Chuva afeta ritmo de colheita e embarques de soja no Brasil, diz Arc Mercosul

Publicado em 21/02/2020 18:26
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Intensas chuvas em algumas regiões do Brasil limitaram o avanço da colheita de soja na última semana, ao mesmo tempo em que as precipitações estão atrasando as exportações do produto de uma safra abundante, avaliou nesta sexta-feira a consultoria Arc Mercosul.

A colheita de soja do país em 2019/20 atingiu 34,2% da área até esta sexta-feira, avanço de apenas 6,8 pontos percentuais na comparação com a semana anterior, segundo a consultoria.

Enquanto isso, com as interrupções de embarques de soja em função das chuvas, o tempo de espera de navios no importante porto de Paranaguá, que era de nove dias no começo do mês, atingiu 11 dias nesta semana, após ter chegado 14 dias na semana passada, segundo dados da Arc.

No mesmo período do ano passado, as embarcações esperavam apenas seis dias nesta época.

"A chuva atrapalhou o progresso saudável de colheita em alguns Estados, especialmente no centro do Brasil... e principalmente atrasou o processo de embarque nos portos ao sul do país", disse o diretor da Arc Mercosul, Matheus Pereira, à Reuters.

"Teve bastante chuva principalmente na virada do mês de janeiro para fevereiro, que perdurou quase 10, 15 dias de fevereiro, lá em Santos, em Paranaguá, o que impediu o fluxo ideal de embarcações nos portos", afirmou.

As precipitações devem seguir volumosas na maior parte do centro-sul, nas áreas produtoras e nos portos. Até terça-feira de Carnaval, a região onde está o porto de Paranaguá deve receber mais de 45 milímetros, enquanto a região de Santos acumulará quase 70 milímetros, segundo dados do Eikon, da Thomson Reuters.

As chuvas intensas neste mês podem ajudar a explicar por que os embarques de soja, registrados pela Secretaria de Comércio Exterior nas duas primeiras semanas úteis de fevereiro, estão mais lentos na comparação com fevereiro do ano passado.

Isso apesar de o "line-up" de navios nos portos estar tão ou mais forte que o visto na temporada anterior, quando o escoamento começou mais cedo, por uma antecipação da colheita.

Na última semana, as precipitações foram mais intensas no noroeste de Mato Grosso do Sul, oeste de Mato Grosso e todo o sudoeste de Minas Gerais.

"Nessas regiões (atingidas pelas chuvas), o avanço de colheita se manteve a passos lentos nos últimos sete dias", completou Pereira.

Os trabalhos de colheita estão atrasados ante os 46,3% registrados no mesmo período de 2019, quando a velocidade no início da colheita foi recorde após um plantio precoce.

Mas o índice colhido para o período do ano está em linha com a média histórica, segundo dados da consultoria.

O analista disse ainda que as chuvas têm degradado algumas rodovias de escoamento, principalmente em Mato Grosso e Goiás, o que acaba atrasando e encarecendo o frete rodoviário.

Se as chuvas têm causado transtornos, analistas relatam condições excelentes para uma safra que deve ser recorde, beneficiada pelas mesmas precipitações.

ONS aumenta previsão de chuvas em hidrelétricas em fevereiro; vê queda na carga

SÃO PAULO (Reuters) - As chuvas na região das hidrelétricas do Sudeste, que concentram os maiores reservatórios, devem alcançar 103% da média histórica em fevereiro, projetou nesta sexta-feira o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que elevou previsão de 101% divulgada na semana anterior.

O órgão do setor elétrico também revisou, para baixo, a expectativa de carga de energia, que representa uma soma do consumo com as perdas na rede. A previsão agora é de recuo de 0,4% no mês, contra alta de 0,3% esperada anteriormente.

Nos primeiros 15 dias de fevereiro, o consumo de eletricidade no Brasil recuou 1,9% ante mesmo período do ano passado, ao registrar 65.894 megawatts médios, disse nesta sexta-feira a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

As boas precipitações em fevereiro, acima da média para o mês, considerado parte do chamado período úmido-- que vai de novembro a abril e é associado a maiores chuvas na região das usinas hídricas-- revertem cenário visto entre o final do ano passado e janeiro, de volumes bastante abaixo do padrão para a época. [nL1N29S1B5]

As expectativas mais favoráveis para este mês já haviam feito a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no final de janeiro, a definir bandeira tarifária verde para as contas de luz em fevereiro, o que não gera custos extras para os consumidores.

O mecanismo tarifário, que leva a cobranças adicionais ao sair do verde para o amarelo ou vermelho, quando há menor oferta de energia no sistema brasileiro, predominantemente hidrelétrico, vinha aumentando os custos da energia há sete meses antes da melhoria do quadro hidrológico neste mês.

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Reuters

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