Soja: Mercado nacional inicia semana recuando mais de 1% com pressão da CBOT e dólar

Publicado em 23/01/2017 18:10
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Os futuros da soja voltaram a recuar na sessão desta segunda-feira (23) na Bolsa de Chicago, com a chegada de novas previsões de clima indicando condições melhores de clima na Argentina nestes próximos dias. O mercado internacional, portanto, começpu a semana perdendo pouco mais de 7 pontos entre as posições mais negociadas, sentindo e confirmando a volatilidade típica do mercado climático. 

Acompanhando o recuo na CBOT e refletindo ainda o dólar encostando nos R$ 3,16 neste início de semana, os preços da oleaginosa deram início aos trabalhos no Brasil também atuando em campo negativo. No porto de Paranaguá, as referências tanto do disponível, quanto do mercado futuro caíram 0,65% para R$ 77,00 por saca. Já em Rio Grande, baixa de 0,64% no disponível, para R$ 78,00, e de 1,86% para R$ 79,00 no mercado futuro. 

No interior do país, as cotações cederam mais de 1% em praças do Paraná, Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, onde oscilam, no fechamento desta sefunda, entre R$ 68,00 e R$ 74,00 por saca. Já nas praças do Centro-Oeste, com indicativos de R$ 61,00 a 68,00, os preços se mantiveram estáveis neste início de semana. 

No link abaixo, confira os preços completos desta segunda-feira:

>> COTAÇÕES DA SOJA

Dólar 

O recuo do dólar neste primeiro pregão da semana foi motivado, segundo especialistas ouvidos pela agência de notícias Reuters, ainda pelo discurso de posse do presidente Donald Trump feito na última sexta-feira (20). Apesar de trazer poucas surpresas, o discurso foi considerado protecionista e segue sendo observado e analisado pelo mercado. Assim, a moeda bateu em seu menor patamar em mais de dois meses, fechando com baixa de 0,43% em R$ 3,1688. 

"Em tom de cautela, os mercados iniciaram a primeira semana do governo Donald Trump com o pé no freio, refletindo as preocupações com a anunciada gestão protecionista a ser implementada por Trump", informou a corretora Correparti em relatório a clientes.

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Bolsa de Chicago

Na Bolsa de Chicago, as previsões de dias menos chuvosos na Argentina pesaram sobre as cotações nesta segunda-feira, com o março encerrando o dia em US$ 10,57 por bushel e o maio/17, referência para a safra do Brasil, com US$ 10,66. 

A semana deverá trazer condições de tempo bem diferente do registrado nos últimos dias e mexer com a direção do mercado, segundo acreditam especialistas, principalmente na Argentina. No Brasil, as áreas que mais exigem acompanhamento continuam sendo as que já avançam com seus trabalhos de colheita. O quadro climático na América do Sul tem sido, nos últimos dias, o fator principal de direção para as cotações da soja, influencia também o milho, mesmo que de forma mais discreta.

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Como explica o diretor de inteligência de mercado da INTL FCStone, Thadeu Alves, a preocupação com a oferta da América do Sul se intensifica na medida em que a força da demanda se também cresce. O consumo mundial tem crescido, nos últimos cinco anos, de 14 a 16 milhões de toneladas por ano e a produção, portanto, deve crescer na mesma proporção. 

"O Brasil deve aumentar sua produção de 7 a 8 milhões de toneladas em relação à safra 2015/16, enquanto o potencial das 56 milhões da Argentina da temporada anterior não dever ser alcançado. No Paraguai, a safra deve crescer umas 500 mil toneladas", explica o diretor. 

Nesta segunda, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trouxe seu novo reporte semanal de embarques semanais e, mais uma vez, indicou números fortes no país. Na semana encerrada em 19 de janeiro, os EUA embarcaram 1.290,777 milhão de toneladas de soja, contra 1.420,068 milhão da semana anterior. Assim, o total embarcado em toda a temporada comercial 2016/17 já chega a 37.151,702 milhões de toneladas, contra 31.777,316 milhão da anterior, neste mesmo período. 

Acompanhando, portanto, a relação entre os fundamentos de oferta e demanda, o espaço para novas altas entre os futuros da commodity é amplo, segundo Alves. No entanto, "temos ainda toda uma economia internacional que pode influenciar os preços também daqui para frente, como uma baixa nos preços do petróleo, por exemplo", diz. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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