Soja ainda tem suporte na demanda, mas volatilidade e realização com clima na América do Sul

Publicado em 28/12/2016 17:47
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O mercado internacional da soja, na sessão desta quarta-feira (28), até chegou a testar a continuidade do movimento de alta do dia anterior, porém, no início da tarde voltou a cair e fechou o dia em baixa na Bolsa de Chicago. Com todas as principais posições ainda acima dos US$ 10,00 por bushel, as perdas foram de pouco mais de 6 pontos. O contrato maio/17, importante indicativo para o produtor brasileiro, voltou a encerrar com menos de US$ 10,30 por bushel. 

Como explicam analistas e consultores, essa volatilidade dos preços na CBOT é natural deste período de final de ano, principalmente pela influência do clima na América do Sul. E as condições nos principais produtores - Brasil e Argentina - neste momento, acentuam essa condição, já que passam a ser mais irregulares do que vinha sendo observado nas últimas semanas. Nos dois países, afinal, as lavouras de soja - e também de milho - se encontram em fases determinantes e ainda podem sentir de forma expressiva a influência do tempo. 

As últimas previsões, de acordo com especialistas internacionais, é de que o clima fique mais seco a partir deste final de semana e nos próximos 10 dias na América do Sul. Assim, Joe Lardy, corretor da CHS Hedging, acredita que "os prêmios de risco climático estão sendo colocados de volta na soja com os potenciais problemas que ainda assombram a safra sulamericana". 

Um informe da Somar Meteorologia divulgado nesta quarta indica que as principais regiões pordutoras de soja no Brasil só deverão voltar a receber chuvas intensas a partir de janeiro. "Enquanto o tempo pouco chuvoso nesta semana deve beneficiar aqueles produtores com soja pronta para a colheita, as chuvas previstas para o início de janeiro devem ajudar no desenvolvimento das lavouras que ainda precisam de umidade para obterem boas produtividades", informa a Somar. 

Algumas poucas áreas do país onde as lavouras foram plantadas com bastante antecedência tiveram sua colheita iniciada em Mato Grosso. 

Na Argentina, a região que ainda preocupa e mantém as lavouras de soja ameaçadas em função do clima é a Sudeste. As chuvas fortes que chegam às demais áreas do país não favorecem a localidade e o déficit hídrico ainda é sério e exige acompanhamento. Alguns pontos do Norte argentino, inclusive, estão já alagados em função das precipitações dos últimos dias. 

"Nas últimas duas chuvas, o registro acumulado foi de 5mm até os 50mm, apresentando situações muito díspares, com umidade para plantar em algumas áreas, mas em outras, sem umidade suficiente", disse Esteban Bilbao, assessor, em entrevista ao jornal La Nacion. 

Do outro lado, a demanda. Enquanto os fundos seguem muito ativos nesse mercado e muito atentos à questão climática, ainda dividem seu tempo com o consumo forte e o ritmo muito acelerado das exportações norte-americanas nessa temporada. De acordo com os últimos reportes do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), tanto as vendas para exportação, como os embarques de soja do país, no acumulado do ano comercial 2016/17 superam muito os volumes da tempora anterior. Do total estimado para ser exportado nessa safra, 84% da oleaginosa norte-americana já estão comprometidos. 

Analistas internacionais acreditam que, nesse ritmo, no próximo boletim mensal a ser divulgado em 12 de janeiro, o USDA pode aumentar as exportações de soja, deixando para trás as 55,79 milhões de toneladas esperadas atualmente. E são essas informações e essas expectativas que, ainda de acordo com os especialistas, devem continuar atuando como principais suporte e combustível para as cotações no mercado internacional. 

Preços no Brasil

No Brasil, o dólar conseguiu algum fôlego frente ao real e fechou a quarta-feira em alta. A divisa subiu 0,21% e encerrou os negócios cotado a R$ 3,2805, em uma dia em um melhor volume de operações e com significativo fluxo de compras, segundo informou a Reuters. 

"Houve um fluxo de compra de dólares, sobretudo após a formação da Ptax de hoje", disse o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva à agência de notícias. 

O dólar em alta motivou um ganho de 1,33% para a referência da soja disponível no Porto de Paranaguá, onde o preço foi a R$ 76,00 por saca. O valor no mercado futuro, porém, seguiu estável nesta quarta, sem alterações. Em Rio Grande, na contramão, os preços da oleaginosa recuaram e perderam, respectivamente, 0,64% e 0,25%, para R$ 78,00 e R$ 80,00. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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