Soja: Brasil tem dia de equilíbrio nos preços e poucos negócios, apesar da alta forte do dólar

Publicado em 13/04/2020 18:03 e atualizado em 13/04/2020 20:31 848 exibições

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O mercado brasileiro de soja começou a semana encontrando equilíbrio entre a boa alta do dólar frente ao real - de quase 2% nesta segunda-feira (13) - e as baixas de mais de 8 pontos nos principais contratos da oleaginosa negociados na Bolsa de Chicago. 

Nos portos, as referências encerraram o dia entre R$ 98,50 e R$ 99,50 por saca no disponível e para a posição maio/20, porém, testando níveis melhores ao longo do dia, ainda na casa dos R$ 100,00. 

A moeda americana fechou com R$ 5,18, voltando a se aproximar dos R$ 5,20, e registrou sua maior alta em mais de duas semanas, focando a cena externa, segundo explicaram analistas. E o câmbio continua sendo o principal colchão para os preços da soja no Brasil diante de um mercado internacional ainda bastante pressionado. 

"O real esteve entre as moedas de pior desempenho na sessão, afetado adicionalmente por expectativas crescentes de que o juro no Brasil ficará ainda mais baixo para ajudar a economia a se recuperar depois de uma contração prevista do PIB de cerca de 2%, conforme projeções contidas no relatório Focus do Banco Central", apontou a agência de notícias Reuters.

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Os negócios também apresentam um ritmo mais lento neste início de semana, dado que o Brasil tem índices recordes de comercialização tanto da safra 2019/20, quanto da safra 2020/21. 

"Como o produtor brasileiro se capitalizou logo no início desta safra, agora não mostra preocupações em negociar grandes lotes – até porque, com o dólar acima de R$ 5,00, as commodities brasileiras continuam atrativas aos importadores", disseram os pesquisadores do Cepea. 

Mais do que isso, a instituição destacou ainda que "a China – principal importadora mundial da oleaginosa – deve seguir com a demanda aquecida. Com as atividades econômicas voltando ao normal no país asiático, certamente o consumo de alimentos deve crescer".

BOLSA DE CHICAGO

No mercado internacional, os futuros da soja fecharam o dia em campo negativo diante de notícias que pesaram sobre a demanda interna norte-americana. Como explicou o diretor da Price Futures Group, Jack Scoville, em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta segunda, "sem as compras chinesas e agora com a demanda interna comprometida pelos casos de coronavírus nos EUA, o mercado da soja recua em Chicago e quedas podem se acentuar nos próximos dias". 

Os desdobramentos do coronavírus nos EUA, que já provocou o fechamento temporário de algumas agroindústrias nos EUA, incluindo a maior processadora de carne suína do país, a Smithfields, indeterminadamente. 

"O farelo tem sido um grande peso sobre o mercado de soja, com todas as notícias sobre as plantas de processamento de animais fechadas", disse Tom Fritz, um corretor de commodities do EFG Group LLC ao jornal norte-americano Financial Post. 

Nesta segunda-feira, os futuros do farelo e do óleo perderam mais de 1% na Bolsa de Chicago. 

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Mais do que isso, o mercado ainda reflete os estoques maiores de soja nos EUA, que foram revisados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) na última quinta-feira (9), em seu boletim mensal de oferta e demanda. 

No paralelo, atenção ao início da nova safra norte-americana, as questões climáticas para o Corn Belt e a demanda da China, que precisa voltar ao mercado dos EUA para, segundo explicam analistas e consultores de mercado, movimentar as cotações na CBOT. 

"Os traders irão começar a avaliar bem de perto os mapas climáticos para os Estados Unidos na medida em que os produtores se preparam para começar o plantio em mais algumas semanas", explicam os analistas da consultoria internacional Allendale, Inc. 

Ritmo de exportações de soja do Brasil quase dobra na parcial de abril, diz governo

SÃO PAULO (Reuters) - O ritmo das exportações brasileiras de soja em grão quase dobrou no acumulado de abril até a segunda semana do mês, em relação à média diária de embarques registrada em abril do ano passado, informou o governo federal nesta segunda-feira.

Na parcial deste mês, os embarques do grão somaram 875,2 mil toneladas na média diária, alta de 95,5% ante as 447,8 mil toneladas exportadas um ano antes, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Com as vendas externas de soja em sete dias úteis em abril, o Brasil faturou 293,1 milhões de dólares por dia, em média, e superou em 86,3% a receita média de abril de 2019.

Após embarques afetados por chuvas em fevereiro, o maior exportador global da oleaginosa registrou recorde nas vendas externas do grão em março e segue com forte demanda da China, além da elevação na oferta da safra, já com colheita mais avançada após um início tardio este ano.

No setor de proteína animal, as exportações de carne bovina in natura alcançaram 5,98 mil toneladas por dia até a segunda semana de abril, alta de 11,3% ante a média de abril do ano passado, informou a Secex.

Entre as commodities da indústria extrativista, os embarques de minério de ferro atingiram 1 milhão de toneladas na média diária na parcial deste mês, aumento de 12,8% ante a média registrada um ano antes.

Na contramão, as vendas externas de petróleo bruto chegaram a 320,1 mil toneladas na média diária no período avaliado, queda de 1,29% na variação anual.

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Por:
Carla Mendes| [email protected]
Fonte:
Notícias Agrícolas

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