Frente à seca do ano passado, chuvas trazem panorama alentador para safra de verão da Argentina

Publicado em 03/01/2019 10:01
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As chuvas dos últimos dias na Argentina, que deixaram acumulados de até 100mm no sudeste e sudoeste de Buenos Aires e um pouco menos em outras localidades da região dos Pampas, deram um impulso para a safra 2018/19, que, segundo previsões privadas e oficiais, seria recorde depois da seca ocorrida no ano anterior.

Em 2018, a falta de água fez com que fossem perdidas 30 milhões de toneladas entre soja e milho. Para o Governo, a produção total para 2018/19 deve ser de 140 milhões de toneladas para os dois produtos, o que representaria um máximo histórico. Para a Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA), essa produção ficaria em 125,9 milhões de toneladas - a diferença é que o Governo também contabiliza o milho para forragem, enquanto a BCBA só considera o milho com destino comercial.

Até a semana passada, 83,3% da superfície de soja e 73% da superfície de milho haviam sido plantadas. Também houve a colheita de 15 milhões de toneladas de trigo, faltando 4 milhões ainda para serem colhidos, a maioria no sudeste e sudoeste de Buenos Aires, onde o avanço da colheita estava em torno de 40%.

Com dezembro marcando chuvas superiores ao normal em várias regiões produtivas, nos últimos dias foram registradas chuvas que tiveram foco na província de Buenos Aires, mas que também atingiram parte de La Pampa, Córdoba e Entre Ríos. Nos próximos meses, essas chuvas teriam continuidade e permitiriam a consolidação da safra.

"Foram chuvas que ocorreram em todas as zonas agrícolas e são bastante benéficas. A perspectiva é que em janeiro e fevereiro estas continuem com boa frequência", disse Pablo Mercuri, diretor do Centro de Pesquisa de Recursos Naturais do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) da Argentina.

"O panorama global é favorável se queremos chegar a uma safra recorde. No ano passado, a essa altura, estávamos começando a transitar a seca e agora temos uma melhor condição de umidade, em alguns casos, com excessos. Entrar em janeiro com boa umidade é animador", sinalizou Esteban Copatí, chefe de Estimativas Agrícolas da Bolsa de Cereais de Buenos Aires.

María Elena Antonelli, analista da Bolsa de Cereais e Produtos de Bahía Blanca, concorda que a situação climática é muito boa para o setor, mas lembra que também são registradas algumas adversidades como os eventos de granizo, afetando cultivos de trigo que estavam a ponto de colher.

Os excessos hídricos também se mostram preocupantes no extremo norte de Santa Fe. Há 20 dias há zonas com importantes alagamentos. Já cairam 500mm, quando a média anual é de 750mm.

Tradução: Izadora Pimenta

 

Fonte: La Nación

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