Soja perde mais de 10 pts em Chicago nesta 4ª e pressiona cotações nos portos do BR

Publicado em 06/03/2019 17:37 e atualizado em 06/03/2019 19:58
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Nesta quarta-feira (6), os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago fecharam o pregão com baixas de mais de 11 pontos. Por pouco o maio não perdeu os US$ 9,00 e terminou o dia com US$ 9,02 por bushel, enquanto o agosto/19 foi a US$ 9,22. 

Como explicou o analista de mercado Eduardo Vanin, da Agrinvest Commodities, além das incertezas que ainda rondam o mercado internacional, a menor competitividade dos produtos americanos - soja, milho e trigo - ajudou a pressionar ainda mais as cotações na CBOT. 

Os prêmios para a oleaginosa americana estão subindo por conta das dificuldades logísticas do momento nos EUA, "o que não condiz com a realidade da necessidade de exportação que os produtores americanos têm neste momento", diz Vanin. 

Além da perda de competitividade por preço - com a soja brasileira ainda mais barata do que a americana neste momento, principalmente para os chineses - a qualidade do produto dos EUA também começa a se perder com os armazéns lotados e a falta de demanda, já que as vendas estão represadas nos EUA neste momento. 

Enquanto EUA e China não encontram uma solução, os silos norte-americanos já não dão conta de tanto produto a ser estocado e em algumas partes dos EUA a produção já começa a apodrecer e perder qualidade por não estar estocada de maneira adequada.

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Com isso, segundo um levantamento da Agrinvest Commodities, o Brasil já tem 14,66 milhões de toneladas comprometidas (embarcadas + nomeadas) no acumulado do ano, contra 12,8 milhões do mesmo período de 2018. 

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Além disso, os fundos investidores mantêm sua cautela e vão, aos poucos, alinhando suas posições no intuito de estarem bem preparados na chegada efetiva de um consenso entre chineses e americanos ou até mesmo de um agravamento nessa disputa comercial que já dura um ano. 

"Os fundos de gestão ativa da CBOT se mostram empilhados no lado das vendas para as três principais commodities agrícolas: soja, trigo e milho. No caso da soja e milho, o redirecionamento prometido da demanda chinesa para os Estados Unidos deverá desengatilhar a cobertura destas posições, para o lado da compra. No entanto, a ARC alerta que este movimento só será observado caso ordens executivas para o fim da Guerra Comercial comecem à serem assinadas", explicam os analistas de mercado da ARC Mercosul.

Ademais, a semana ainda é de novo relatório mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura doa Estados Unidos). A divulgação acontece nesta sexta-feira, 8 de março, e mais uma vez os mercados estão atentos aos estoques finais de soja dos EUA e aos números da nova safra da América do Sul. 

Preços no Brasil

No Brasil, os preços subiram nesta quarta-feira refletindo a melhora do dólar, que fechou acima dos R$ 3,80 frente ao real. Prêmios melhores também contribuíram. 

No interior, foram registradas altas de até 3,85%, como foi o caso de Itiquira, em Mato Grosso, com a soja valendo R$ 67,50 por saca. Já nos portos, onde os preços estão mais ligados à Bolsa de Chicago, as referências recuaram. 

Em Paranaguá, R$ 76,00 no disponível e R$ 76,50 para o mês seguinte, com baixas de 0,65% em ambos os casos. No terminal de Rio Grande, R$ 75,80 no spot, caindo 0,26%, e R$ 76,00 para o próximo mês, com queda de 0,65%.  

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Sem novidades na relação China-EUA, o mercado dos grãos na Bolsa de Chicago caminha de forma lenta diante do baixo volume de negociações. Sem fôlego para reagir em meio a apenas rumores e suposições quanto ao acordo comercial, as cotações das commodities agrícolas vêm perdendo força em reflexo ao movimento dos fundos especulativos, enquanto a chegada concreta da demanda asiática sobre os produtos norte-americanos é aguardada por todos.

Hoje a divulgação do balanço comercial externo americano trouxe uma enorme pedra no sapato do presidente Donald Trump. Apesar de colocar a redução do resultado comercial negativo como uma das bandeiras prioritárias de seu governo, o déficit comercial em 2018 alcançou seu maior patamar na história do país.

Só com os chineses, este déficit entre exportações e importações chegou a $419 bilhões de dólares, uma verdadeira “montanha” a ser vencida por Trump e que pressiona ainda mais a busca por um acordo comercial já no curto prazo.

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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