Soja: Preços estáveis no BR sem referência de Chicago; foco deve permanecer nas lavouras

Publicado em 22/11/2018 17:14
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Sem a referência da Bolsa de Chicago, como tradicionalmente acontece, o mercado brasileiro da soja registrou uma quinta-feira (22) de mercado fraco e com pouca movimentação. Os preços pouco se movimentaram e os negócios permanecem pontuais. 

No interior, as principais praças de comercialização terminaram o dia com os preços estáveis na maioria delas, com apenas algumas exceções. Ubiratã e e Londrina subiram 0,72% para chegar aos R$ 70,00 por saca. Na contramão, Brasília cedeu 5,19% para R$ 73,00 e no Oeste da Bahia, o último valor foi de R$ 64,00 por saca, onde a baixa foi de 2,29%.

Nos portos, preços estáveis. Paranaguá terminou o dia com R$ 84,00 no spot e R$ 78,00 na safra nova, enquanto Rio Grande marcou R$ 83,50 no disponível e R$ 84,00 por saca para a referência dezembro.

Assim como acontece no cenário internacional, os próximos dias deverão ainda ser de uma movimentação quase inexpressiva do mercado da soja, uma vez que todas as atenções se voltam, neste momento, para o novo encontro que acontece entre Donald Trump e Xi Jinping no final deste mês, na Argentina. 

Até que se encontrem, durante a nova cúpula do G20, compradores e vendedores têm evitado fazer novos negócios sem saberem, ao menos, uma pista do futuro dos preços. A efetivação ou não de um acordo entre China e Estados Unidos, afinal, após meses de guerra comercial, pode mudar drasticamente as cotações da oleaginosa tanto na Bolsa de Chicago, quanto no mercado nacional. Os impactos sobre os prêmios pagos pela oleaginosa brasileira também deverão reagir. 

" Os bastidores da CBOT continuam concentrados nas possiblidades de resolução da retórica comercial entre Trump e Xi Jinping. Não há novos direcionadores políticos para a especulação, uma vez que o encontro marcado entre os líderes para a próxima semana será o foco principal do Mercado, após o feriado", dizem os analistas da ARC Mercosul.

É sabido, por outro lado, que a demanda pelo produto do Brasil continua muito aquecida e as exportações deste ano têm batido todos os recordes até este momento. E o bom momento não se limita só à soja em grão, mas se estende por todo o complexo. 

"Com isso junto com farelo e óleo vamos enxugar o mercado interno de oferta e chegaremos à nova safra zerados. Somente não teremos problemas de abastecimento porque a nova safra terá as primeiras colheitas ainda em dezembro em pontos localizados do Paraná e do Centro-Oeste e grandes volumes devendo chegar em janeiro. Desta forma, atendendo às
necessidades das indústrias que voltam a trabalhar em ritmo forte em fevereiro", explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze.

Entre tantas incertezas que também ainda travam o mercado da soja está o dólar. O mercado cambial tem se mostrado bem volátil e a moeda americana voltou a buscar os R$ 3,80 em alguns movimentos consecutivos de alta frente ao real. Os traders se dividem entre o momento de transição no Brasil após a eleição de Jair Bolsonaro e o cenário externo, que também conta com uma série de fatores de influência. 

"A maior questão agora são as diferentes visões que cercam o processo de elevação da taxa de juros nos EUA. Não sabemos qual delas estará certa, mas esperamos um grande debate nas próximas semanas e que o tópico domine o mercado até o encontro (do banco central) de dezembro", disse Hao Zhou, economista-sênior de mercados emergentes e Ásia no Commerzbank à agência de notícias Reuters. 

Em um ambiente calmo com bastidores efervescentes, as orientações de analistas e consultores de mercado é de que os produtores evitem o mercado neste momento, ao menos até que saia o resultado do encontro dos presidentes das duas maiores economias do mundo na reunião do G20. 

Até lá, os sojicultores do Brasil têm de se concentrar na conclusão do plantio e nos desafios que esta nova safra tem apresentado até agora. Como previsto, a ferrugem chegou mais cedo às lavouras de soja do Brasil e já preocupa agricultores nos principais estados produtores. A situação mais grave, até este momento, é no estado do Paraná. A Emater Paraná instalou 169 coletores e destes, 27 já registram a presença de esporos. O número de coletores deverá chegar a 185.  

Ao mesmo tempo, o Consórcio Nacional Antiferrugem aponta, até agora, 17 ocorrências de ferrugem no estado paranaense. Em todo o Brasil, são 25 ocorrências sendo registrados nos estados da Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, além do Paraná.

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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