Soja fecha estável em Chicago após USDA, mas prêmios sobem forte no Brasil

Publicado em 10/05/2019 17:59
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Os números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) chegaram, as conversas entre China e EUA continuaram, as tarifas americanas sobre produtos chineses ficaram efetivamente mais altas e os preços da soja terminaram o pregão desta sexta-feira (10) com estabilidade na Bolsa de Chicago. 

No encerramento dos negócios, os futuros da oleaginosa perderam pouco mais de 3 pontos nos principais vencimentos. O vencimento maio fechou a semana com US$ 7,97 e o julho, que é o mais negociado neste momento, com US$ 8,09 por bushel. 

Em seu boletim de maio, o USDA trouxe estoques finais maiores para os EUA na safra 2018/19 na casa das 27 milhões de toneladas. Embora acima das expectativas, um aumento já era esperado pelo mercado. As exportações, do mesmo modo, foram revisadas para baixo. Os números, de fato, pesaram sobre o mercado, no entanto, os traders preferiram olhar mais adiante. 

Para a safra 2019/20, o relatório apontou uma safra menor nos EUA - resultado de uma redução na área e de uma produtividade que deverá ser menor - bem como estimou também uma produção global menor. A projeção do departamento é de 355,66 milhões de toneladas, contra as mais de 362 milhões 2018/19. 

E como explica o diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, Carlos Cogo, o USDA estima uma oferta menor na próxima temporada, mas como uma manutenção da demanda. As importações chinesas do presente ano comercial, afinal, foram estimadas em 86 milhões de toneladas - contra 88 milhões do boletim de abril - enquanto as da nova safra são esperadas em 87 milhões. 

Outro reflexo deste relação são os estoques finais globais desta safra estimados em 113,18 milhões e os da próxima em 113,09 milhões. 

USDA Maio Soja

Nas atualizações da guerra comercial, o dia termina com negociadores de ambos os lados concordam em se reunir mais uma vez em Pequim. As conversas continuam. Donald Trump confirmou novas rodadas de negociações, porém, afirmou ainda que as tarifas podem ou não ser removidas, segundo noticiou a Reuters. 

Ainda nesta sexta, o presidente americano se pronunciou no Twitter afirmando que o governo irá fazer grandes compras de produtos agrícolas para aliviar as condições produtores e para enviá-los a "países pobres e famintos". Suas declarações pouco impactaram o andamentos dos mercados. 

Leia mais:

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PRÊMIOS AINDA SÃO DESTAQUE NO BRASIL

Com a demanda do maior comprador mundial ainda focada no Brasil e os preços baixos de Chicago - que seguem renovando suas mínimas - os prêmios no Brasil continuam sendo o destaque do mercado. Somente nesta sexta-feira, o valor para a posição maio subiu 55,56% no porto de Paranaguá para 70 cents de dólar acima dos valores praticados na Bolsa de Chicago. 

As posições mais distantes já contam com prêmios na casa dos 81 cents. E nesta sexta apresentaram valorização de mais de 20%. 

Durante toda a semana os prêmios subiram no mercado brasileiro e, ainda segundo Cogo, deverão continuar subindo em um movimento exponencial. Entretanto, o executivo não acredita que esses prêmios mais altos irão se traduzir em maiores ganhos para os produtores brasileiros, uma vez que podem somente compensar as perdas e os baixos preços na Bolsa de Chicago. 

Nesta sexta, os indicativos nos portos brasileiros subiram. Em Paranaguá, R$ 73,50 no disponível, com alta de 1,38%, e R$ 72,00 por saca em Rio Grande, com ganho de 0,42%. Para junho, R$ 74,00 e R$ 73,00, respectivamente, com os preços subindo 1,37% e 0,69%. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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