Soja perde força ao longo do dia e fecha com altas de pouco mais de 10 pts na Bolsa de Chicago

Publicado em 03/12/2018 18:15
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Na primeira sessão após a reunião de Donald Trump e Xi Jinping no G20, no último final de semana, os preços da soja fecharam o dia em campo positivo. O pregão, no entanto, foi de volatilidade e os futuros da oleaginosa foram, ao longo dos negócios, perdendo bastante força. 

Depois de iniciarem com mais de 25 pontos de ganho, as cotações fecharam com altas de pouco mais de 10 pontos entre os vencimentos mais negociados. O janeiro, que chegou a superar os US$ 9,10, fechou com US$ 9,05 por bushel, enquanto o maio/19, que bateu nos US$ 9,40, ficou em US$ 9,30 por bushel. 

A trégua anunciada pelos presidentes americano e chinês de três meses na guerra comercial aumentou o otimismo para as negociações que continuarão neste período, porém, não trouxeram um acordo efetivo entre os países. 

Assim, o movimento inicial do mercado trouxe em suas altas esse otimismo mais intenso, porém, na sequência, os ganhos foram ficando mais tímidos justamente pela disputa ainda não estar encerrada, segundo explicam analistas e consultores de mercado. 

Os traders sentem ainda, afinal, a incerteza sobre a demanda chinesa pela soja norte-americana, mesmo Xi afirmando, por meio de um comunicado de seu governo, que se compromete a comprar mais produtos agrícolas dos EUA. A taxação de 25% sobre a soja dos EUA, porém, ainda está mantida. 

"Acredito que Chicago ainda caminha lentamente, os prêmios recuam pouco, porque essa trégua mostra que se trata muito mais do que uma guerra comercial, é uma busca por hegemonia geopolítica. Então, nesses próximos 90 dias ainda teremos muita tensão e volatilidade para os preços na Bolsa de Chicago, o que pode trazer oportunidades fantásticas de venda para o produtor brasileiro", explica o consultor em agronegócio Ênio Fernandes, da Terra Agronegócios. 

Hoje, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou a venda de 147,5 mil toneladas de soja para destinos não revelados. O volume é todo da safra 2018/19.

E os embarques semanais norte-americanos, também informados pelo USDA, ficaram dentro das expectativas do mercado. 

Na semana encerrada em 29 de novembro, o país embarcou 1.041,666 milhão de toneladas, contra expectativas de 490 mil e 1,22 milhão de toneladas. No acumulado da temporada, os embarques da oleaginosa já somam 13.253,543 milhões de toneladas, contra mais de 22,8 milhões do ano passado, nesse mesmo período. 

Mercado Brasileiro

Os preços no mercado brasileiro sentiram os impactos dessa leve mudança no cenário internacional de forma bastante sutil. Os prêmios recuaram cerca de 15 centavos, o dólar também caiu, mas os ganhos em Chicago limitaram as baixas. 

No porto de Paranguá, a soja disponível fechou estável nos R$ 82,00 por saca, enquanto subiu 1,27% para a safra nova a R$ 80,00. Em Rio Grande, o spot subiu 0,60% para R$ 84,50, enquanto o mês seguinte foi a R$ 83,50, com baixa de 1,18%. 

Como o analista de mercado Marlos Correa, da Insoy Commodities, o recuo dos prêmios é 'natural' para este momento, principalmente no disponível, onde já não há quase soja para ser comercializada no Brasil. Os estoques estão, praticamente, zerados. "Não há grandes tomadores de prêmios neste momento", diz Correa. 

Leia mais:

>> Prêmios da soja recuam no Brasil após G20, mas não define tendência

Comentário de Mercado pela ARC Mercosul

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Realizado o tão esperado encontro, o sentimento que fica é de que Trump conquistou uma bela vitória. Sua tática ofensiva fez com que os chineses, pelo menos em discurso, "aceitassem" os termos da trégua, se manifestando dispostos a comprar mais produtos americanos e debater as desejadas políticas de propriedade intelectual no país. Porém, dentro do que pareceu um certo "jogo de aparências", pouco de concreto saiu da reunião deste fim de semana, já que nenhum número ou prospecção concreta foi apontada pelos representante dos dois países. Interessante é observar que o otimismo do resultado da reunião pode gerar boas oportunidades no curto prazo aos produtores brasileiros, tendo em vista as altas em Chicago, além de não sacramentar perdas da demanda chinesa para 2019, já que nenhuma tarifa foi dissipada até o momento, mantendo as oportunidades por aqui no longo prazo.

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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