Soja: Preços no BR sobem mais de R$ 5 nos últimos 20 dias, mas ainda enfrentam obstáculos

Publicado em 22/05/2019 13:16 e atualizado em 22/05/2019 16:47
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Prêmios sobem mais de 100% no período; tabelamento dos fretes tira, porém, de R$ 4 a R$ 5 por saca

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Nos últimos 20 dias - de 2 a 21 de maio - os preços da soja subiram de forma considerável no mercado brasileiro, com altas de até R$ 5,50 por saca. Em Cascavel, no Paraná, o valor no físico passou de R$ 64,00 para R$ 69,50 no período, uma alta de 8,59%. Ganhos semelhantes foram registrados nas principais regiões produtoras do país. 

Em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, o valor de uma saca de soja, como referência passou de R$ 63,50 para R$ 68,50 - com alta de 7,09% - em Sorriso/MT, de R$ 60,00 para R$ 64,00 - subindo 6,67% - e em São Gabriel do Oeste/MS, a alta foi de 4,76%, com o indicativo passando de R$ 63,00 para R$ 66,00. 

De acordo com informações do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária), a média de seu indicador registrou uma valorização de 3,45% em relação à semana anterior. 

Uma melhora dos preços no mercado brasileiro foi registrada em todo o país e refletiu, principalmente uma alta forte do dólar - que segue atuando na casa dos R$ 4,00 -  e uma demanda bastante forte - e renovada pela soja brasileira. 

Essa demanda melhor motivou uma importante retomada dos prêmios no Brasil, que no mesmo período subiram mais de 100% nas principais posições de entrega. O junho saltou de 32 para 95 cents de dólar, o julho de 45 cents para US$ 1,00 e o agosto de 48 para US$ 1,00. 

Toda essa movimentação, apesar de uma baixa em Chicago no mesmo período - com as cotações cedendo pouco mais de 2% - movimentou um pouco mais a comercialização no Brasil, depois de meses de um mercado completamente inerte. 

"Isso faz com que o produtor mexa mais com a comercialização, mas precisamos separar muito bem as duas safras. A que passou e a que ainda será plantada. E eu acredito que a que passou foi a mais favorecida", explica Daniel Latorraca, superintendente do Imea. 

Ainda segundo ele, o produtor aproveitou os bons momentos trazidos pelo mercado e fechou parte do volume que ainda tem a vender. No entanto, a comercialização da safra nova é a que preocupa mais neste momento, já que a compra de insumos está atrasada neste momento e precisaremos acompanhar como serão os próximas semanas.

"A expectativa com a melhora do preço em real no mercado interno era de que voltassem os negócios, principalmente na área de fertilizantes. Porque com o preço que observamos na semana passada, a troca começou a ficar um pouco mais viável para o produtor que faz o barter e isso pode ter estimulado alguns produtores a comercializarem a próxima safra, temos que acompanhar", diz Latorraca. 

LIMITANTES

Se o ambiente comercial é mais favorável para o produtor brasileiro - com preços melhores e demanda forte pela soja nacional - o mercado ainda enfrenta obstáculos que limitam esse avanço dos negócios. O principal deles continua sendo o tabelamento dos fretes. 

Como explicou o presidente da Aprosoja Brasil, Bartolomeu Braz Pereira, "os preços poderiam estar de R$ 4,00 a R$ 5,00 por saca mais altos não fosse este tabelamento. Então, as vendas avançaram, mais estão muito tímidas". 

Pereira explica que as agroindústrias e tradingd ainda têm colocado nos preços a tabela cheia, o que compromete boa parte da renda dos produtores. E que a expectativa agora é de que os valores mudem com a nova metodologia de cálculo dos fretes apresentada pela Esalq a pedido da ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre). 

"Os cálculos da Esalq mostraram valores bem mais baixos do que os atuais e agora estão sendo feitas as audiências públicas para que se defina o que será feito. Mas essa mudança nos valores de referência traria uma importante melhora, e um avanço nos negócios tanto no mercado físico, quanto no futuro", explica o presidente da Aprosoja BR. 

Dessa forma, ainda segundo Pereira, o importante é que o produtor continue analisando em detalhes seus custos de produção para que possa definir estratégias eficientes para desenvolver a comercialização das duas temporadas. 

Ainda assim, alerta para muitas incertezas que são esperadas pela frente. E Daniel Latorraca compartilha do alerta. 

"O fato é que há muitas incertezas para a próxima safra. Nas relações China x EUA está claro que não haverá um acordo até lá, isso no curto/curtíssimo prazo é bom para nós, mas no médio e longo prazo não é bom, mantém uma tensão innternacional desnecessária para gente. E eu acho que a notícia que precisamos esclarecer melhor é ainda a questão do consumo de soja e farelo na China por conta da questão da Peste Suína Africana lá", diz. 

POTENCIAL

A forte e aquecida demanda pela soja do Brasil é, sem dúvida, o mais importante fator de ganho para o produtor brasileiro. De acordo com números da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), os embarques brasileiros de soja, no acumulado do ano, passam de 33 milhões de toneladas e já registram um recorde histórico para o período. Somente nos primeiros 12 dias úteis de maio, o país embarcou mais de 6,1 milhões de toneladas. 

"E (o Brasil) mostra fôlego para passar fácil das 10 milhões de toneladas e espaço para superar as 11 milhões de toneladas do grão, 1,5 milhão de farelo e outras 150 mil de óleo", diz o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. "No complexo soja, o acumulado do ano está com 40 milhões de toneladas", completa.

E é justamente esse fôlego esperado que tem feito com que o produtor, neste momento, siga retendo suas vendas e esperando momentos ainda melhores. Nos principais momentos do dia de ontem, os portos chegaram a registra indicativos de mais de R$ 82,00 por saca para a safra 2018/19 e até R$ 84,00 quando se trata da safra nova. 

E são estes preços, bem melhores do que os de algumas semanas, que indicam a manutenção dessa demanda intensa pela soja brasileira, principalmente por parte da China, que ainda está em guerra comercial com os EUA. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

4 comentários

  • Danilo Guimarães

    Jornalistas do Notícias Agrícolas, boa noite. Se algum produtor está pagando, hoje, o piso mínimo de frete, este valor está indo para o bolso dos atravessadores de carga. Quem realmente faz o transporte, este está recebendo um valor bem abaixo da referência de junho/2018. O tabelamento talvez não seja a melhor saída, mas o transportador tirar dinheiro do bolso para transportar a mercadoria de terceiros também não é!

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  • Roberto Carlos Roth chiapetta - RS

    Sou sojicultor e transportador no RS.... Aqui, como no restante do Brasil, no transporte de grãos NAO SE PAGA TABELA DE FRETES.

    Pessoas, talvez mal informadas, fazem comentários e noticiam esse tipo de coisa. Temos aqui fretes no valor de R$ 70,00, onde a tabela pagaria R$ 105,00... Temos que dar nome aos bois. Se as tradings cobram tabela de frete, elas não estão repassando para os transportadores. (Roberto Roth, Chiapetta, RS).

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    • Rafael Antonio Tauffer Passo Fundo - RS

      Quando o produtor for travar a soja futura o cerealista vai colocar, com certeza, a tabela cheia...Veja o que aconteceu ano passado: a soja foi travada com a tabela cheia e agora está sendo carregada abaixo da tabela,... essa margem deve estar ficando com o cerealista. (Ano passado teve efeito contrário,a soja já estava travada e depois da greve o frete subiu, gerando um transtorno para quem tinha que embarcar..., são essas incerteza que geram muitos prejuízos para os produtores do Brasil).

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    • elcio sakai vianópolis - GO

      Se as tradings não estão repassando a tabela de frete pro transportador e cobrando dos produtores, acho que é quase certo que este dinheiro está indo pra várias centenas de carretas adquiridas no ultimo ano. Não é à toa, estão fazendo suas próprias transportadoras e logo iremos ver o mercado de logística ainda mais saturado.

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    • Rafael Antonio Tauffer Passo Fundo - RS

      Acho que as multinacionais não vão comprar caminhão. A maior parte do frete vai continuar com os terceirizados.

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  • Edisom Rafel Pit mews canarana - MT

    Gostaria de saber qual empresa paga pela tabela de frete e se tem algum caminhoneiro que recebeu o valor dela esse ano. Parem de falar em tabela de frete se as empresas estão descontando do produtor o frete não estão repassando pro caminhoneiro.

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  • Wagner Corrêa Gomes PORTO NACIONAL - TO

    Eu queria que o Sr. Bartolomeu Braz me apresentasse qual empresa esta pagando PISO MÍNIMO DE FRETE para os caminhoneiros,... vá em alguma transportadora e tire a foto da famosa lousa com o referido frete acima do piso minimo onde esteja tirando os seus 4 a 5 reais por saca de soja... Gostaria que fosse verdade que as transportadores repassassem os frete no piso minimo , mas até o momento só há exploração em cima do transportador autônomo.

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