USDA reporta cancelamento de soja da China em janeiro e assusta Chicago

Publicado em 14/02/2019 16:49
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Mesmo atrasados, os boletins semanais de vendas para exportação do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) estão voltando a ser divulgados e impactam no andamento das cotações na Bolsa de Chicago, o que já acontece na tarde desta quinta-feira (14). 

Os futuros da oleaginosa, por volta de 15h (horário de Brasília), cediam entre 12 e 12,25 pontos, com o março/19 lutando para se manter ainda na casa dos US$ 9,00 por bushel depois de o novo reporte do USDA. O boletim trouxe um grande cancelamento de compra de soja por parte da China na semana encerrada em 3 de janeiro, que é o período de referência do documento. 

Na semana, o resultado ficou negativo em  612 mil toneladas da safra 2018/19, com os cancelamentos de 807 mil toneladas por parte da nação asiática e mais 444 mil de destinos não revelados. Da safra 2019/20, foram vendidas 1,1 milhão de toneladas para o Japão. 

De acordo com dados da Administração Geral de Alfândegas da China reportados também nesta quinta, as importações de soja do país caíram 13% em janeiro em relação ao mesmo mês do ano passado e somaram 7,38 milhões de toneladas. Por outro lado, as compras são 29% maiores do que as de dezembro, que foram de 5,72 milhões. 

Segundo a analista da agência Shangai JC Intelligence Co., Monica Tu, em entrevista à Reuters Internacional, "esses números são maiores do que o esperado. E aconteceu, princialmente, porque alguns carregamentos atrasaram em dezembro e entraram nos dados de janeiro. A maior parte dessa soja é brasileira". 

Esse maior volume de produto do Brasil neste período do ano comercial não é comum, uma vez que os chineses preferem comprar por aqui quando o volume da nova safra é maior e os preços se mostram um pouco mais pressionados. Entretanto, em função da guerra comercial com os EUA ainda em andamento, a demanda da nação asiática segue focada no mercado brasileiro. 

E as expectativas são de que as importações de soja da China aumentem na medida em que a colheita no Brasil segue se desenvolvendo e as novas ofertas vão ocupando ainda mais o mercado. 

Enquanto isso, as conversas entre delegações chinesas e americanas continuam a acontecer e o presidente Donald Trump já fala, até mesmo, em estender o prazo da trégua entre as nações que termina em 1º de março. Para Trump, ambos precisam de mais tempo para negociações. 

Segundo explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, a notícia do cancelamento não era esperada, mesmo tendo sido feita em um momento em que as conversas entre China e Estados Unidos pouco evoluíam. A reação do mercado também mostra que os boatos sobre compras que circulavam naquela época não se confirmaram. 

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Por Carla Mendes
Fonte Notícias Agrícolas

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