Com vendedores retraídos, prêmios para a soja podem subir nos portos do Brasil

Publicado em 02/02/2017 13:56 e atualizado em 02/02/2017 16:45
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O Brasil já tem, aproximadamente, pouco mais de 40% da safra 2016/17 comercializada e para negociar o volume restante o produtor brasileiro vai ter de dobrar sua atenção sobre os braços que formam os preços daqui em diante. E os prêmios pagos pela oleaginosa nos portos do Brasil poderão ser um dos principais diferenciais para que os preços voltem a patamares que possam voltar a atrair os vendedores.

A demanda pela soja brasileira segue muito aquecida e os navios continuam chegada aos portos do país com a intenção de garantir seus embarques em fevereiro, porém, esse movimento vai depender da evolução dos prêmios, segundo explicam analistas e consultores de mercado. Os vendedores, afinal, permanecem retraídos com os preços atuais ainda distantes de seus alvos. 

"Os prêmios ainda não têm mudado muito em relação à semana passada, mas acredito que a partir das próximas semanas, pode haver uma reação na procura por grão e forçar o prêmio um pouquinho para cima", explica Vlamir Brandalizze. Nos últimos 20 dias, inclusive, com a chegada da nova oferta, as principais posições de entrega perderam um pouco de força nesses prêmios. 

No terminal de Paranaguá, em relação ao dia 9 de janeiro, os valores pagos sobre as referências de Chicago caíram mais de 15%, mas ainda são positivos. Para março, são 45 cents de dólar sobre a CBOT e para abril, 40 e maio, 45. Há cerca de 20 dias, essas referências eram de, respectivamente, 55 e 48 centavos. 

Dessa forma, ainda segundo acredita o consultor, a postura do produtor de manter-se retraído e evitando efetivar novas vendas está correta nesse momento. "O mercado tem que girar. O comprador precisa do grão, o mercado internacional precisa transportar o grão, os navios estão aí para carregar a demanda dos países compradores continua a crescer. Além disso, o inverno está muito forte em todas as regiões, a demanda de farelo e óleo está bem aquecida no mercado global e o mercado vai precisar repor essa matéria-prima a partir de março, então, os embarques têm que ser agora em fevereiro", diz. 

Um levantamento da Brandalizze Consulting mostra que ainda é grande entre os prêmios pagos no Brasil entre o que pedem os vendedores e o que ofertam os compradores neste momento. Para a soja em grão comk entrega em fevereiro, o comprador oferece 60 cents sobre Chicago e os vendedores sinalizam US$ 1,20, enquanto para março essa diferença é de 45 cents  para US$ 1,00. Até que esse espaço diminua, portanto, os negócios ainda devem seguir restritos. 

Com esses prêmios, as referências - também do lado dos compradores - para a soja negociada nos portos se mantêm entre R$ 75,00 e R$ 76,00, com momentos pontuais de R$ 78,00 por saca para o período de maio a julho, e ainda sem atrair vendedores que aceitem tais indicativos. Nem mesmo os negócios com o pouco que resta disponível da safra velha tem sido comercializado, ainda segundo relatam produtores e consultores de mercado. 

A expectativa do economista e analista de mercado Camilo Motter, da Granoeste Corretora de Cereais, é semelhante, no entanto, afirma que esses prêmios mais significativos poderiam vir acompanhados de uma pressão um pouco maior sobre os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago. 

"A formação dos preços poderia perder um pouco esse viés histórico. Os prêmios ganhariam importância, sobretudo em países como Brasil e Argentina, porque haveria uma demanda maior por aqui", explica. Ao mesmo tempo, lembra ainda das chuvas que continuam chegando a importantes regiões produtoras do Brasil e travando o ritmo da colheita no país, o que poderia atrasar ainda mais a chegada da nova oferta aos terminais. 

No Centro-Oeste do Brasil, as chuvas continuam chegando ainda de forma regular e atrasando os trabalhos de campo em pontos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. De acordo com a Climatempo, uma área de baixa pressão entre o MS e o Paraguai avança pelo estado e podem provocar chuvas fortes. 

"Não se pode descartar que esse sistema venha provocar temporais em São Paulo, metade sul do Mato Grosso, de Goiás, triângulo e sul de Minas Gerais ao longo do dia. Em grande parte da região Sul, Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia também são esperadas pancadas de chuva", informa a empresa.

Prêmios nos EUA x Concorrência com o Brasil

E a concorrência da soja brasileira com a norte-americana aumenta neste momento, com os preços FOB de ambos os produtos estão quase nos mesmos níveis. O mesmo deve acontecer com a soja da Argentina. E essa relação deve se intensificar com a volta da China do feriado do Ano Novo Lunar nesta quinta-feira (2) buscando mais soja. 

"Os traders chineses voltam lentamente ao mercado até o fim dessa semana, após o feriado de Ano Novo Lunar. As margens de esmagamento de soja na indústria doméstica da China continuam operando no positivo. E apesar de um começo de ano “morno”, os asiáticos já adicionaram um número considerável de navios para a importação da soja mundial, a partir de meados de fevereiro", informa a AgResource Company em seu reporte diário. 

Soja - Preços FOB - AgResource

Atualmente, a tonelada da soja para entrega em fevereiro tem US$ 385,00 em Paranaguá e US$ 393,00 no Golfo do México. Quando se usa a referência, março, porém, esses valores vão a, respectivamente, US$ 401,00 e US$ 392,00. Observando os prêmios, o março tem, ainda de acordo com um levantamente feito pelo AgResource, 45 cents sobre Chicago e, no Golfo, 43 cents. 

Soja - Preços Futuros nos Portos - AgResource

Para analistas da Agrinvest Commodities, esse movimento de uma maior - mesmo que ainda pequena - vantagem dos EUA sobre o Brasil poderá trazer os produtores americanos nesse momento, "apesar da vantagem brasileira de frete". 

Até a última sexta-feira (27), o lineup brasileiro era de 4,5 milhões de toneladas. "E o lineup brasileiro está bem ligado à situação do mercado. Muita demanda de físico chegando ao Brasil. China já está bastante coberta para o mês de fevereiro", explica ainda a AgResource.

Lineup Soja Brasil - Fonte: AgResource

 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

1 comentário

  • RUDINEI MARTINS PINTO nova xavantina - MT

    Sou produtor e acho que esse mercado vai surpreender com novas altas em fevereiro..., estamos tendo vários problemas climáticos, inclusive no centro-oeste. A colheita não está andando bem, chuvas intensificando atrasos nos trabalhos, e o produtor está segurando vendas por já ter vendido parte dos seus custos la em maio a agosto de 2016 (aproveitando o bom momento). Agora só vai efetuar vendas pra eventuais despesas... tenho conversado com vários produtores e todos falam a mesma língua, não vamos vender nesses preços!!!

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    • Carlos William Nascimento Campo Mourão - PR

      Aqui na região já começaram a chegar cargas de soja nos compradores com grãos brotados. Cargas de soja Intacta claro. Notícias de produção de 30 sacas por hectare em solos mistos e arenosos, por causa do calor e seca de janeiro. Aqui também só se vende o necessário.

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    • Rogerio mendes lopes Morrinhos - GO

      O nosso problema é que não temos armazenagem,muitos produtores entregam a soja no sistema balcão,assim mesmo que não tenha vendido a soja segue direto para abastecer o mercado,ou seja,vira óleo e farelo aqui dentro do país ou segue para abastecer os navios esperando nos portos!

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