Soja: Combinação de notícias negativas pressiona e Chicago fecha em baixa nesta 6ª feira

Publicado em 08/03/2019 16:58 e atualizado em 11/03/2019 08:08
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A combinação de notícias desta sexta-feira (8) pesou sobre o mercado internacional da soja e os futuros da oleaginosa negociados na Bolsa Chicago fecharam o dia com baixas consideráveis. Os princpais contratos encerram seus negócios perdendo mais de 7 pontos, com o maio abaixo dos US$ 9,00 por bushel, cotado a US$ 8,83. 

As poucas mudanças no relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e mais as notícias que continuam mostrando a fragilidade do acordo entre China e EUA pressionaram os preços. 

O boletim mensal de oferta e demanda do departamento norte-americano mostrou que os estoques finais norte-americanos de soja seguem muito elevados e ainda na casa de mais de 24 milhões de toneladas. 

O total veio em 24,49 milhões de toneladas, contra 24,77 milhões do boletim de fevereiro. O número fica dentro das expectativas do mercado, que variavam de 23,41 e 25,58 milhões de toneladas. A média esperada, porém, era de 24,55 milhões. 

Gráfico Estoques finais de soja EUA - Karen Braun

O gráfico acima, da especialista Karen Braun, da Reuters Internacional, mostra a diferença gritante dos estoques de soja dos EUA da temproada 2018/19 contra as quatro anteriores.  

Da mesma forma, o USDA reduziu para apenas 116,5 milhões de toneladas a safra 2018/19 do Brasil, contra os anteriores 117 milhões e a média esperada de 115,4 milhões, o que também pesou sobre as cotações. A colheita da Argentina foi mantida em 55 milhões. 

No quadro global, reduziu a produção para 360,08 milhões de toneladas, mas ampliou os estoques finais mundiais de 106,72 para 107,17 milhões de toneladas. 

Soja USDA Março

Ao lado desses números, o mercado recebeu ainda a notícia de que Donald Trump e Xi Jinping não irão mais se encontrar em Mar-a-Lago nos próximos dias 27 ou 28 de março para a assinatura do possível acordo. 

Segundo o embaixador dos EUA na China, Terry Branstad, disse não haver, neste momento, datas ainda não estão definidas e líderes das duas maiores economias do mundo seguem negociando. 

No entanto, detalhes desse possível acordo entre as duas maiores economias do mundo em importantes pontos ainda estariam tirando o sono de líderes de ambas as delegações, incluindo a retirada das tarifas de importações sobre produtos dos dois países. Especialistas ouvidos pelo The New York Times noticiam que, autoridades chinesas estariam preocupadas com as resoluções finais podendo prejudicá-los. 

Mais cedo, foram divulgados dados das importações de soja da China de fevereiro, que foram os menores em quatro anos para o mês. Foram 4,46 milhões de toneladas, esse  volume representa uma baixa de 17% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o mercado global da commodity começava a sentir os primeiros efeitos da guerra comercial. 

Em relação a janeiro, a queda é de 40%, uma vez que as compras foram de 7,38 milhões de toneladas no primeiro mês de 2019, período em que o consumo é mesmo maior no país em função do feriado do Ano Novo Lunar - o mais longo da China - e quando os esmagadores intensificam sua produção para atender às necessidades do período. O que também justifica, portanto, as menores aquisições em fevereiro, mês do feriado. 

"Essa baixa se dá, principalmente, por conta da tarifação que ainda vigora sobre a soja dos EUA", diz Tian Hao, analista sênior da First Futures, à Reuters Internacional. 

Dessa forma, como explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, "o mercado continua com os dois olhos voltados para  as relações EUA x China". 

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O relatório de hoje do USDA veio para fechar a semana, e como esperado, não trouxe novidades expressivas ao mercado. Aguardando pelo “preto no branco” no acordo entre chineses e americanos, mesmo com a leve retomada das compras asiáticas a soja e o milho registraram uma semana negativa para as cotações em Chicago.
No Brasil, a pressão baixista também se dá sobre os prêmios de exportações, porém em meio as “patinadas” do Governo Bolsonaro, o dólar se fortaleceu frente ao Real nesta semana, retomando patamares próximos de R$3,90, o que colaborou na sustentação dos preços internos. 
As cotações em Chicago seguem refletindo um cenário momentâneo de pessimismo no mercado, com os fundos especulativos sustentando uma vasta posição vendida, que ao que parece, aposta na fragilidade da relação comercial entre chineses e americanos e no fraco desempenho da economia mundial em 2019.

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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