Soja: Prêmios e dólar sobem forte no Brasil nesta 4ª feira e são combustível para preços no BR

Publicado em 22/04/2020 17:54 1689 exibições

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O mercado da soja na Bolsa de Chicago fechou o pregão desta quarta-feira (22) com pequenas altas nos principais contratos, porém, bem próxima da estabilidade. O maio encerrou o dia com US$ 8,34 por bushel e o agosto, US$ 8,43. 

De outro lado, o dólar voltou a subir forte no Brasil e fechou acima dos R$ 5,40 pela primeira vez, com alta de quase 2%. A moeda norte-americana segue sua escalada frente à brasileira e pode, segundo especialistas, testar níveis maiores do que os atuais diante do presente cenário. 

Além das complicações causadas pelo coronavírus na economia global, a cena política conturbada no Brasil também é combustível para a divisa.

"O dólar bateu novos recordes históricos nesta quarta-feira, aproximando-se de 5,42 reais, em parte por um ajuste ao movimento do câmbio global na véspera, mas sobretudo pela escalada das apostas de corte de juros no Brasil, que faz minguar ainda mais as expectativas para o fluxo cambial", explica a agência de notícias Reuters.

Ao lado do dólar alto, os prêmios para a soja brasileira também subiram forte nesta quarta, resultando em preços que seguem fortes no Brasil. A posição abril subiu mais de 22% para fechar com 55 centavos de dólar por bushel sobre Chicago em Paranaguá e o junho, 20% para 60 cents. Na posição julho, a alta foi de 50% para 72 centavos de dólar. 

Dessa forma, base porto, os preços se mantêm acima dos R$ 100,00 por saca, porém, o ritmo de negócios já não é tão intenso diante da baixa disponibilidade de oferta neste momento. A procura grande pela soja do Brasil e o elevado comprometimento da safra 2019/20. 

E essa baixa disponibilidade pode fazer com que, no segundo semestre, os preços possam estar ainda mais firmes, com o dólar podendo testar níveis mais elevados frente ao real e com os prêmios no Brasil podendo se fortalecer diante da pouca oferta disponível, segundo analistas e consultores de mercado. 

"Embora os chineses ainda tenham adquirido dois navios de soja brasileira para agosto e setembro, eles já não encontram grandes volumes aqui porque a safra 2020 está com a oferta drasticamente reduzida", diz o diretor da SIMConsult, Liones Severo. "A China continua negociando, mas como a oferta está muito reduzida, a prospectiva escassez de soja no segundo semestre, certamente, irá oferecer preços ainda mais elevados", completa. 

Veja mais, na entrevista exclusiva de Liones Severo ao Notícias Agrícolas:

>> EXCLUSIVO: "Escassez de soja no 2º semestre irá oferecer preços ainda mais elevados", diz Severo

Severo estima as importações de soja da China neste ano em 96 milhões de toneladas, com a reconstrução de estoques na qual trabalha a nação asiática. 

BOLSA DE CHICAGO

Na Bolsa de Chicago, os pequenos ganhos da soja refletiram uma necessidade de ajuste do mercado diante de baixas acumuladas e preços já tão depreciados. 

As reações do mercado continuam refletindo os desdobramentos da pandemia de coronavírus em todo o mundo e espera por notícias melhores, principalmente aquelas relacionadas à economia e ao consumo. E a demanda da China nos EUA, ao lado das movimentações do mercado do petróleo, também seguem no centro do radar dos investidores. 

E nesta quarta-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou uma nova venda de soja para a China de 198 mil toneladas nest segunda-feira (22). O volume é todo referente à safra 2019/20. 

No link abaixo, veja a entrevista de Eduardo Vanin, analista da Agrinvest Commodities, sobre as variáveis que pesam sobre os mercados nacional e internacional da soja neste momento:

>> Soja: Cenário para os preços em reais segue firme, apesar dos impactos do petróleo e do coronavírus

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Por:
Carla Mendes| [email protected]
Fonte:
Notícias Agrícolas

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