Soja volta aos US$ 8,30 em Chicago com pressão conjunta da guerra comercial e clima bom nos EUA

Publicado em 11/07/2018 16:53

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Os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago terminaram a sessão desta quarta-feira (11) com perdas de mais de 2% - ou 20 pontos - entre os contratos mais negociados. As primeiras posições, a exceção do novembro/18, terminaram os negócios abaixo dos US$ 8,40 por bushel. 

A intensificação da guerra comercial entre China e Estados Unidos e, consequentemente, uma maior aversão ao rico no mercado internacional foram os principais fatores de pressão sobre as commodities, as quais recuaram de forma generalizada tanto em Chicago, quanto em Nova York. 

Nesta quarta, quem liderou as baixas entre as agrícolas foi o trigo, que encerrou o dia com perdas superiores a 3% e entre as commodities gerais, o petróleo, que despencou mais de 4% na Bolsa de Nova York, quase perdendo o patamar dos US$ 70,00 por barril. 

Ao mesmo tempo, segundo informações da agência internacional Bloomberg, o dólar registrou sua maior alta em duas semanas, com os investidores seguindo sua corrida por ativos mais seguros, como a moeda americana. Na contra-mão, o yuan, o iene e real recuaram novamente. Frente à divisa brasileira, a alta do dólar superou os 2%. 

As novas tarifas americanas sobre os produtos chineses, totalizando mais US$ 200 bilhões, segundo o governo dos EUA, deverão começar a valer em setembro diante, como explicam fontes de Washington, as falhas na tentativa de firmar um acordo entre os dois países. Além disso, afirmam ainda que trata-se de uma retaliação às taxações de US$ 34 bilhões impostas pelo governo chinês. 

O Ministério do Comércio da China, ainda segundo a Reuters Internacional, estaria "chocado" com as últimas notícias vindas dos EUA. 

"A julgar pelos fundamentos econômicos (da China) e pelas expectativas de resultados corporativos, que estão sob pressão em meio à guerra comercial com os Estados Unidos, o mercado de ações ainda não alcançou os níveis mais baixos", disse Yan Kaiwen, analista da China Fortune Securities à Reuters.

A pressão, porém, não para por aí. No quadro climático, as condições seguem favoráveis e beneficiando o desenvolvimento da safra 2018/19. Com isso, de acordo com os últimos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), 71% das lavouras de soja estão em boas ou excelentes condições no país. 

Nesse ambiente, ainda segundo analistas internacionais, o USDA poderia trazer ainda peso sobre as cotações com um aumento de suas estimativas para a produção, produtividade e estoques da oleaginosa na nova temporada em seu reporte mensal de oferta e demanda que será reportado nesta quinta-feira, 12 de julho. Outro fato que promove essa busa por um bom posicionamento dos traders antes da divulgação.

"Enquanto o milho está em plena polinização e a soja está florescendo, o boletim desta quinta-feira pode mostrar estimativas maiores do USDA para os estoques finais da nova safra das duas culturas", acredita Todd Hultman, analista de grãos da DTN The Progressive Farmer. 

O executivo explica que o departamento deverá se valer das condições de clima nas regiões produtoras para ajustar seus números nesse reporte de julho, distante do que é esperado para agosto, quando os dados são corrigidos com base em dados coletados a campo.

A média das expectativas do mercado para a produtividade da soja é de 54,7 sacas por hectares, com os números podendo variar entre 53,56 e 56,04 sacas/ha. No reporte de junho, o rendimento da oleaginosa foi estimado em 54,35 scs/ha e na safra 2017/18 foi de 55,03.  

A produção deverá ser estimada, segundo as expectativas, em 117,82 milhões de toneladas, contra o número anterior de 116,48 milhões. As expectativas variam entre 115,75 e 120,56 milhões de toneladas. A colheita da safra velha foi de 119,53 milhões. 

Leia mais e veja as expectativas na íntegra para o relatório desta quinta:

>> Soja e Milho: USDA deve trazer aumento de produção, produtividade e estoques nos EUA

Preços no Brasil

Os preços da soja no mercado brasileiro continuam, apesar da despencada na Bolsa de Chicago, registrando se não boas altas, um suporte consistente, principalmente nos prêmios que têm sido oferecidos para o produto brasileiro. Os valores nos portos do Brasil continuam a superar os US$ 2,00 por bushel acima do que é praticado em Chicago. 

Com isso, aliado a um dólar em alta, uma demanda intensa e uma oferta cada vez mais ajustada, os ganhos, somente nesta quarta-feira, chegaram a passar de 1% em pontos do interior. 

"No mercado doméstico, as indicações de compra se mantiveram relativamente estáveis – suportadas por câmbio e prêmios e pressionadas pelas perdas na bolsa norte-americana", explica Camilo Motter, economista e analista de mercado da Granoeste Corretora de Cereais. 

No oeste do Paraná, por exemplo, as indicações de compra se mostravam entre R$ 80,00 e R$ 81,00 por saca.

Chuvas voltam ao cinturão agrícola dos EUA

Uma frente fria chega ao norte do Cinturão Agrícola nesta sexta-feira, 13, trazendo nuvens carregadas de chuvas adicionais que cobrirão partes do norte de Iowa, sul de Minnesota e Wisconsin.

Totais pluviométricos mais sucintos, entre 6-19 mm acumulados também são projetados para Illinois e Indiana.

Se confirmado, esta rodada extra de precipitações trará certo alívio ao produtor da região que se preocupa com os solos secos e o estresse hídrico presente.

As temperaturas se mantém acima da média por mais 3 dias, também sendo amenizadas com a chegada deste padrão temporário com a frente fria.

Apesar dos alertas climáticas negativos para o começo de julho, agora o cenário volta a ser adequado para uma boa manutenção do potencial produtivo do Cinturão Agrícola. 

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Tags:
Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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