essas últimas chuvas trarão à umidade do subsolo e essa será a chave no potencial das safras em janeiro e em quais serão seus reais níveis de stress", explica o especialista do World Weather, Drew Lerner. 

As últimas informações mostram que, nas últimas 24 horas, o maiores acumulados foram registrados nos extremos norte e sul da Argentina, com volumes de até 30 mm, como ilustra o mapa a seguir, do Serviço Meteorológico Nacional da Argentina. 

Chuvas acumuladas nas últimas 24h na Argentina - Fonte: SNM

Chuvas acumuladas nas últimas 24h na Argentina - Fonte: SNM

Já na próxima quarta e quinta-feiras, algumas chuvas podem ser registradas em Buenos Aires, leste de San Juan, norte de San Luis, Córdoba, centro e sul de Santa Fé e Entre Rios, ainda de acordo com o serviço. O mapa abaixo indica, na linha verde, as regiões com chances de chuvas entre 19 de 25 de dezembro. 

Previsão de chuvas para Argentina de 19 a 25 de dezembro - Fonte: SNM

Previsão de chuvas para Argentina de 19 a 25 de dezembro - Fonte: SNM

Previsão de Chuvas para a Argentina até 28 de dezembro - Fonte: MDA Weather Services

Previsão de Chuvas para a Argentina até 28 de dezembro - Fonte: MDA Weather Services


Impacto sobre o mercado

Em Chicago, os reflexos já são claros entre os futuros da soja nos últimos dias. A volatilidade, portanto, deve continuar. 

"Agora a grande questão para os preços é o clima na América do Sul, e é isso que estão nos dizendo estas chuvas na Argentina", acredita o economista e analista de mercado da Granoeste Corretora, Camilo Motter. "Ou seja, tem um prêmio climático muito dilatado em razão das dúvidas relativas à produção em um ano de mudança no padrão do clima. Por esta razão é normal que haja mais volatilidade e tensão", completa. 

Nesta temporada, ainda como explica Motter, a influência das notícias climáticas carregam um peso ainda maior dada a forte presença dos fundos de investimento neste mercado. Assim, confirmada uma safra cheia, os preços tendem a se acomodar em patamares mais baixos daqueles observados nesse momento. Enquanto isso, equilibrando o andamento das cotações - porém, dando espaço também para volatilidade - está ainda a demanda, que é muito intensa nesta temporada. 

"Minha impressão é de que o clima, ainda desconhecido, pela frente, deverá ser mais importante do que a demanda forte, que já é mais conhecida", diz o analista da Granoeste. "Acredito que vamos ter essa volatilidade até o final de fevereiro". 

E Motter afirma ainda que as baixas recentes não decretaram o fim do prêmio de risco climático em Chicago, já que estes foram apenas reduzidos, ainda permanecendo no radar dos traders e dos fundos investidores. "Isso vai acontecer somente por fins de fevereiro, março, quando a safra estiver colhida. Aí sim não teremos mais prêmio climático, aí vale o tamanho da efetivo da safra", explica. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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