Argentina: Perspectivas são boas para nova safra de soja e milho, mas chuvas preocupam

Publicado em 15/03/2019 11:04 e atualizado em 18/03/2019 09:27
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A Bolsa de Comércio de Rosario destacou que os rendimentos máximos da Zona Núcleo da Argentina ficaram acima de 5000kg por hectare para a soja e de 15000kg por hectare para o milho. Há um grande entusiasmo presente, mas existe um temor por conta de novas chuvas.

Durante hoje (15), sábado e domingo, a região deve receber chuvas, chuviscos e tempestades. Se esperam acumulados moderados, mas generalizados. "O El Niño e a dinâmica atmosférica são favoráveis para novos episódios de chuva durante o mês de março", adverte José Luis Aiello, doutor em Ciências Atmosféricas.

A 10 dias da colheita, se consolidam os 4300kg por hectare na soja de primeira etapa

A Zona Núcleo deve produzir 20 milhões de toneladas de soja, com rendimentos máximos acima dos 5000kg por hectare. Algumas áreas isoladas já foram colhidas e apontaram bons resultados. A colheita deve começar de forma efetiva em uma semana. 60% das áreas se mantêm entre excelentes e condições muito boas, 30% em condições boas enquanto 10% estão em condições regulares por conta dos problemas como alagamentos. O rendimento médio está em 4300kg por hectare. O plantio precoce está fechando seu ciclo.

Por sua vez, a soja de segunda etapa deve render quase o mesmo que a soja de primeira. Os rendimentos médios estimados são de 3800kg por hectare, enquanto alguns outros, afetados pelas chuvas excessivas, devem render entre 1000kg a 2000kg por hectare. 60% dos quadros de segunda etapa estão entre excelentes e muito bons, 28% bons e 12% regulares. O rendimento médio da região é de 3300kg por hectare.

Argentina conta com as primeiras colheitas isoladas de soja

As primeiras colheitas de soja na Argentina foram registradas de forma isolada na região núcleo norte, como informou o Panorama Agrícola Semanal (PAS) da Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA) nesta quinta-feira (14).

Enquanto isso, as áreas de segunda etapa transitam períodos críticos do ciclo fenológico. No sul de Buenos Aires e em La Pampa, a condição de cultivo é regular por conta de um déficit hídrico que se prolongou durante o último mês.

A BCBA estima a safra de soja da Argentina em 53 milhões de toneladas, enquanto o Ministério da Economia do país estima em 54 milhões de toneladas, mesmo número apontado pela Bolsa de Comércio de Rosario.

Milho atrasado por conta das chuvas

As colheitadeiras seguem em espera na Zona Núcleo e há 12 milhões de toneladas de milho que aguardam uma melhora do tempo. É um grande volume que poderia sofrer sérios problemas de logística e também de qualidade do grão. O rendimento médio é estimado em 11100kg por hectare, com picos que podem superar 15000kg por hectare.

Milho em Carlos Tejedor, Buenos Aires (Fonte: @ruraltejedor)

Milho em Carlos Tejedor, Buenos Aires (Fonte: @ruraltejedor)

O milho tardio e de segunda etapa está enchendo grãos, 55% como grão leitoso e 20% como grão pastoso. O restante, 25%, ainda está em floração. 81% dos quadros estão em melhores condições, sendo 17% bons, enquanto apenas 1% dos lotes estão em condições regulares por sofrerem com problemas de alagamentos.

Argentina tem 6,4% da área apta de milho colhida

De acordo com a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a Argentina já colheu 6,4% da área apta de milho com um rendimento médio nacional de 9170kg por hectare.

As províncias de Córdoba e de Santa Fe são as mais avançadas na colheita em andamento, enquanto os quadros mais tardios se encontram enchendo grãos sob boas condições de umidade e sanidade, com exceção do sul de Buenos Aires, onde a escassez de chuvas limitou o crescimento e o desenvolvimento do cereal.

A BCBA mantém sua projeção de produção em 45 milhões de toneladas.

Panorama geral

Se chover de forma abundante, haverá sérios problemas. A produtividade da soja poderia ser afetada, sobretudo, da soja de primeira etapa. A colheita de milho continuará atrasada e a logística seguirá complicada. Após as chuvas da semana passada, várias áreas ficaram sem caminhos transitáveis para a entrada nos campos. Também não houve condições de piso para começar a generalizar a colheita de milho.

Umidade do solo na Argentina (Fonte: Bolsa de Comércio de Rosario)Umidade do solo na Argentina (Fonte: Bolsa de Comércio de Rosario)

Há novas previsões de chuvas e ainda falta muito a colher. Os indicadores apontam para chuvas acima do normal e se teme os efeitos de uma marcada sobreoferta de água em abril.

Com informações da Bolsa de Comércio de Rosario e da Bolsa de Cereais de Buenos Aires

Por: Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas

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