Preços do petroleo e soja param de cair durante a madrugada com controle na China

Publicado em 24/02/2020 18:20 4955 exibições
Os futuros da soja recuaram 16 pontos no fechamento da segunda-feira

Notícias de que a China estaria conseguindo controlar a expansão da epidemia de coronavirus em 23 províncias fora do epicentro de Hubei, detiveram a queda dos preços nos mercados mundiais nesta madrugada de segunda-feira, após um dia de pânico com o toque de recolher imposto na Italia.

Por volta das 4 horas da manhã (hor. BR) os preços da soja subiam até 6 pontos em Chicago. O petróleo brent parou de cair e estabilizou em 51,5 dolares/barril.

Às 6 da manhã, porém o mercado, ainda pesado, mostrava um teto para a retomada dos preços do petroleo: 51,40 US$. Em consequencia, a soja se segurava nos 8,83 US$/buschel (vencimento maio).

Já o refugio do ouro tinha caminho inverso, mostrando queda de 1,15%, com a onça-troy girando em torno de 1,656.65 pontos. Açúcar retomou alta de 1%; e o café, que registrou perdas acima de 4% na segunda, já ultrapassava os 107 cents nos negócios da madrugada desta terça-feira.

O mundo olha as bolsas como um termometro em busca de sinais de retomada da produção e de controle da diminuição da recessão.

Na segunda-feira autoridades da  OMS, FMI e até mesmo o presidente Xi Jiping da China anteciparam a gravidade do impacto da epidemia dando conta que a retração economica é inevitável, e, se muito, haveria retomada no segundo semestre. A diminuição dos casos de contágio nas provincias chinesas veio dar alivio ao pânico reinante nos mercados nesta inicio de terça-feira (feriado de carnaval no Brasil).

Aversão ao risco e vendas técnicas aprofundaram queda da soja em Chicago na 2a.-feira

O mercado da soja em Chicago encerrou em forte baixa nesta segunda-feira (24). Os futuros da oleaginosa recuaram entre 15 e 16 pontos nos principais contratos, levando o março a US$ 8,74 com baixa de 16,25 pts, maio US$ 8,82 com queda de 16,5 pts e o julho a US$ 8,94 por bushel, que recuou 15,75 perdendo o patamar dos US$ 9,00. 

A notícia de que o coronavírus vem crescendo após novos casos na Coréia do Sul, Itália e Irã e primeiros casos encontrados no Kuwait, Bahrein e Iraque, colocou o mercado financeiro em alerta, reforçando a aversão ao risco, pressionando commodities e levando investidores a buscarem ativos mais seguros como dólar e ouro.

As vendas técnicas aumentaram ainda mais a queda e os preços dos contratos tanto para 2020 quanto para 2021 atingiram novas mínimas.

Surgiram temores de que o surto de coronavírus na China se transforme em uma pandemia. O surto de infecções fora da China continental provocou quedas acentuadas nas ações asiáticas e europeias e no mercado acionário de Wall Street. Os preços futuros do petróleo WTI chegaram a cair mais de 5% ao longo do dia e encerraram com recuo de 3,79% a US$ 51,37/barril . "O mercado está preocupado com a desaceleração do comércio global, o crescimento econômico. E o dólar está encontrando força contra outras moedas e isso torna nossas mercadorias menos competitivas globalmente", disse Don Roose, presidente dos EUA Mercadorias em West Des Moines, Iowa. "Temos uma oferta muito grande e a demanda está em terreno instável. Com a disseminação do coronavírus além da China, a confiança na demanda caiu ainda mais hoje", disse ele. 

O Departamento de Agricultura (USDA) em seu Fórum anual do Outlook na semana passada projetou  um estoque final para soja registrando  mínima de quatro anos, de 8,71 milhões de toneladas no final da temporada 2020/21 . A demanda por soja, no entanto, permanece incerta, pois a China, a principal compradora mundial de oleaginosas, luta com o surto de coronavírus e os efeitos persistentes de uma doença fatal dos suínos que dizimou seu rebanho de suínos. A soja também permanece pressionada por uma safra recorde no Brasil, o maior exportador mundial de soja.

Bolsas de NY despencam com avanço do coronavírus fora da China

As bolsas de Nova York fecharam em forte queda nesta segunda-feira, 24, em dia marcado pelo temor generalizado nos mercados globais pelo aumento na disseminação do coronavírus, com salto no número de infectados na Itália, Coreia do Sul e Irã Investidores temem um impacto maior na economia global do estava sendo previsto, com a Itália no centro das preocupações de uma epidemia mais rápida se espalhando pela Europa.

O índice Dow Jones despencou 1031,41 pontos em um dia, o que anula todos os ganhos de 2020. Em porcentagem a queda do índice foi de 3,56%, fechando em 27.960,80 pontos. O Nasdaq caiu 3,71%, a 9.221,28 pontos, e o S&P 500 teve baixa de 3,35%, a 3.225,89 pontos. Entre os setores, destacam-se os segmentos de energia, com recuo de 4,73%, e tecnologia, com queda de 4,19%.

Neste último setor, destaque para ações da Amazon, que perderam 4,14%, as do Facebook fecharam em baixa de 4,50% e os papéis da Apple acumularam retração de 4,75%. Entre os papéis que tiveram maior desvalorização em outros setores estão os da companhia aérea American Airlines, que despencaram 8,52%.

Em relatório enviado a clientes, o grupo financeiro ING afirma que a velocidade do crescimento de casos de coronavírus na Itália fez com que "as ações caíssem em todo o mundo numa fuga de riscos". Os analistas do ING apontam risco do vírus chegar a Milão, centro econômico importante para a Europa. O banco Wester Union destacou o fato do que "o vírus mortal" estar aumentando em uma país que é a terceira maior economia da zona do euro, o que "eleva os temores de uma desaceleração global".

A Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou como "profundamente preocupante" o avanço do vírus na Itália, Coreia do Sul e Irã. O diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, descartou uma pandemia neste momento.

O índice VIX de volatilidade, chamado de "medidor do medo" dos mercados acionários americanos, fechou o dia com elevação de 46,55% com 25,03 pontos, após atingir alta de 54% durante a tarde, em meio ao ambiente de fuga de ativos de risco.

Nos Estados Unidos, o Centro de Controle de Doenças e Prevenção dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) confirmou 36 casos de contágio por coronavírus em americanos que estavam no cruzeiro Diamond Princess, que ficou em quarentena no litoral do Japão, o que eleva para 39 o número de casos repatriados e 14 o total de infectados em solo americano.

 

 

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Fonte:
Notícias Agrícolas/AgenciaEstado

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