Soja: Com Chicago estável e dólar perdendo mais de 1%, preços recuam nos portos do Brasil

Publicado em 06/03/2018 18:00
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Na sessão desta terça-feira (6), o mercado da soja na Bolsa de Chicago fechou com leves baixas entre as posições mais negociadas, depois de trabalhar durante todo o dia com estabilidade e em campo negativo. As perdas ficaram entre 2 e 2,75 pontos, com o maio/18 encerrando os negócios com US$ 10,74 por bushel. 

O mercado internacional aproveitou o momento para uma tomada de fôlego após consecutivos pregões de alta, e realizou parte dos lucros. Os olhos dos traders, no entanto, não se desviam dos fundamentos que ainda dão sustentação às cotações neste momento, especialmente as notícias que vêm da Argentina mostrano o tempo quente e seco que castiga as lavouras e reduz mais ainda seu potencial. 

"O mercado esteve sob pressão nesta terça-feira na medida em que foi observada uma realização de lucros em todo o complexo de grãos", disse o analista internacional Karl Setzer, da MaxYield, ao portal britânico Agrimoney. "E isso ficou mais evidente na soja e no trigo, que foram os produtos que mais subiram recentemente", completa. 

Segundo explica o analista de mercado da Agrinvest Commodities, Eduardo Vanin, além desse movimento, há ainda uma influência dos traders buscando, nesta semana, se ajustar e se posicionar antes da chegada do novo boletim mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Os números serão reportados na quinta-feira, dia 8. 

Além disso, os fundos investidores estão em posições compradas recorde no farelo de soja - em decorrência da quebra da safra Argentina, que é maior produtora e exportadora mundial do derivado - e, assim, também aproveitam o cenário para realizar parte dos lucros. 

Chicago x Preços no Brasil

No Brasil, a terça-feira foi de estabilidade em praticamente todas as principais praças de comercialização do interior do país. Além de pouca movimentação em Chicago, as cotações viram ainda o dólar ceder mais de 1% somente nesta sessão, que é a terceira consecutiva de baixas. A moeda americana terminou o dia com R$ 3,21. 

Um maior apetite ao risco no cenário externo e mais o resultado do julgamento no Supremo Tribunal de Justiça (STJ) contra o habeas corpus preventivo do ex-presidente Lula deram espaço para essa nova baixa, segundo especialistas. 

"Sabe-se que o presidente Donald Trump não encontra apoio no próprio partido Republicano, encontrando-se isolado na defesa do protecionismo. Reduzem-se, assim, os temores de uma guerra comercial global", trouxe a Sul América Investimentos em relatório reportado pela agência de notícias Reuters.

E uma corretora local, também pela nota da agência, disse que "já estava no preço (a derrota no STJ), mas o mercado simplesmente surfou na onda de notícias mais favoráveis". 

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Assim, os destaques no interior brasileiro foram poucos, ficando por conta de Castro, no Paraná, onde o valor da saca cedeu 2,50% para R$ 78,00, Primavera do Leste, Mato Grosso, com baixa de 1,49% e R$ 66,00, e Sorriso, também em Mato Grosso, com R$ 61,00 e queda de 2,40%. 

Nos portos, os preços também cederam. Em Rio Grande, a soja disponível fechou com R$ 79,20 por saca, perdendo 0,75% e para maio foi a R$ 80,00, com baixa de 0,62%. Em Paranaguá, perdas de 1,24% - no disponível - e de 0,75% - na referência abril/18 - para R$ 79,50 por saca em ambos os casos. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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