Mídia internacional diverge sobre novo pacote de ajuda de Trump a produtores americanos

Publicado em 21/05/2019 15:11 e atualizado em 21/05/2019 16:48
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A agência internacional de notícias Bloomberg informou, no início da tarde desta terça-feira (21), que o governo do presidente Donald Trump estaria preparando o anúncio de uma nova rodada de ajuda aos produtores norte-americanos que vêm sofrendo com os impactos da guerra comercial com a China. Tal anúncio poderia sair até quinta-feira, dia 23 de maio, e de acordo com a agência, o volume de recursos poderia passar de US$ 15 bilhões.

Na sequência, a Reuters veio desmentindo as informações, dizendo que mais detalhes ainda não foram oficialmente divulgados. A Bloomberg, mais uma vez, confirmou suas informações. 

Os pagamentos feitos aos agricultores seriam maiores do que os do ano passado e chegariam a US$ 2,00 por bushel para a soja, 63 cents de dólar/bushel para o trigo e 4 cents por bushel de milho. As fontes que informaram a equipe da Bloomberg prefereriram não se identificar, uma vez que os pagamentos ainda não se tornaram públicos. 

"Isso terá que ser explicado muito melhor, porque se o governo for realmente for dar US$ 2,00 por bushel de soja e US$ 0,04 pr bushel de milho, ninguém mais planta milho nos EUA, todo mundo planta soja a partir de junho, quando o clima melhorar", diz o diretor da ARC Mercosul, Tarso Veloso, direto de Chicago ao Notícias Agrícolas. 

Em 2018, os valores pagos foram de US$ 1,56 para a soja; US$ 0,14 para o trigo e US$ 0,01 para o milho. No entanto, de um pacote anunciado de US$ 12 bilhões, apenas US$ 8,5 bilhões foram entregues em pagamento aos produtores. 

Os detalhes desse novo pacote de ajuda ainda não são conhecidos e até mesmo o porta-voz do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) se negou a comentar sobre o assunto. Além disso, o representante teria dito, ainda segundo a Reuters, que os "produtores devem tomar suas decisões de plantio baseados nos atuais sinais do mercado e não nas expectativas de ajuda". 

A especialista em agricultura mundial, Karen Braun, da Reuters Internacional, se posicionou. 

"De novo, isso NÃO está confirmado. Foi o tweet de um repórter da Bloomberg. Precisamos ouvir isso direto da administração. Só estou dizendo o que penso se isso for verdade. Oferecer US$ 2,00 por bushel de soja contra US$ 1,65 do ano passado seria, literalmente, encorajar uma produção desnecessária - mesmo SEM a guerra comercial. Sério, se você precisa de um exemplo de um país que encoraja a produção excessiva não precisa ir muito além, é só olhar para China", disse, em sua conta no Twitter. 

E Karen completa dizendo que "os EUA já cultivam muita soja, muito para o atual ritmo da demanda. A guerra comercial é bem ruim, mas os estoques seriam recordes de qualquer forma. Além disso, milhões de porcos estão morrendo na China. Eles não precisam de mais soja agora. Preços mais baixos", afirmou a especialista. 

O analista sênior do portal Farm Futures compartilha dessa visão. "Se o USDA der o subsídio de US$ 2,00 para a soja e US$ 0,04 para o milho, esqueça e o Prevent Plant e plante soja em toda sua área. Mas isso vai pressionar os preços", disse. 

Ao mesmo tempo em que os tweets foram liberados pela Bloomberg, com exclusividade, o mercado da soja virou na Bolsa de Chicago e passou a operar em campo negativo. Os futuros da commodity terminaram o dia com perdas de pouco mais de 9 pontos nos principais contratos, com o julho valendo US$ 8,22 por bushel. 

No entanto, o recuo, como explicou o diretor da ARC Mercosul nada teve a ver com as informações sobre os pagamentos, mas sim com rumores - ainda não confirmados - de que os chineses irão, de fato, cancelar a compra de 7 milhões de toneladas feitas nos EUA nos últimos meses. As aquisições foram feitas em sinais de boa vontade para firmar um acordo com os EUA, mas depois que as tensões voltaram a se aquecer, o movimento mudou. 

"Os pagamentos, se forem feitos mesmo, são referentes à área do ano passado, e não à área deste ano. E segundo, a área deste ano, que está sendo observada pelo mercado, indica a impossibilidade de plantar, por isso que o milho ainda sobe e a soja não, porque a janela ideal da soja vai até o meio de junho", explica Veloso. 

O executivo lembra que o plantio das duas culturas está extremamente atrasado, de acordo com os últimos números do USDA, além de os índices de emergência das lavouras também não serem bons para este momento. 

"Isso quer dizer que poderia haver a necessidade de replantio em algumas áreas, faltando 10 dias para a janela se encerrar, com as chuvas continuando até os próximos 12 a 14 dias, é isso que move o mercado de milho para cima hoje. A soja cai não pela história do subsídio, mas pelo boato de que a China vai cancelar (suas compras nos EUA), e segundo porque ainda tem tempo para o produtor seguir com o plantio por enquanto", completa. 

Com informações da Bloomberg. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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