Produtor do BR segura novas vendas de soja diante de safra incerta nos EUA

Publicado em 25/06/2019 12:29 e atualizado em 25/06/2019 17:43
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Escassez de negócios tanto na safra velha, quanto na nova; relações de troca chamam a atenção

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Que a nova safra norte-americana de soja terá problemas já é um fato conhecido pelo produtor brasileiro. O que ele procura saber agora é qual e extensão e intensidade destes problemas e quais serão seus reais impactos para a oferta final 2019/20 dos EUA, principalmente sobre o andamento dos preços, inclusive no mercado do Brasil. 

"Eu não acredito nesta safra dos EUA de quase 113 milhões de toneladas, o mercado já fala em algo entre 103 e 105 milhões. E acredito que a redução da área seja também maior do que os 4% projetado", diz o economista e analista de mercado Camilo Motter, da Granoeste Corretora. 

De acordo com os últimos números do USDA  (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) 85% da área já foi semeada, enquanto na semana passada eram 77%. A média esperada pelo mercado era de 87%, no ano passado o plantio já estava concluído e a média plurianual da oleaginosa é de 97%. 

Além disso, reportou ainda que 71% das lavouras de soja já germinaram até o último domingo (23), enquanto eram 55% na semana passada e 91% de média plurianual. Pela primeira vez nesta safra, o USDA trouxe os índices de condições de lavouras mostrando 54% delas em condições boas ou excelentes. O mercado esperava 57%. Há um ano, 75% das lavouras estavam em boas/excelentes condições e a média é de 69%.

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E assim, para Motter, muito do que se espera à frente irá depender do clima no decorrer do desenvolvimento das lavouras americanas. E essa é uma das dúvidas que mantém o sojicultor brasileiro, neste momento, bastante cauteloso e reticente. Novos negócios são bem escassos por hora, tanto da safra velha, quanto da safra nova. 

O Brasil já tem mais de 65% da safra velha comercializada e os produtores agora aguardam por momentos melhores para voltar a vender. 

"O produtor participou bem do primeiro momento de alta mais forte da soja na Bolsa de Chicago, mas agora voltou a se retrair, justamente, acreditando em novas possibilidades de alta", explica o analista da Granoeste. "Com a leitura, ao menos agora, de um cenário tão negativo (para a safra americana), ele adota uma postura de vendas mais comedidas", completa. 

Quando o assunto é safra nova, o ritmo é ainda mais lento.  Do total estimado, são cerca de 15% já comercializados, contra uma média de de 20% a 25% dos últimos anos. 

"Os negócios futuros com a safra 2019/20 estão praticamente paralisados", relata Motter. "Afinal, temos um tempo hábil muito maior para a comercialização e, mais do que isso, em relação à safra nova o produtor tem muito mais dúvidas agora. Há questões ligadas aos custos, ao clima, à produção, ao crédito. E há ainda uma distância grande entre os preços pedidos pelos vendedores e os ofertados pelos compradores neste momento (o que também vale para a safra velha)", explica. 

E para o analista, essa é uma postura correta neste momento. "Acredito em preços bastante sustentados, com Chicago com força, pelo menos, para se manter acima dos US$ 8,50 por bushel. E a demanda relativa, em relação à oferta, será bastante forte". 

Justamente essa força da demanda que criou um novo fator para o mercado que é a de um volume extremamente ajustado de soja para ser comercializado pelos brasileiros no segundo semestre deste ano. Com um saldo exportável menor do que o da temporada anterior, em função de uma colheita também menor, há quem acredite, entre analistas e consultores, que haverá uma falta de soja para atender ao período mais crítico da entressafra, o que também poderia trazer ao produtor melhores oportunidades de preços. 

EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS

Esse consumo maior da soja do Brasil já resulta em embarques historicamente altos, até maiores do que os do ano passado, no mesmo período, quando se exportou o recorde de 84 milhões de toneladas. De acordo com os números da Secex (secretaria de Comércio Exterior), os embarques brasileiros de soja no acumulado do ano comercial já chega a 45,3 milhões de toneladas contra pouco mais de 43 milhões de 2018. 

"As projeções que temos para o ano é de 75 milhões de toneladas, abaixo das 83,9 milhões de toneladas do ano passado, porque neste ano temos menos soja para ser exportada. Se o embarque for maior que a projeção neste ano tende a deixar o mercado muito ajustado para cobrir o consumo interno", explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze.

Somente nas três primeiras semanas de julho, o Brasil embarcou 7.221,9 milhões de toneladas, e com potencial para que o embarque nessa última semana do mês passe dos 3 milhões, levando o total do mês a superar os 10 milhões. 

RELAÇÕES DE TROCA

Um dos mecanismos mais utilizados pelo produtor brasileiro na hora de comercializar sua nova safra de soja são as relações de troca e, ainda segundo Brandalizze, esse é um momento importante de observação e interessante para os produtores brasileiros. 

"Estamos novamente em uma boa semana, em uma semana positiva para a relação de troca por insumos para os produtores. Para aquele que vai fazendo operações pontuais, buscando a média, essa é uma daquelas semanas para fazer essas operações e manter médias altas", diz o consultor da Brandalizze Consulting. 

Nesta terça, os indicativos nos portos para a safra nova variam de R$ 85,00 a R$ 86,00 por saca, para maio-junho. "E pode se pegar até um pouco acima disso em função das cotações em alta no mercado internacional", explica Brandalizze, que completa dizendo que a atual baixa do dólar frente ao real foi amenizada pelos melhores patamares que são observados em Chicago, com os principais contratos acima dos US$ 9,00 por bushel. 

O contrato março/2020 já vem sendo cotado a US$ 9,50 na Bolsa de Chicago nesta terça-feira. 

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Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas

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