Estatais da China compram 500 mil toneladas de soja nos EUA

Publicado em 07/03/2019 17:33
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Isentas da tarifação de 25%, empresas se voltam ao mercado americano como sinalização para o acordo

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Estatais chinesas voltaram ao mercado norte-americano nesta quinta-feira para comprar mais 500 mil toneladas de soja, com embarque previsto para acontecer entre junho e setembro, pelos portos do Pacífico, segundo noticiou a agência internacional Bloomberg. 

Isentas da tarifa dos 25% da China sobre o produto americano, a nação asiática continua sinalizando, como explicam analistas e consultores, que o país quer, de fato, firmar um acordo com os EUA depois de um ano de guerra comercial. 

Fontes familiarizadas com o assunto afirmam que esses volumes poderiam chegar a 2 milhões de toneladas, enquanto a consultoria norte-americana AgResource fala em um total que poderia alcançar os 3,5 milhões de toneladas. Os números totais, porém, ainda não foram confirmados. 

"Os chineses vão aos poucos comprando e sinalizando que querem o acordo, mas precisamos saber quanto será garantido de compra para saber quanto o Brasil vai perder de market share", explica o diretor da ARC Mercosul, Tarso Veloso. "Se a China garantir uma compra baixa, não se muda muito. Haverá um piso na CBOT - não cai mais para US$ 8,00 porque tem demanda garantida, mas não sobe a US$ 11,00 porque a demanda garantida não é muito forte", diz. 

Entretanto, da mesma forma, com uma demanda muito maior do que o esperado for confirmada, as cotações na Bolsa de Chicago têm potencial para um avanço expressivo, se descolando do restante do mundo onde a soja tem referência de preço.  

Ainda segundo Veloso, é possível dizer que, ao menos por enquanto, nada muda. Os questionamentos continuam rondando o mercado, mas reafirma, que confirmada uma volta efetiva da China às compras nos EUA, o mercado volta a reagir. "Um espirro e o mercado sobe". 

As notícias foram confirmadas mais tarde, porém, pouco impacto tiveram sobre os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago. Afinal, os traders precisam de dados confirmados para começarem a mudar seu posicionamento e poderem dar uma direção mais clara aos negócios. 

Com todo este cenário se confirmando e um acordo entre China e EUA contemplando a retirada dos 25% da alíquota sobre a soja americana, o impacto maior seria sentido pelo Brasil. Tal situação, porém, ainda não acontece, como explicaram analistas e consultores ao Notícias Agrícolas nos últimos dias. 

Entretanto, o analista de mercado sênior de grãos e oleaginosas do Rabobank, Oscar Tjakra, explica que, nessa quadro, a soja mais barata da América do Sul - caso saia o acordo entre China e EUA - poderia atrair outros compradores que não o país asiático. 

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Por Carla Mendes
Fonte Notícias Agrícolas

2 comentários

  • Guilherme Martinez -

    Confirmando o comentário que fiz aqui... Ontem o eminente acordo acontece, até antes do previsto, apesar disso a alta do dólar faz com que tenhamos uma leve reação na oleaginosa no Porto de Rio Grande foco principal das operações neste início de colheita no extremo sul do Brasil.

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Sinceramente, a série de noticias dos últimos dias aqui no Noticias Agricolas tem gerado confusão em minha cabeça. Em um dia os EUA estão quebrados e a China vai muito bem com fortes indicios de que vai vencer a "guerra'" comercial, no outro saem dados positivos dos EUA e negativos da China. Sem falar que deduzi das reportagens que a China não iria comprar soja dos EUA, e agora compra. É por isso que não dá para "operar" noticias na bolsa. Todos sabemos que existe uma midia de esquerda que é claramente anti Trump, como também existe uma midia de direita, como no Brasil embora muito menor. E por isso um grande investidor de sucesso americano, não lembro se foi Warren Buffet, que dizia que nas noticias o sucesso está em saber separar o que é real do que não é. Outro dia em uma matéria li em um único parágrafo, 3 vezes a expressão "guerra comercial". Se é uma guerra alguém tem que vencer e alguém tem que perder, muita gente aposta na queda de braço, e se eu fosse apostar, apostaria no acordo.

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