AgRural eleva estimativa de safra de soja do Brasil para recorde de 116,2 mi t

Publicado em 02/02/2018 17:28
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Por José Roberto Gomes

SÃO PAULO (Reuters) - Produtividades melhores do que as esperadas levaram a consultoria AgRural a estimar nesta sexta-feira um recorde de produção de soja na safra 2017/18 no Brasil, já em colheita.

Em nova projeção para a temporada, a consultoria apontou uma produção no atual ciclo de 116,2 milhões de toneladas, superando tanto as 114 milhões projetadas em janeiro quanto as 114,1 milhões registradas em 2016/17, quando as condições climáticas foram consideradas "perfeitas".

A perspectiva de uma safra recorde da AgRural, uma das mais otimistas entre especialistas, contrasta com as preocupações no início do plantio, quando uma forte seca entre setembro e outubro levou o setor a considerar perdas de produtividade. De lá para cá, no entanto, o tempo ajudou.

"O aumento em relação a janeiro deveu-se a ajustes positivos nas produtividades esperadas no Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Rondônia e nos três Estados do Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás)", comentou a AgRural, em nota.

Uma nova safra recorde no Brasil, o maior exportador da oleaginosa, tem potencial para pressionar os preços internacionais do produto.

A consultoria estima o rendimento das lavouras brasileiras em 55,8 sacas por hectare, ante 54,6 sacas em janeiro e 56,1 sacas em 2016/17.

A produtividade menor neste ano frente o anterior é compensada pela maior área plantada, já que muitos produtores migraram do milho para a oleaginosa em 2017/18 por questões de preços.

Segundo a AgRural, a semeadura ocupa um recorde de 34,7 milhões de hectares, aumento anual de 2,4 por cento.

Dessa área total, 6,4 por cento havia sido colhida até quinta-feira, contra 10,1 por cento há um ano e 6,3 por cento na média de cinco anos.

"Mato Grosso segue puxando o ritmo, com colheita já finalizada em 20,5 por cento de sua área. Os trabalhos, entretanto, perderam um pouco do fôlego devido às chuvas registradas nos últimos dias. Apesar dos grandes volumes... a maioria dos produtores conseguiu manter as máquinas em campo porque as chuvas foram intercaladas por aberturas de sol. Além disso, não há relatos de perdas por excesso de umidade."

Conforme a AgRural, há colheita também em Rondônia, Goiás, Pará, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Bahia, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina.

"Para o Rio Grande do Sul e o Matopiba (região composta por Maranhão, Tocantinas, Piauí e Bahia), onde a produtividade se define em fevereiro, a previsão para os próximos 15 dias é de tempo favorável ao enchimento de grãos", acrescentou a consultoria.

MILHO

A AgRural disse que a colheita do milho 1ª safra, de verão, segue concentrada no Rio Grande do Sul, alcançando no centro-sul do país 6,6 por cento da área semeada, ante 6,2 por cento há um ano e 8,1 por cento na média recente.

Também há registros de atividades de campo em Santa Catarina (4 por cento) e Paraná (0,2 por cento).

Em relação ao milho 2ª safra, de inverno, o plantio atingia 10,6 por cento da área esperada no centro-sul até quinta-feira, aquém dos 13,6 por cento de um ano atrás, mas em linha com a média de cinco anos (10 por cento).

Mato Grosso lidera, com 24,3 por cento, seguido por Goiás (1,2 por cento), Minas Gerais (0,5 por cento) e Paraná e Mato Grosso do Sul (0,4 por cento cada).

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Fonte: Reuters

1 comentário

  • Márcio José Gasparelo Rio Verde - GO

    Todo ano vem essas consultorias só pra lascar o produtor não hora da colheita pra derrubar os preços; começaram com 108 milhões agora já estão em 116 milhões... será q foi invenção da mídia? ... e outra coisa: o Paraná teve excesso de chuvas, parte do rio grande do sul, partes de Goiás e Mato Grosso registram-se falta de chuvas e altas temperaturas... todo mundo sabe q essa safra não vai ter mesmos rendimentos q a safra passada, mas essas consultorias insistem dizer o contrário para pressionar o mercado...

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    • elcio sakai vianópolis - GO

      As estimativas divulgadas são do tipo SE COLAR, COLOU !!!.... Bom pros compradores de grãos, mas ruim pros produtores. Quando a real safra vier à tona parte dos produtores já terão vendido uma boa quantia de seus produtos..., como os analistas demoram praticamente um mês pra aceitarem as adversidades que acontecem neste momento, acredito que apenas em marco de 2018 os analistas de plantão irão colocar em suas planilhas as quebras de produtividade que estão acontecendo neste mês de fevereiro no nosso país. Provavelmente a partir de abril teremos a divulgação das quebras generalizadas ocorrido em plena colheita de fevereiro. A partir deste momento pode ser que o preço comece a reagir; em maio é a colheita da Argentina, e em junho já deve começar a ter a especulação climática dos Estados Unidos..., se neste momento ainda tivermos os efeitos do la-niña, (mesmo sem ela, leva-se um tempo pro clima se estabelecer), pode-se esperar grandes oscilações no mercado internacional de cereais. Essa é a minha opinião.

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